revelação

REVELAÇÃO

Sonhos e medos me despertam

espíritos sobressaltam a madrugada

difusas e cifradas mensagens

assustam e encantam o voo

sobre coloridas colinas

 

Que diálogo me propõem?

Onde me levam?

O que me sussurram?

 

Peço perdão ao Anjo da Guarda

ajuda para superar problemas

a paz, a esperança, a felicidade

as mãos nos seios da mulher amada

e retorno à escuridão do sono

até o ensolarado amanhecer!

Diomário, 2020

Algumas lembranças de papai Alexandre

Algumas lembranças de papai Alexandre 

         1- As primeiras lembranças que guardo dos tempos de criança são de Joaçaba, quando tomava banho no rio do Tigre, no fundo de nossa casa. Papai nadava de costas e me levava montado sobre seu peito, eu gritando ao mesmo tempo de felicidade e de medo. Lembro-me das águas limpas daquele rio. A gente descia pelo mato até uma pequena praia ao lado da qual havia uma espécie de piscina onde se tomava banho. Depois as águas se sujaram pela ocupação urbana e agroindustrial em direção à nascente. Nas grandes enxurradas passaram a descer rio abaixo cada vez mais imundícies, porcos e galinhas e até uma vaca trazidos pela correnteza. Seguindo o exemplo do vizinho, papai construiu então um muro alto ao lado do rio, aterrando nosso terreno para um galinheiro e pequena horta. Por sobre este muro, lembro-me da Terência jogando no rio o nosso gato Mimi que havia roubado um bife na cozinha, e de papai lançando com alegria, como se fossem discos-voadores, os pratos e pires trincados da casa, prometendo à mamãe que iria comprar novos.

         2 – Como éramos cada vez um número maior de crianças e não conhecíamos bem os limites de nosso terreno, um dos vizinhos construiu um muro de fora a fora para não invadirmos mais sua propriedade. Entre as duas casas, o muro foi erguido até uns quatro metros de altura para que ninguém pudesse olhar pela janela do outro! Lembro-me de papai contrariado e até meio ofendido com essa medida. Mas com o tempo passou a gostar da ideia e fez um muro igual do outro lado do terreno, isolando-nos também da casa do segundo vizinho, com muros da mesma altura. Até hoje não conheço outra casa tão bem murada como a nossa de Joaçaba!

         3 – Desde cedo, papai resolveu alfabetizar-me. Comprou uma cartilha e um caderno de caligrafia para o meu aprendizado. As aulas eram no seu gabinete de trabalho. Começou ensinando-me os números e o beabá. Mas mantinha sobre a mesa uma régua quadrada de peroba ou canela, ameaçando dar-me uma reguada se eu não respondesse certo às suas perguntas. Fiquei atormentado. Com medo, meus olhos se enchiam de lágrimas e não conseguia sequer ouvir as perguntas ou ler as palavras apontadas e tentava adivinhar as respostas. Papai perdeu a paciência e mamãe intercedeu em meu favor, suspendendo aquelas aulas. Mas alguma coisa devo ter aprendido. No primeiro dia de aula do primário, no Colégio Cristo Rei das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, a irmã Firmina usou como método de motivação a leitura da cartilha na frente da sala por um aluno já alfabetizado, Ilo Pagnoncelli. Lembro-me de minha reação: “Mas isto eu também sei!” E voltei para casa sabendo ler, e mamãe buscou o jornal O Estado e uma caixa de Maizena para que eu mostrasse a todos o “milagre da irmã Firmina” que me ensinara a ler em um só dia de aula!

         4 – Papai tinha hábitos alimentares bem diferentes dos da mamãe. Ele adorava feijão com bastante charque, arroz, carne e massas, tomava sopa preta à noite e esvaziava diariamente a panela após serem servidos os filhos e mamãe. À mesa não podia faltar a pimenta! Gostava de café e pão, depois de descartar com a mão o miolo; comia bolo e algumas bolachas molhadas no café com leite coado, deliciava-se com banana na farofa doce e manteiga salgada como na Bahia. A mamãe adorava saladas de todos os tipos e as preparava diariamente para mim e para ela, pois os demais irmãos e irmãs seguiam a linha Alexandre. Na quarta-feira, quando ele ia advogar em Campos Novos, ela então fazia os outros pratos que gostávamos: fígado, buchada, rabada, língua e coração, entre outros. Aconteceu que num desses dias, quando havia preparado uma deliciosa buchada, choveu muito e papai teve que retornar para casa dado o péssimo estado das estradas. Rapidamente a mamãe preparou um gostoso bife para ele e o serviu à mesa com a buchada para nós. Lembro-me bem das suas exclamações em voz alta: “Mas Dulce, eu não suporto nem o cheiro dessa buchada!” A solução naquele dia foi ele ir almoçar no gabinete!

