Interacionismo Social e Novas Tecnologias da Comunicação no Processo Educativo Contemporâneo

Palestra apresentada no encontro nacional da ANEC – Associação Nacional das Escolas Católicas, expõe os processos didático-pedagógicos do interacionismo social na sociedade em redes contemporânea, destacando a importância dos valores católicos para a formação da cidadania.

EXERCÍCIO DAS FUNÇÕES DE REITOR DA UDESC EM 2003

EXERCÍCIO DAS FUNÇÕES DE REITOR DA UDESC EM 2003

Antônio Diomário de Queiroz

No dia 23 de fevereiro de 2003, atendendo ao convite do Governador Luiz Henrique da Silveira, tomei posse como Presidente da Fundação de Ciência e Tecnologia – FUNCITEC, órgão do governo estadual responsável pelas atividades de pesquisa científica e tecnológica, vinculada ao Gabinete do Governador. Desde os primeiros três meses de gestão, a Fundação encontrou o equilíbrio orçamentário e estava sendo fortalecida para exercer relevante papel no plano do governo que se iniciava.
Para assumir esse cargo, foi autorizada minha cessão ao Governo do Estado de Santa Catarina, com ônus para o órgão de origem mediante ressarcimento, decisão homologada pelo Ministro de Estado da Educação Cristóvão Buarque pelo Aviso nº 631/03-GN/MEC. Afastei-me das atividades de ensino na UFSC, nos cursos de graduação e pós-graduação, mantendo os compromissos de orientação das dissertações de mestrado e teses de doutorado bem como as atividades de extensão em andamento.
Tudo transcorria normalmente quando, no dia 14 de maio daquele ano, recebi telefonema do Governador Luiz Henrique, relatando-me que tinha a obrigação de colocar na normalidade a UDESC, a bem de todos os catarinenses, mas que havia esgotado todas as possibilidades de solução, pelo diálogo, dos problemas em curso e que estava preparando os atos de aprovação dos novos estatutos da instituição. Perguntou-me, então, se poderia contar comigo, se necessário, para exercer a “missão espinhosa” de Reitor pró-tempore da UDESC, por um período de no máximo 6 meses, para conduzir a eleição dos novos dirigentes da instituição, conforme os estatutos que estavam sendo ajustados às exigências da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Aceitei, em tese, o desafio, consciente da mudança de vida que isso significaria.
Os fatos se precipitaram. O Governador viajaria no sábado, dia 17 de maio, para a Rússia e precisava deixar equacionada a questão. Na sexta-feira dia 16, pelo Decreto Nº 239, publicado no Diário Oficial, Ano LXX, nº17.154, o Governador do Estado aprovou a reforma do Estatuto da UDESC, determinando o prazo máximo de 15 dias, após sua publicação, para instalação do Conselho Universitário e do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, e o prazo máximo de 6 (seis) meses, para concluir o processo de eleição do Reitor e Vice-Reitor. No mesmo Diário Oficial foram publicados os atos nº 2366 e nº 2367, exonerando José Carlos Cechinel do cargo de Reitor pró-tempore da UDESC e me nomeando para exercer esse cargo, com base no art.71, inciso XX, da Constituição Estadual. Nomeado na legalidade constitucional e dos novos estatutos vigentes, na tarde desse dia, acompanhado de minha esposa Maike Hering de Queiroz e do Secretário de Estado da Educação Jacó Anderle (falecidos), entramos pela porta da frente da Universidade até o gabinete do Reitor José Carlos Cechinel. No Auditório da instituição, estando à mesa o Presidente do Conselho Estadual de Educação, professor Silvestre Herdt, e na presença da comunidade universitária, foi-me outorgada a posse do novo cargo, para exercê-lo pelo tempo suficiente para promover o processo de transição aprovado no novo Estatuto.