         5 – Com o tempo papai foi aprendendo a gostar de outras coisas. Por exemplo, passou a gostar de batatas que, até então, classificava também como verdura. E passou a adorar batata frita, sobretudo acompanhada de camarões. E manteve sempre o prazer de comer com muita pimenta e açúcar. Um dia disse-me, com entusiasmo, que aprendera “a gostar de tudo menos apenas de três coisas”! Perguntei-lhe então quais eram essas três coisas. Respondeu-me:

  1. Carne crua, “desta, não tenho jeito de gostar!”

  2. Cebola e alho! “Isto é comida aqui do Sul com a qual ainda não me adaptei!”

  3. Verduras e coisas exóticas! Nesta terceira coisa papai incluía tudo o mais de que não gostava!!

        Durante muitos anos não vi papai tomar qualquer bebida alcoólica, nem mesmo cerveja ou vinho. Só com mais idade passou a incluir nas refeições “no máximo duas pequenas taças de vinho, como recomendava o Tio Totônio” e de aperitivo servia-se de um cálice de vinho do Porto ou de Martini branco, pois isto lhe relembrava os tempos de jovem quando ele e mamãe festejavam seus sucessos com uma dose desta última bebida.

        6 – Papai e mamãe sempre acreditaram profundamente na importância da educação. Por esta razão, sem medir custos e sacrifícios, enviaram Perpétua para estudar em Florianópolis no Colégio Coração de Jesus, onde se formara a mamãe, e a mim para cursar o científico em Blumenau, no Colégio Santo Antônio, onde estudara o papai. Naquela época, no segundo grau, em Joaçaba, só existia o Contador, que estava iniciando as primeiras turmas. Blumenau ficava a três dias de viagem, dormindo-se uma noite em Lages e outra em Rio do Sul. Os ônibus lentos, barulhentos, com cheiro de gasolina, lotados de gente, a poeira entrando pelas janelas abertas, com a maioria dos passageiros vomitando pelas curvas, seguiam sacolejando, com paradas a cada instante para a descida ou subida das pessoas. Em dias de chuva ou geada, atolavam e atrasavam sua chegada. Em março de 1959 eu tinha apenas 14 anos, e na primeira viagem papai acompanhou-me até Blumenau. Mostrou-me com muita satisfação a cidade e o Colégio Santo Antônio. Apresentou-me e recomendou-me aos freis com orgulho. Senti-me importante. Depois retornou para Joaçaba e comecei um novo e importante período de vida. No início sentia muitas saudades e tive dificuldades de adaptar-me ao nível superior dos estudos. Mas então comecei pela primeira vez na vida a iniciar um diálogo mais aberto com papai e mamãe por meio de cartas. Mamãe enviava as notícias do cotidiano e conselhos. Papai falava de sentimentos e filosofava sobre a vida. Creio que foi aí que comecei a conhecê-los melhor e a amá-los de todo o coração.

        7 – No final do semestre daquele ano, papai organizou-se para ir buscar-me pessoalmente em Blumenau para passar as férias em casa. Fiquei radiante ao reencontrá-lo, assim como à mamãe, aos irmãos e amigos de Joaçaba. Papai viajava muito de ônibus pois atendia clientes de toda a região Oeste. Era famoso por dormir profundamente e até em pé quando não conseguia lugar sentado. Naquela vez viajávamos em assentos lado a lado. A partir de Lages fazia muito frio e a geada cobriu toda a estrada. Próximo a Curitibanos o ônibus escorregou no gelo e caiu num barranco sem poder ser removido. Dormimos no ônibus, papai roncava muito alto e eu, sentindo pena dele, não ousava acordá-lo.

A turma dos bancos de trás começou então a brincadeira, como se os roncos fossem do motor do ônibus. Gritavam: “Primeira, Dr. Queiroz:” e o papai, roncando alto: Rorrrrrr!! “Segunda, Dr. Queiroz”: e a resposta: Rorrrr, rorrrrr!! “Terceira, Dr. Queiroz”: e ele, Rorrr, rorrr!! Aquilo divertiu os passageiros e amenizou o clima de desolação do ônibus, até que gentilmente cutuquei no braço do papai, para que ele virasse de lado e pudesse dormir sem roncar!

        8 – Mais tarde, papai comprou seu próprio carro, um Aerowillys preto do último tipo, adquirido em Tubarão sob os cuidados do vovô Neco, tendo dado em pagamento um prédio que havia construído lá, com seis pequenos apartamentos que alugava. Estava feliz, pois dizia que “minha vida melhorou muito desde que passei a ter o automóvel!” Chegando em Florianópolis, onde eu já era estudante de Direito, convidou-me a dar uma volta no carro novo para mostrar como dirigia bem, “pois dirigir foi uma das coisas que aprendi mais rápido na vida”, disse-me ele. Só que naquele passeio fez ao menos duas grandes barbeiragens: numa, ao invés da primeira colocou a ré para sair do estacionamento e subiu com os pneus fumegando em cima da calçada de trás; noutra, encontrando uma carroça descarregando lenha próximo ao hotel Querência, sentindo que a passagem era muito estreita, pediu para o carroceiro se afastar um pouco, mas este se negou: “Por que me afastar se por aí todo mundo passa?!” Isso mexeu com os brios do papai, que fechou os olhos, engatou uma primeira e acelerou, atravessando o percurso raspando nas rodas da carroça com um baita arranhão do início ao fim do carro! Em Joaçaba era conhecido por ser muito cauteloso quando dirigia. Diziam que no retorno de Campos Novos saía na primeira e não mudava a marcha até chegar em casa! Mamãe, quando viajava ao seu lado, estimulava: “Mais rápido, Alexandre! Mais rápido!”