Passei a viver os 40 dias mais atribulados de minha vida! Desdobrei-me, nesse período, para exercer concomitantemente as atividades familiares, sobrepostas por compromissos importantes no Departamento de Engenharia de Produção da UFSC, na Presidência da FUNCITEC e na Reitoria da UDESC.
Na UFSC, concluí ou avancei a orientação de diversas dissertações de mestrado e teses de doutorado, participando ainda de várias bancas examinadoras orientadas por outros colegas, proferi palestras, iniciei e concluí, no programa de Educação à Distância, o curso de especialização em Contabilidade Gerencial para os dirigentes da FIAT, em Betim, Minas Gerais.
Na FUNCITEC, com o apoio de competente Diretoria, consolidamos o equilíbrio financeiro e definimos as condições de expansão da Rede de Ciência e Tecnologia – RCT, viabilizamos o lançamento dos primeiros editais públicos de pesquisa, organizamos a I Conferência Estadual de Ciência e Tecnologia que se realizou em Lages, ainda no primeiro semestre do ano, avançamos o estudo de alternativas para a Valorização do Carvão Mineral em Santa Catarina, aprovamos a instalação da Incubadora Tecnológica de Jaraguá do Sul, concretizamos apoio ao Laboratório de Eletrônica – Labelectron e à implantação do Sapiens Parque em Florianópolis, iniciamos o processo de alteração estatutária para transformar a FUNCITEC na FAPESC.
Na UDESC, dediquei esforço redobrado. Para cumprir minha missão, precisava primeiramente conversar com as pessoas e entender os anseios da instituição.
Organizei, de pronto, visita aos diversos campi, centros, órgãos de pesquisa e extensão, onde ouvi e falei aos dirigentes, professores, servidores técnico-administrativos e estudantes, diretamente e a suas associações. Em Lages, no Centro Agroveterinário – CAV, identifiquei a luta pela criação dos cursos de Zootecnia e Engenharia Florestal, e a importância acadêmica e comunitária da valorização florestal e da instalação do Laboratório de Leite. Em Joinville, no Centro Tecnológico – CTJ, além de forte apelo à democratização institucional pela Associação dos Professores, sobressaiu a manifestação das autoridades locais pela intensificação da presença da UDESC nas ações de desenvolvimento regional, como projetos de proteção ambiental, a valorização da bacia do Itapocu e o fortalecimento da Rádio da Universidade. No Centro de Educação – FAED, visitei o prédio em construção e compreendi a urgência de concluí-lo. Recebi o projeto de transformação do antigo prédio da Faculdade de Educação num ambiente avançado de extensão. No Centro de Artes – CEART, saí muito bem impressionado com o vigor e a criatividade docente e discente, suas novas idéias e reivindicações. No prédio de Extensão da UDESC, na antiga ESAG, conheci as políticas de ação alternativa do Núcleo de Apoio Pedagógico e percebi os avanços dos projetos de valorização da cultura afrodescendente. No Centro de Educação Física e Desporto – CEFID, confirmei a excelência dos seus programas acadêmicos. No Centro de Ciências da Administração – ESAG, onde havia lecionado por 18 anos, visitei o Centro Acadêmico e a Empresa Jr, com bons projetos de prática da gestão empresarial. No Centro de Educação à Distância – CEAD, confirmei a elevada qualidade dos seus programas pedagógicos, desde o material didático à organização dos cursos e ao processo de tutoria e avaliação acadêmica. Em todos os locais, anotei algumas das dificuldades e deficiências apontadas, os pedidos de soluções e os anseios comuns pela normalidade institucional.
Busquei também, desde o início, formar uma equipe de primeira linha para que fizéssemos um trabalho participativo eficaz nesse período de transição, o qual credenciasse os componentes dessa equipe a dar continuidade à gestão da UDESC no futuro. O professor Fernando Fernandes de Aquino, que admirava há muito pela sua importante contribuição ao sistema catarinense de educação e por sua competência e capacidade de trabalho, aceitou exercer a chefia do Gabinete. Com dedicação, amizade, fidelidade à instituição e à minha pessoa, avançou comigo noites a dentro para darmos conta das pilhas diárias de processos administrativos. A professora Elisabete Nunes Anderle ( falecida), após hesitação inicial, enriqueceu com sua visão, capacidade de análise e experiência extraordinárias o exercício da Pró-Reitoria de Ensino. O professor Dr. Adil Knackfuss trouxe de Lages sua liderança acadêmica como Pró-Reitor de Pesquisa e Desenvolvimento com a missão de melhorar a infraestrutura de apoio à pesquisa e ao desenvolvimento regional. A Professora Dra. Sandra Regina Ramalho e Oliveira, com brilhantismo, energia positiva e entusiasmo, realçou a Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Comunidade. Para a Pró-Reitoria de Administração, acatei a indicação excelente feita pela ESAG do Professor Arlindo Carvalho Rocha, profissional muito experiente, ponderado e habilitado a resolver problemas complexos. Para a Secretaria de Planejamento, fiquei feliz em contar com a dedicação do Professor Jorge de Oliveira Musse, o qual muito me ajudou a compreender a gestão estratégica da UDESC e a estabelecer diretrizes e práticas de ação descentralizadas. Julguei, outrossim, fundamental reforçar o controle interno de gestão da Universidade, enfrentando de forma firme e transparente os diversos problemas operacionais que vinham sendo denunciados pela comunidade interna e externa, ao invés de privilegiar a via judicial e a decisão de gabinete. Para assumir a Controladoria Interna, pude contar com a confiança e o trabalho tenaz e ético do professor José Luiz Fonseca da Silva Filho. No Núcleo de Educação à Distância – CEAD, ponto nevrálgico para superação dos problemas que estavam à origem das dificuldades recentes da Universidade, convidei para sua Coordenação Geral o Professor Hipólito do Vale Pereira Neto, professor com valiosa experiência no Conselho Estadual de Educação, e para a Coordenação Pedagógica a Professora Neli Góes Ribeiro, em reconhecimento à sua pessoa e ao sucesso dos projetos pedagógicos. A eles vieram, nos dias seguintes, somar-se a competente Advogada Tânia Caldeira de Andrade e Silva na Procuradoria Jurídica e o Dr. Alessandro Andrade, pesquisador de destacado mérito acadêmico e administrativo, para intensificar o processo de captação de recursos para a pesquisa e pós-graduação. A equipe, de caráter plural, correspondeu amplamente às expectativas. Costumava dizer que “com um time da tamanha competência, confiança e comprometimento institucional, poderia administrar com sucesso qualquer universidade brasileira”.
Assim passamos ao enfrentamento dos problemas e à análise e proposição de novos projetos, em audiência com autoridades externas e colaboradores internos. Em respeito à gestão do Reitor José Carlos Cechinel, pagamos normalmente a Folha de Pagamento sem desautorizar atos seus anteriores. Fomos em comissão em audiência ao Secretário do Estado da Administração, Marcos Vieira, a quem levamos vários pleitos de interesse do quadro de pessoal da UDESC e para os quais o Secretário encaminhou as soluções demandadas. Atendendo à reivindicação de Balneário de Camboriú, endossada pelo Deputado Dado Cherem, e às propostas da direção da ESAG, autorizamos a implantação naquela cidade do Curso de Graduação em Gestão Pública, embrião de um centro de formação de excelência na área