        9 – Guardo uma recordação emotiva muito forte do carro de papai porque ele o utilizava como garantia para poder manter-me e a todos os meus irmãos e irmãs em cursos superiores e em programas de educação no exterior, porque naqueles tempos a venda de um carro tinha total liquidez, e papai me dizia: “Viaja tranquilo, Diomário, pois se algum dia Você precisar de dinheiro eu vendo o carro e lhe envio!” Nunca precisou vender o carro por esta razão, mas se não o possuísse como garantia talvez não teria conseguido mandar todos os filhos formar-se fora. Numas férias de julho, lembro-me de que papai estava com menos dinheiro do que eu precisava levar para Florianópolis. Saiu então comigo, entrou em uma casa comercial amiga, e voltou com a quantia necessária. Disse-me então: “Diomário, não se esqueça, crédito é melhor do que dinheiro! Uma pessoa honesta sempre consegue o dinheiro, pois tem crédito!” E assim a gente ia aprendendo com ele, procurando corresponder aos seus ensinamentos. Adquiri o hábito de manter um controle correto de todas as minhas despesas para lhe fazer a prestação de contas, só não precisando apresentar-lhe os gastos do dinheiro pessoal que me dava como mesada. Em casa, a primeira prioridade para aplicação de dinheiro sempre foi o estudo dos filhos. Com o tempo, comecei a lecionar nos cursinhos pré-vestibulares e no Instituto Estadual de Educação para poder ganhar meu próprio dinheirinho e aliviar os pedidos de ajuda financeira ao papai.

        10 – Papai foi um grande desportista! É o atleta que mais vezes participou dos Jogos Abertos de Santa Catarina. Foi várias vezes campeão e vice-campeão na modalidade de xadrez por Joaçaba, município pelo qual em diversos anos chefiou também a delegação da cidade no conjunto dos esportes. Por seu estímulo, participei dos primeiros Jogos Abertos de Santa Catarina, realizado em Brusque no ano de 1960, disputando na modalidade de tênis de mesa por Joaçaba. Não consegui uma medalha, mas papai passou para ver-me jogar e elogiou-me dizendo que eu me saíra melhor do que ele imaginava. Os sábados, domingos e feriados de minha infância são povoados pela lembrança das infinitas horas de papai e Dr. Miguel jogando xadrez no gabinete. Ele estudava os livros de xadrez e as partidas dos campeões. Assim tornou-se também campeão em várias modalidades, xadrez relâmpago, xadrez por correspondência e em categorias brasileiras de mais idade. Até ao final da vida praticou este esporte, o que ajuda a explicar sua lucidez mental, uma de suas impressionantes características pessoais. Papai foi um advogado, um político e um professor ilustre. Mas como ele mesmo dizia, era sobretudo popular e reconhecido como campeão de xadrez.

        11 – Na minha infância, prevaleceu em mim a imagem do papai como um homem severo, muito trabalhador, exigente, bastante nervoso, chegando a gaguejar quando tinha algum problema a enfrentar, devendo eu, já pela manhã, antes de ir para a escola, recitar de cor, a ele e mamãe, as lições do dia. Fiquei sabendo, embora sem então bem compreender, do soco que dera no Juiz na ocasião em que deixou a Promotoria para ser Advogado, “o que foi a melhor decisão que tomei na vida” como me repetiu depois por várias vezes. Com o tempo, porém, fui percebendo que papai era acima de tudo um homem boníssimo, emotivo, alegre e muito amoroso com a família e com os amigos. Quando adolescente, comoveu-me ao confidenciar numa de suas cartas que uma de suas prioridades na vida era conquistar a amizade e a admiração de cada um de seus filhos e filhas. Em 1954, aos 10 anos, pela primeira vez o vi chorar em altos prantos. Eu voltava da escola feliz porque tinham suspendido as aulas pela morte do Presidente da República, quando, ao adentrar a casa, vi papai debruçado sobre o rádio, chorando muitíssimo, inconformado com o suicídio de seu ídolo Getúlio Vargas! Outra vez teve um desses grandes acessos de choro quando chegou em Tubarão na grande enchente de 1974 e viu a cidade, especialmente toda a propriedade do Vô Neco, destruída pelos trágicos 10 metros da subida das águas. Também chorou muito quando foi operado da vesícula e achava que poderia morrer. Conciliou-se então com seus inimigos políticos, e para falar com cada filho que ia visitá-lo pedia cinco minutos para poder preparar-se psicologicamente de modo a não ceder novamente ao choro. Mas viveu longos anos com muita alegria, contagiando a todos com suas gargalhadas, com suas narrativas engraçadas, com seu otimismo e amor profundo que se estendeu aos netos e bisnetos, pela sua personalidade fora do comum.