da administração pública municipal e estadual. Aprofundamos a análise do Projeto Pedagógico de criação do Campus Oeste da UDESC. Autorizamos a continuação do Curso de Pedagogia na modalidade à distância e tomamos várias providências visando sanar os diversos problemas que vinham se agravando, com a formação de déficits orçamentários crescentes e a correspondente dificuldade de honrar compromissos e prazos, inclusive nos cursos oferecidos em outras regiões do país. O Secretário Jacó Anderle buscou agilizar os pagamentos pelo Estado correspondentes à participação dos servidores estaduais nesses cursos.
Fiéis à orientação do Governador Luiz Henrique, procedemos à eleição do Conselho Universitário – CONSUNI e do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade, nos termos do Estatuto da UDESC atualizado pelo Decreto nº 302 de 30 de maio, que estabelecia também os procedimentos para a eleição do Reitor, o qual teria o prazo de 60 (sessenta) dias, a contar de sua posse, para tomar as medidas necessárias para a elaboração de novo Estatuto, Regimento Geral e Plano de Carreira, a serem aprovados pelo CONSUNI. As eleições dos conselhos superiores ocorreram num clima de cordialidade e democracia. A instalação dos conselhos e a posse dos eleitos aconteceram no dia 16 de junho, em sessão aberta e solene no auditório da UDESC. Entendi que esses fatos constituíram um passo importante para a Universidade, que elegera um nível de autoridade autônomo e interno mais amplo do que a autoridade do Reitor e que se colocava diante da possibilidade concreta de eleição democrática dos dirigentes e de formulação autônoma do Estatuto, concluindo aquela fase de transição antes dos 6 meses pré-estabelecidos. Anunciei a nova reunião dos conselhos superiores para o dia 27 de junho, com a finalidade de ultimar o processo de eleição do Reitor e Vice-Reitor e de criar a comissão do novo Estatuto e Regimento Geral. Tomamos também na reunião dos pró-reitores a decisão de apresentar à apreciação dos diretores de Centro, em reunião marcada para o dia 26 de junho, e ao CONSUNI o orçamento aberto do fluxo de caixa e das receitas e despesas projetadas, para, em conjunto, serem definidas as prioridades e as medidas saneadoras que se fizessem necessárias.
No dia 17 de junho, terça-feira, quando da reunião do Colegiado do Governo do Estado, apresentei ao Governador um relato positivo da evolução havida na UDESC. Ele concordou com a liberação dos recursos para a educação à distância e mostrou-se muito receptivo ao pedido que lhe fiz de destinar à UDESC o Centro de Treinamentos liberado pelo BESC para ali se implantar um Centro de Pesquisa e Extensão, incluindo o terreno vazio anexo, para a expansão da Universidade.
Pela manhã da quarta-feira, dia 18 de junho, começaram a chegar, porém, os comentários de que o Desembargador Anselmo Cerello havia concedido a liminar requerida pelo Reitor José Carlos Cechinel, anulando o ato de intervenção na UDESC para preservar a Autonomia Universitária. Esse fato veio a se confirmar. Não tendo havido sucesso na busca de uma solução acordada com o Reitor José Carlos Cechinel, que a condicionava à suspensão da reunião convocada do CONSUNI, e com os representantes dos servidores técnico-administrativos, que também haviam interposto Mandado de Segurança em juízo e que exigiam eleição paritária dos dirigentes da Universidade, e não tendo havido reversão da liminar, na tarde do dia 26 de junho, após despedir-me de minha equipe de pró-reitores, dei posse, no livro de atas, ao Reitor José Carlos Cechinel, o qual assumiu a direção da UDESC e suspendeu a reunião dos conselhos superiores convocada para o dia seguinte.

Relato feito com base em diário pessoal escrito por mim durante todo o período dos acontecimentos

Florianópolis, 26 de agosto de 2009

Antônio Diomário de Queiroz

A IMPORTÂNCIA DAS ESCOLAS CATÓLICAS

Publicado por Antônio Diomário de Queiroz como contracapa de “Tecendo o Saber Confessional Católico em Santa Catarina”, Toni Johem, Edição do Autor, 2006

 

A IMPORTÂNCIA DAS ESCOLAS CATÓLICAS

Numa época que exige dos cidadãos e das organizações cultivar permanente atitude de flexibilidade e adaptabilidade às mudanças, em que as dimensões de tempo e espaço se tornam virtuais, o caráter das pessoas, sua espiritualidade, seu comportamento ético e moral constituem o que há de mais confiável para fazer face aos riscos e incertezas.

Em todas as organizações, quando as estratégias se assentam em sólidos princípios, crenças e valores, a efetividade no longo prazo é favorecida. As pessoas gostam de ser livres e respeitadas. Elas se comprometem com o futuro quando percebem identidade de propósitos e virtudes na visão dos líderes que justifiquem a convergência de ações.

A essência moral preserva-se na voz interior do ser humano. Nos momentos mais difíceis da vida, quando tudo parece desabar, quando mesmo pais, irmãos, esposos e esposas, e os melhores amigos se encontram ausentes para aconselhar, ou divergem orientações, é a voz transcendente de Deus gravada indelével nos corações que diz onde está o certo e onde o errado. É lícito estar em desacordo com todo o mundo; não se pode é viver em desacordo consigo mesmo.

No cotidiano, as pessoas convivem, porém, com a valsa das éticas diferenciadas das relações sociais. As organizações tentam impor crenças e valores, muitas vezes conflitantes, aos cidadãos. A superação desse conflito, preservando o equilíbrio emocional e a felicidade, exige muita clareza a respeito dessas crenças e valores, além de coragem e firmeza de opção. Essas atitudes se adquirem pela educação. Desde a primeira infância as crianças desenvolvem sua capacidade para a fé e sua confiança nos semelhantes como necessidade vital. As marcas da educação são para a vida toda.

A educação católica proporcionou-me sólida aquisição de valores humanos para a convivência na sociedade plural contemporânea em permanente transformação. A construção moral ditada pela vida de Cristo constitui-se num sistema de formação integral que ajuda a compreender e superar as limitações de nossa condição humana pela percepção da transcendência de Deus feito homem. Pela caridade, esperança, justiça social, paz, amor ao próximo, bondade, e outros valores cristãos que preparam para a liderança, o trabalho e a cidadania, afirma-se a cultura do espírito.

Fui alfabetizado pela irmã Firmina no Colégio Cristo Rei das irmãzinhas da Imaculada Conceição em Joaçaba, numa relação estimulante de ensino e aprendizagem que me levou rápido ao letramento. No Ginásio Frei Rogério, nessa mesma cidade, concluí os estudos fundamentais com os irmãos maristas. O irmão Nicanor foi meu ídolo naquela fase escolar: alegre, nos ensinava a cantar com entusiasmo; organizou um teatrinho para a turma angariar os meios de uma viagem cultural na formatura; tirava a batina para jogar futebol; alimentava longas conversas de otimismo sobre o futuro do Brasil. Ele foi o primeiro professor que vi educar bem mais do que instruir. No Colégio Santo Antônio de Blumenau, onde concluí o científico com os franciscanos, solidifiquei a disciplina e os bons hábitos de aprender. Frei Odorico Durieux constitui a imagem do excelente professor: culto, idealista, amigo, criou a Academia Monte Alverne de oratória e nos impulsionava com alegria para a perfeição, ensinando com prazer em nível elevado para nos desafiar a também levantar voo.

De todos esses anos de escola católica, só guardo boas recordações. Sinto-me formado para o bem, para o respeito aos outros, para a crença na dignidade humana, para a prática das virtudes sociais e para o abrigo da espiritualidade. Nessa escola, mesmo nas aulas de ensino religioso, prevaleceu o respeito à liberdade de crenças, sem proselitismo. É confiando nessa vivência que, com convicção, quando Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, construímos o Templo Ecumênico na Praça da Cidadania. E neste ano, no exercício da Secretaria de Educação Ciência e Tecnologia do Estado de Santa Catarina, estendemos a prática do ensino religioso como opção de todas as escolas públicas estaduais de educação básica.

Florianópolis, março de 2006.
Antônio Diomário de Queiroz.