        12 – Papai ficou transtornado pela morte de mamãe em 1983. Colocou por escrito que não iria mais casar e enumerou uma série de medidas de mudança de vida. Resolveu mudar-se para Florianópolis, onde comprou um pequeno apartamento. Desfez-se de muita coisa e de costumes para organizar-se para a nova etapa de homem sozinho. Mas cedo organizou uma viagem de navio com o tio Manoel e logo se apaixonou por uma viúva de São Paulo, Ivette, com quem se casou em 1984, com a bênção de todos os filhos e filhas. Em São Paulo organizou escritório de advocacia e viveu alguns anos muito feliz. Fez diversos passeios e viagens à Europa. Numa delas, por coincidência, quando estávamos eu, Maike e Ângela assistindo às danças espanholas em Madri, na mesa ao lado encontramos Papai e Ivette presentes ao mesmo espetáculo. Foi uma festa! Os dois viveram muito bem, visitando-nos em Florianópolis com alegria, por vários anos, até o agravamento das doenças que tornaram difícil sua convivência nas condições de São Paulo. Papai voltou então para Florianópolis. Disse-me um dia que gostaria de vir morar comigo. Naquele momento, revelei-lhe a luta tremenda da Maike por algum tempo a mais de vida mas que não ficasse preocupado, pois os filhos garantiríamos para ele um local digno e bom para morar. E assim, por sugestão da Célia e concordância de todos, foi alojar-se em apartamento confortável do Centro Vivencial para Pessoas Idosas da Igreja Metodista, bem situado no Itacorubi, com assistência médica 24 horas. Cada filho o levava a passear e a comer de tudo que gostava, revezando-se nos finais de semana. A cada vez que eu passeava com ele ao longo do mar, ele comentava: “Diomário, Florianópolis é mesmo uma cidade muito bonita; só perde para a Bahia!” No seu novo lar, logo formou um novo grupo de amizades, com frequentes passeios organizados, admirado por sua sabedoria e seus risos de alegria e animação. Assim sendo, achou uma nova namorada, Dona Hilda. No dia de seu sepultamento, meus amigos ficaram muito bem impressionados ao vê-la, aos 84 anos, chorando copiosamente ao lado do caixão, como uma jovem viúva apaixonada. Papai morreu em minha casa. Quando seu estado de saúde se agravou, e estando eu viúvo, trouxe-o para morar comigo e Ângela nos seus últimos dias. Era um hóspede agradável e organizado, comia sempre uma fruta e bebia água antes de ir dormir e me repetia diariamente que estava deixando a porta do quarto aberta durante a noite. Um dia Vera, que o visitava, correu gritando que ele estava morrendo. Desci do escritório a tempo de lhe segurar as mãos, e de mãos dadas o vi dar com serenidade seu último suspiro.

Escrito por Diomário como contribuição para o Álbum de Memórias de Alexandre Queiroz – Bonijuris.

 

 

 

 

POLÍTICAS DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA PARA SANTA CATARINA

POLÍTICAS DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA PARA SANTA CATARINA

RESUMO – SULMAT 2004

2° Congresso em Ciências de Materiais do Mercosul

 Antônio Diomário de Queiroz

Diretor Geral da FUNCITEC

O processo de expansão das Instituições do Ensino Superior (IES) em Santa Catarina está sendo orientado por políticas de educação, ciência e tecnologia que visam dar sustentação aos programas de desenvolvimento regional num novo modelo de descentralização.

As IES devem se articular com os agentes econômicos e sociais, a nível local, através das Secretarias de Desenvolvimento Regional, coordenadas em âmbito estadual pela Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão. Os Conselhos de Desenvolvimento Regional, dos quais participam as universidades, constituem o mecanismo para a articulação dos esforços de formulação das políticas de desenvolvimento local e regional.

A FUNCITEC, vinculada à Secretaria de Educação e Inovação, integra esse processo de desenvolvimento, proporcionando o acesso à rede estadual de ciência e tecnologia e apoiando as ações de pesquisa, extensão e inovação, por meio de diversos programas e editais voltados para a valorização das potencialidades dos arranjos produtivos locais.

Estimula-se assim a realização do ensino no contexto da pesquisa e da extensão. A Universidade tem a responsabilidade social de alimentar continuamente com novos conhecimentos o processo de desenvolvimento econômico e social de um país.

A qualidade da instituição se mede pelos resultados junto à sociedade.

Há que se raciocinar em termos da eficácia social das universidades, com resultados compatíveis com a realidade em que se situam e com o estágio recente de sua formação. Os sistemas tecnológicos se produzem socialmente e a produção social vem determinada pela cultura.

A era da informação, ao intensificar os meios e o processo de comunicação entre pessoas de todo o mundo, amplia o campo da extensão ao incorporar o conceito da inovação ao lado de ciência e tecnologia.

A inovação é a convergência da história de diversas pessoas para encontrar uma solução de futuro. Ela surge da formulação explícita ou implícita de pactos de controle público do processo de tomada de decisões e da definição concomitante dos mecanismos institucionais que assegurem a vigência de tais pactos. O conceito de inovação passou a ser enunciado como “o resultado de um conjunto de relações que unem três mundos sociais distintos, que possuem culturas próprias e, não raro, francamente conflitantes” (FLICHY, P. 1995. L’ innovation tecnique

). No conceito de inovação proposto por esse autor, a internet é instrumento facilitador das relações de três mundos sociais, assim estruturados:

relações internas à comunidade de pesquisadores com abordagens inovadoras;

relações entre a comunidade de pesquisadores e os agentes econômicos e sociais e

relações com os agentes do Estado e do Governo, operadores do sistema político-econômico.