SANTOS E PECADORES: COMUNICAÇÃO VERSUS CRISE NA ERA DA INFORMAÇÃO

SANTOS E PECADORES: COMUNICAÇÃO VERSUS CRISE NA ERA DA INFORMAÇÃO (DIGITAL)
DE ARTEMIO REINALDO DE SOUZA

PREFÁCIO DE ANTÔNIO DIOMÁRIO DE QUEIROZ

Quando Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, de 1992 a 1996, vivi um momento muito rico do processo de comunicação social. As novas tecnologias da comunicação e da informação, com as suas poderosas ferramentas, chegavam com todas as forças na universidade, provocando mudanças profundas nos métodos e nas práticas da imprensa universitária. A presença do computador tornava obsoleto o uso das máquinas de datilografia e rompia o canal até então privilegiado do telégrafo e do fax, para trazer e levar notícias sob o controle rigoroso da Reitoria. A internet viabilizava a publicidade e a transparência dos atos dos gestores públicos, ampliando o universo de pessoas com acesso às informações desses atos a uma velocidade virtual, próxima do instantâneo.
Percebi essas condições como uma oportunidade de afirmação da política de comunicação social da UFSC, no contexto de uma nova cultura organizacional, pautada nos princípios da liberdade, do pluralismo ideológico, do respeito mútuo e da abertura da instituição para a sociedade.
Tornava-se necessário superar o conceito herdado de assessoria de imprensa, órgão subordinado ao Reitor com a função restrita de divulgar seus projetos, programas e planos de trabalho. Foi então criada a AGECOM, uma agência de comunicação independente, como órgão suplementar da universidade.
A AGECOM, além de dar continuidade à assessoria de imprensa ao Reitor, passava a conduzir a política de comunicação em suas múltiplas funções. Considerou-se o Jornal Universitário espaço aberto à expressão livre de todos. Fortaleceu-se o jornalismo científico. Facilitou-se o acesso externo dos órgãos de imprensa à informação produzida na universidade. Assegurou-se à Agência toda a infraestrutura avançada de comunicação para que pudesse utilizá-la com autonomia.
Artemio Reinaldo de Souza, neste livro, apresenta elementos conceituais e críticos importantes para a compreensão daquele momento vivido. E o faz com o olhar de hoje e com a qualidade acadêmica de sua dissertação de mestrado em Engenharia de Produção “A assessoria de imprensa e as novas tecnologias: a comunicação integrada como ferramenta de gestão da imagem organizacional”. Tem o mérito de realçar, ao longo do tempo, o conflito das possibilidades democráticas do novo processo de comunicação, em seu leque ampliado de funções, com as crises continuadas das instituições públicas, que se fecham em seus próprios espaços e corporativismos.
O autor enfatiza os novos paradigmas da comunicação, a eficácia difusora do jornalismo e a recente integração em rede das pessoas e das organizações. A comunicação passou a ser percebida como a base das interações cooperativas das pessoas e do processo de ensino-aprendizagem. Sua ação se torna indissociável da estratégia de comunicação.
Artêmio destaca, ao final, o direito à informação que invocam os cidadãos e os reflexos que isso significa para a gestão pública. Propõe então o conceito de comunicação social integrada para reforçar o conhecimento e o entendimento da sociedade sobre o papel e a importância da instituição.

Florianópolis, março de 2006.

Antônio Diomário de Queiroz.

FAPEU: UM ESPAÇO EFETIVO DE AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA

Quando, ao final de 1979, passei a dedicar-me em tempo integral à UFSC, o Reitor Ernani Bayer propôs-me a missão de avaliar o funcionamento da FAPEU, então instalada em pequeno espaço do prédio da Reitoria, em precárias condições físicas e difícil situação administrativo-financeira. Ele questionava a conveniência de mantê-la em funcionamento se não fossem solucionados seus problemas de gestão e viabilizados os meios para o pleno exercício de sua função de amparo à pesquisa e à extensão universitária. Na época a universidade brasileira procurava evoluir do modelo de atuação predominantemente voltado à formação profissional pelo ensino para um sistema universitário de múltiplas funções. Fortalecia-se a percepção da importância da geração dos novos conhecimentos e de sua contribuição social para o desenvolvimento do país.