As políticas públicas de Ciência, Tecnologia e Inovação promovem o desenvolvimento científico e tecnológico. Formam a base da dinâmica do processo de desenvolvimento econômico e social com distribuição justa de renda e inclusão social.

Em Santa Catarina, o papel da FUNCITEC é promover o desenvolvimento científico e tecnológico por meio do fomento à pesquisa e da interação, em todos os níveis, das instituições científicas, dos complexos produtivos, do governo e da sociedade. É nesse sentido que está apoiando a realização do 2° Congresso em Ciências de Materiais do Mercosul que reúne representantes dos setores industrial e acadêmico, direta ou indiretamente ligados a técnicas que fazem uso de materiais cerâmicos, poliméricos e metálicos. Deseja-se que o intercâmbio de informações via apresentação de trabalhos científicos e discussões técnicas proporcione o ambiente favorável ao surgimento de importantes inovações para o desenvolvimento econômico e social nessa área do conhecimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

conceito de inovação

Inovação – Conceitos

Inovação é um estágio do desenvolvimento no qual é produzida uma nova ideia, desenho ou modelo para um novo ou melhor produto, processo ou sistema.

PINTO, CARLOS S.M. Conceitos Básicos de Ciência e Tecnologia.Disponível em: http://www.esg.br/dactec/leitura/cbct.html, 2003

 

CONCEITO RENOVADO DE INOVAÇÃO

“Os sistemas tecnológicos se produzem socialmente e a produção social vem determinada pela cultura”.

CASTELLS, M.2001.
La Galaxia Internet (Reflexiones sobre Internet, empresa y sociedad).

 

OS TRÊS MUNDOS SOCIAIS DA INOVAÇÃO

“A inovação é o resultado de um conjunto de relações que unem três mundos sociais distintos, que possuem culturas próprias e, não raro, francamente conflitantes”.

  1. Relações internas à comunidade de pesquisadores com abordagens inovadoras, porém frequentemente inibidas por estruturas institucionais rígidas.

  2. Relações entre a comunidade de pesquisadores e os agentes econômicos e sociais.

  3. Relações com os agentes do Estado e do Governo, operadores do sistema político-econômico.

FLICHY, P. 1995. L’ innovation tecnique
apud Renato de Oliveira. Ciência e Tecnologia:
uma agenda para a Democracia e o Desenvolvimento. 

 

“A Inovação surge da formulação explícita ou implícita de pactos de controle público do processo de tomada de decisões e da definição concomitante dos mecanismos institucionais que assegurem a vigência de tais pactos”.

Renato de Oliveira. Ética, PolÍtica e Desenvolvimento

 

Na nova economia de redes, o principal desafio para a inovação tecnológica consiste em integrar todos os agentes do sistema de Ciência, Tecnologia & Inovação, públicos e privados, num pacto convergente de ações que promovam a valorização das potencialidades do país e a melhoria da qualidade da vida da população.

A inovação é a convergência da história de diversas pessoas para encontrar uma solução de futuro.

A inovação viabiliza a eficácia social das atividades de ciência e tecnologia.

Só as informações e dados contextualizados pela realidade local geram conhecimento.


Antônio Diomário de Queiroz

 

 

 

 

 

 

 

 

REITOR DA UDESC EM 2003

EXERCÍCIO DAS FUNÇÕES DE REITOR DA UDESC EM 2003

 Antônio Diomário de Queiroz

                    No dia 23 de fevereiro de 2003, atendendo ao convite do Governador Luiz Henrique da Silveira, tomei posse como Presidente da Fundação de Ciência e Tecnologia – FUNCITEC, órgão do governo estadual responsável pelas atividades de pesquisa científica e tecnológica, vinculada ao Gabinete do Governador. Desde os primeiros três meses de gestão, a Fundação encontrou o equilíbrio orçamentário e estava sendo fortalecida para exercer relevante papel no plano do governo que se iniciava.

                   Para assumir esse cargo, foi autorizada minha cessão ao Governo do Estado de Santa Catarina, com ônus para o órgão de origem mediante ressarcimento, decisão homologada pelo Ministro de Estado da Educação Cristóvão Buarque pelo Aviso nº 631/03-GN/MEC. Afastei-me das atividades de ensino na UFSC, nos cursos de graduação e pós-graduação, mantendo os compromissos de orientação das dissertações de mestrado e teses de doutorado bem como as atividades de extensão em andamento.

                   Tudo transcorria normalmente quando, no dia 14 de maio daquele ano, recebi telefonema do Governador Luiz Henrique, relatando-me que tinha a obrigação de colocar na normalidade a UDESC, a bem de todos os catarinenses, mas que havia esgotado todas as possibilidades de solução, pelo diálogo, dos problemas em curso e que estava preparando os atos de aprovação dos novos estatutos da instituição. Perguntou-me, então, se poderia contar comigo, se necessário, para exercer a “missão espinhosa” de Reitor pró-tempore da UDESC, por um período de no máximo 6 meses, para conduzir a eleição dos novos dirigentes da instituição, conforme os estatutos que estavam sendo ajustados às exigências da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Aceitei, em tese, o desafio, consciente da mudança de vida que isso significaria.

                   Os fatos se precipitaram. O Governador viajaria no sábado, dia 17 de maio, para a Rússia e precisava deixar equacionada a questão. Na sexta-feira dia 16, pelo Decreto Nº 239, publicado no Diário Oficial, Ano LXX, nº17.154, o Governador do Estado aprovou a reforma do Estatuto da UDESC, determinando o prazo máximo de 15 dias, após sua publicação, para instalação do Conselho Universitário e do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, e o prazo máximo de 6 (seis) meses, para concluir o processo de eleição do Reitor e Vice-Reitor. No mesmo Diário Oficial foram publicados os atos nº 2366 e nº 2367, exonerando José Carlos Cechinel do cargo de Reitor pró-tempore da UDESC e me nomeando para exercer esse cargo, com base no art.71, inciso XX, da Constituição Estadual. Nomeado na legalidade constitucional e dos novos estatutos vigentes, na tarde desse dia, acompanhado de minha esposa Maike Hering de Queiroz e do Secretário de Estado da Educação Jacó Anderle, entramos pela porta da frente da Universidade até o gabinete do Reitor José Carlos Cechinel. No Auditório da instituição, estando à mesa o Presidente do Conselho Estadual de Educação, professor Silvestre Herdt, e na presença da comunidade universitária, foi-me outorgada a posse do novo cargo, para exercê-lo pelo tempo suficiente para promover o processo de transição aprovado no novo Estatuto.

              Passei a viver os 40 dias mais atribulados de minha vida! Desdobrei-me, nesse período, para exercer concomitantemente as atividades familiares, sobrepostas por compromissos importantes no Departamento de Engenharia de Produção da UFSC, na Presidência da FUNCITEC e na Reitoria da UDESC.

          Na UFSC, concluí ou avancei a orientação de diversas dissertações de mestrado e teses de doutorado, participando ainda de várias bancas examinadoras orientadas por outros colegas, proferi palestras, iniciei e concluí, no programa de Educação à Distância, o curso de especialização em Contabilidade Gerencial para os dirigentes da FIAT, em Betim, Minas Gerais.

                   Na FUNCITEC, com o apoio de competente Diretoria, consolidamos o equilíbrio financeiro e definimos as condições de expansão da Rede de Ciência e Tecnologia – RCT, viabilizamos o lançamento dos primeiros editais públicos de pesquisa, organizamos a I Conferência Estadual de Ciência e Tecnologia que se realizou em Lages, ainda no primeiro semestre do ano, avançamos o estudo de alternativas para a Valorização do Carvão Mineral em Santa Catarina, aprovamos a instalação da Incubadora Tecnológica de Jaraguá do Sul, concretizamos apoio ao Laboratório de Eletrônica – Labelectron e à implantação do Sapiens Parque em Florianópolis, iniciamos o processo de alteração estatutária para transformar a FUNCITEC na FAPESC.

                   Na UDESC, dediquei esforço redobrado. Para cumprir minha missão, precisava primeiramente conversar com as pessoas e entender os anseios da instituição.

                   Organizei, de pronto, visita aos diversos campi, centros, órgãos de pesquisa e extensão, onde ouvi e falei aos dirigentes, professores, servidores técnico-administrativos e estudantes, diretamente e a suas associações. Em Lages, no Centro Agro veterinário – CAV, identifiquei a luta pela criação dos cursos de Zootecnia e Engenharia Florestal, e a importância acadêmica e comunitária da valorização florestal e da instalação do Laboratório de Leite. Em Joinville, no Centro Tecnológico – CTJ, além de forte apelo à democratização institucional pela Associação dos Professores, sobressaiu a manifestação das autoridades locais pela intensificação da presença da UDESC nas ações de desenvolvimento regional, como projetos de proteção ambiental, a valorização da bacia do Itapocu e o fortalecimento da Rádio da Universidade. No Centro de Educação – FAED, visitei o prédio em construção e compreendi a urgência de concluí-lo. Recebi o projeto de transformação do antigo prédio da Faculdade de Educação num ambiente avançado de extensão. No Centro de Artes – CEART, saí muito bem impressionado com o vigor e a criatividade docente e discente, suas novas idéias e reivindicações. No prédio de Extensão da UDESC, na antiga ESAG, conheci as políticas de ação alternativa do Núcleo de Apoio Pedagógico e percebi os avanços dos projetos de valorização da cultura afrodescendente. No Centro de Educação Física e Desporto – CEFID, confirmei a excelência dos seus programas acadêmicos. No Centro de Ciências da Administração – ESAG, onde havia lecionado por 18 anos, visitei o Centro Acadêmico e a Empresa Jr, com bons projetos de prática da gestão empresarial. No Centro de Educação à Distância – CEAD, confirmei a elevada qualidade dos seus programas pedagógicos, desde o material didático à organização dos cursos e ao processo de tutoria e avaliação acadêmica. Em todos os locais, anotei algumas das dificuldades e deficiências apontadas, os pedidos de soluções e os anseios comuns pela normalidade institucional.