Foi esse contexto de transição ao novo modelo a razão primeira que justificou naquela ocasião decidir-se pela continuidade e fortalecimento da FAPEU, após sanadas as questões operacionais. Argumentava-se que a atuação da universidade como organização pública, com processo decisório colegiado de muita delonga, não se ajustava à dinâmica e ao ritmo da pesquisa e da extensão. As fundações de apoio se revelavam interlocutor válido entre a universidade e o seu meio ambiente. A importância de sua função se evidenciava sobretudo no processo de transferência tecnológica dos resultados das pesquisas da Universidade para os agentes produtivos.

Já naqueles anos, havia o medo de algumas pessoas de que as fundações de apoio constituíssem séria ameaça ao ensino público e gratuito. Prevaleceu no entanto a percepção de que os recursos captados por pesquisa e extensão eram apenas complementares ao orçamento das universidades públicas. As fundações asseguravam à universidade a justa contrapartida dos usuários privados de seus bens e serviços públicos, possibilitando fomentar novas atividades de pesquisa e, por conseguinte, garantindo também o ensino público de qualidade.

Outra questão considerada relevante era a harmonia de objetivos entre as fundações e as universidades. Nesse sentido foi feito amplo trabalho de normatização das relações contratuais entre essas instituições, abrigado depois em leis federais. O bom relacionamento deveria efetivar-se ao longo do tempo pela afirmação da identidade das respectivas funções específicas, a competência acadêmica da universidade e a interface das fundações para difundir os resultados do seu trabalho à sociedade.

Ao propor-me escrever algumas palavras para a Revista da FAPEU, voltaram-me com vivacidade à memória o ambiente e os argumentos que justificaram a preservação da entidade. Já lá se vai um quarto de século. Felizmente a Revista está apresentando tantos projetos bem sucedidos de pesquisa e extensão que por si sós comprovam o acerto da decisão tomada naquela época. Esses projetos não teriam certamente o sucesso apresentado, não fosse o apoio da FAPEU. Eles são referência obrigatória para a afirmação e defesa da universidade pública e gratuita. No decorrer de todos esses anos, houve tantas e sucessivas crises de financiamento da universidade pública com recursos diretos do Tesouro Nacional, que esse sucesso só foi possível porque as fundações de apoio abriram um efetivo espaço de autonomia para o exercício pleno da competência da universidade pública e sua responsabilidade social.

Florianópolis, 03 de setembro de 2005

Antônio Diomário de Queiroz

EM DIREÇÃO AO PRÓXIMO MILÊNIO: DESAFIOS DO DESEMPREGO

Georges LEMOINE *1
Antônio Diomário de QUEIROZ *2

*1 Professor da Universidade de Poitiers e Diretor da Agência Nacional para o Emprego do Departamento de Deux-Sèvres, França
*2 Professor do Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas da Universidade Federal de Santa Catarina e Doutor em Economia de Desenvolvimento pela Universidade de Paris 1, Sorbonne, França

Cinco grandes desafios contextualizam a questão do desemprego que aflige a humanidade neste final de milênio:
1. a formação simultânea de grandes espaços econômicos dominantes e de divisões políticas celulares;
2. a incerteza sobre os preços de exportação das mercadorias decorrente do câmbio flutuante das moedas;
3. a incrível evolução exponencial das inovações tecnológicas, tornando rapidamente obsoletos os conhecimentos, as máquinas e os processos;
4. a superposição internacional de diversos níveis de legislação e o surgimento de um nível legislativo infranacional, no caso de certas regiões autônomas;
5. o impacto formidável da consciência de proteção ao meio ambiente sobre os processos de produção, as ações comerciais e a decisão dos consumidores.
Cada um desses desafios será aprofundado a seguir, com exemplos, porque é nessa nova ordem mundial que se formam as pessoas responsáveis para enfrentá-los. É nesse novo mundo, limitado por diferentes restrições, que se configura a nova empresa e que emergem do processo produtivo diferentes classes de excluídos em quase todos os países, formando pólos de miséria e desesperança. Continue lendo EM DIREÇÃO AO PRÓXIMO MILÊNIO: DESAFIOS DO DESEMPREGO

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