             Busquei também, desde o início, formar uma equipe de primeira linha para que fizéssemos um trabalho participativo eficaz nesse período de transição, o qual credenciasse os componentes dessa equipe a dar continuidade à gestão da UDESC no futuro. O professor Fernando Fernandes de Aquino, que admirava há muito pela sua importante contribuição ao sistema catarinense de educação e por sua competência e capacidade de trabalho, aceitou exercer a chefia do Gabinete. Com dedicação, amizade, fidelidade à instituição e à minha pessoa, avançou comigo noites a dentro para darmos conta das pilhas diárias de processos administrativos. A professora Elisabete Nunes Anderle, após hesitação inicial, enriqueceu com sua visão, capacidade de análise e experiência extraordinárias o exercício da Pró-Reitoria de Ensino. O professor Dr. Adil Knackfuss trouxe de Lages sua liderança acadêmica como Pró-Reitor de Pesquisa e Desenvolvimento com a missão de melhorar a infraestrutura de apoio à pesquisa e ao desenvolvimento regional. A Professora Dra. Sandra Regina Ramalho e Oliveira, com brilhantismo, energia positiva e entusiasmo, realçou a Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Comunidade. Para a Pró-Reitoria de Administração, acatei a indicação excelente feita pela ESAG do Professor Arlindo Carvalho Rocha, profissional muito experiente, ponderado e habilitado a resolver problemas complexos. Para a Secretaria de Planejamento, fiquei feliz em contar com a dedicação do Professor Jorge de Oliveira Musse, o qual muito me ajudou a compreender a gestão estratégica da UDESC e a estabelecer diretrizes e práticas de ação descentralizadas. Julguei, outrossim, fundamental reforçar o controle interno de gestão da Universidade, enfrentando de forma firme e transparente os diversos problemas operacionais que vinham sendo denunciados pela comunidade interna e externa, ao invés de privilegiar a via judicial e a decisão de gabinete. Para assumir a Controladoria Interna, pude contar com a confiança e o trabalho tenaz e ético do professor José Luiz Fonseca da Silva Filho. No Núcleo de Educação à Distância – CEAD, ponto nevrálgico para superação dos problemas que estavam à origem das dificuldades recentes da Universidade, convidei para sua Coordenação Geral o Professor Hipólito do Vale Pereira Neto, professor com valiosa experiência no Conselho Estadual de Educação, e para a Coordenação Pedagógica a Professora Neli Góes Ribeiro, em reconhecimento à sua pessoa e ao sucesso dos projetos pedagógicos. A eles vieram, nos dias seguintes, somar-se a competente Advogada Tânia Caldeira de Andrade e Silva na Procuradoria Jurídica e o Dr. Alessandro Andrade, pesquisador de destacado mérito acadêmico e administrativo, para intensificar o processo de captação de recursos para a pesquisa e pós-graduação. A equipe, de caráter plural, correspondeu amplamente às expectativas. Costumava dizer que “com um time da tamanha competência, confiança e comprometimento institucional, poderia administrar com sucesso qualquer universidade brasileira”.

               Assim passamos ao enfrentamento dos problemas e à análise e proposição de novos projetos, em audiência com autoridades externas e colaboradores internos. Em respeito à gestão do Reitor José Carlos Cechinel, pagamos normalmente a Folha de Pagamento sem desautorizar atos seus anteriores. Fomos em comissão em audiência ao Secretário do Estado da Administração, Marcos Vieira, a quem levamos vários pleitos de interesse do quadro de pessoal da UDESC e para os quais o Secretário encaminhou as soluções demandadas. Atendendo à reivindicação de Balneário de Camboriú, endossada pelo Deputado Dado Cherem, e às propostas da direção da ESAG, autorizamos a implantação naquela cidade do Curso de Graduação em Gestão Pública, embrião de um centro de formação de excelência na área da administração pública municipal e estadual. Aprofundamos a análise do Projeto Pedagógico de criação do Campus Oeste da UDESC. Autorizamos a continuação do Curso de Pedagogia na modalidade à distância e tomamos várias providências visando sanar os diversos problemas que vinham se agravando, com a formação de déficits orçamentários crescentes e a correspondente dificuldade de honrar compromissos e prazos, inclusive nos cursos oferecidos em outras regiões do país. O Secretário Jacó Anderle buscou agilizar os pagamentos pelo Estado correspondentes à participação dos servidores estaduais nesses cursos.  

                   Fiéis à orientação do Governador Luiz Henrique, procedemos à eleição do Conselho Universitário – CONSUNI e do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade, nos termos do Estatuto da UDESC atualizado pelo Decreto nº 302 de 30 de maio, que estabelecia também os procedimentos para a eleição do Reitor, o qual teria o prazo de 60 (sessenta) dias, a contar de sua posse, para tomar as medidas necessárias para a elaboração de novo Estatuto, Regimento Geral e Plano de Carreira, a serem aprovados pelo CONSUNI. As eleições dos conselhos superiores ocorreram num clima de cordialidade e democracia. A instalação dos conselhos e a posse dos eleitos aconteceram no dia 16 de junho, em sessão aberta e solene no auditório da UDESC. Entendi que esses fatos constituíram um passo importante para a Universidade, que elegera um nível de autoridade autônomo e interno mais amplo do que a autoridade do Reitor e que se colocava diante da possibilidade concreta de eleição democrática dos dirigentes e de formulação autônoma do Estatuto, concluindo aquela fase de transição antes dos 6 meses pré-estabelecidos. Anunciei a nova reunião dos conselhos superiores para o dia 27 de junho, com a finalidade de ultimar o processo de eleição do Reitor e Vice-Reitor e de criar a comissão do novo Estatuto e Regimento Geral. Tomamos também na reunião dos pró-reitores a decisão de apresentar à apreciação dos diretores de Centro, em reunião marcada para o dia 26 de junho, e ao CONSUNI o orçamento aberto do fluxo de caixa e das receitas e despesas projetadas, para, em conjunto, serem definidas as prioridades e as medidas saneadoras que se fizessem necessárias.

          No dia 17 de junho, terça-feira, quando da reunião do Colegiado do Governo do Estado, apresentei ao Governador um relato positivo da evolução havida na UDESC. Ele concordou com a liberação dos recursos para a educação à distância e mostrou-se muito receptivo ao pedido que lhe fiz de destinar à UDESC o Centro de Treinamentos liberado pelo BESC para ali se implantar um Centro de Pesquisa e Extensão, incluindo o terreno vazio anexo, para a expansão da Universidade.

       Pela manhã da quarta-feira, dia 18 de junho, começaram a chegar, porém, os comentários de que o Desembargador Anselmo Cerello havia concedido a liminar requerida pelo Reitor José Carlos Cechinel, anulando o ato de intervenção na UDESC para preservar a Autonomia Universitária. Esse fato veio a se confirmar.

             Não tendo havido sucesso na busca de uma solução acordada com o Reitor José Carlos Cechinel, que a condicionava à suspensão da reunião convocada do CONSUNI, o que eu não aceitava, e também com os representantes dos servidores técnico-administrativos, que haviam interposto Mandado de Segurança em juízo e que exigiam eleição paritária dos dirigentes da Universidade, o que eu igualmente não aceitava, e não tendo havido reversão da liminar, na tarde do dia 26 de junho, após despedir-me de minha equipe de pró-reitores, dei posse, no livro de atas, ao Reitor José Carlos Cechinel, o qual assumiu a direção da UDESC e suspendeu a reunião dos conselhos superiores convocada para o dia seguinte.

Relato feito com base em diário pessoal escrito por mim durante todo o período dos acontecimentos.

Florianópolis, 26 de agosto de 2009.

Antônio Diomário de Queiroz

 

ANÍBAL NUNES PIRES, PROFESSOR ALUNO

ANÍBAL NUNES PIRES, PROFESSOR ALUNO

 A lenda e a imagem de Aníbal Nunes Pires chegaram-me ao conhecimento antes de sua própria pessoa. Quando ingressei como professor no Instituto Estadual de Educação em 1963, Aníbal era percebido como um ícone, assim reverenciado pelos colegas de magistério.

Ele havia se aposentado recentemente do Instituto, e sua áurea de mestre ainda iluminava os ambientes da casa, animando as conversas das pessoas. Jovem professor de Português, ouvi do colega Silveira de Souza as lembranças do Círculo de Arte Moderna e do Grupo Sul. Destacava a liderança na literatura catarinense de Aníbal Pires, lente catedrático de matemática apaixonado por crônicas, contos e poesias.

Em 1965, aprovado no Vestibular, passei a freqüentar o Curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal de Santa Catarina. Naquela época, a matrícula nesse curso assegurava o direito ao registro de professor de Português no Ministério de Educação. Proporcionava-me também o aprendizado do Francês, com excelentes professores, preparando-me para o sonho do doutoramento na França.

Naquele ano, para minha surpresa, Aníbal Pires que já integrava o quadro da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, na condição de professor de literatura brasileira, apresenta-se como aluno e nosso colega de turma nas disciplinas Teoria da Literatura do professor Celestino Sachet e Literatura Portuguesa, da Professora Aurora Goulart. Certamente buscava nos ensinamentos desses dois extraordinários professores a complementação de sua formação em Economia, Direito e Contabilidade e de seu autodidatismo em Literatura. E o interessante é que se comportava em sala de aula como qualquer um de nós. Ajudava a animar o ambiente com suas perguntas, estórias e piadas. Quando as aulas se tornavam pesadas, cochilava. Tratava a gente com carinho e consideração, tendo prazer de filosofar e conversar sobre escritores e livros, avançando nos recreios e finais de aula, sem hora para terminar.

Em 1966, ele reapareceu como auxiliar do Professor Celestino Sachet nas saborosas aulas de Literatura Brasileira, que definia como “a expressão da realidade brasileira através da palavra”. Guardo as anotações dessas aulas. Aníbal, lendo-nos “O Anjo da Noite” de Cecília de Meireles, nos ensinava a crônica – “mensagem de fundo atual versando assunto contemporâneo que com o tempo perde o valor total do sentido”. A partir do Espelho Partido de O Trapicheiro de Marques Rebelo, nos conceituou o conto. Ele não teorizava muito. Pela entonação emotiva e inteligente da leitura, com pausas que davam o tempo para a gente aprender, ia pouco a pouco nos comprometendo de corpo e alma com a literatura.

Bem mais tarde, após ter retornado do doutoramento na França e lotado no Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas da UFSC, recebi um exemplar da Inútil Palavra de Aníbal Nunes Pires, Edições Sanfona. Li suas poesias com prazer e saudades. Marcou-me o Poema Mordaz de seus Três Rumos:

Amigos, sou candidato!

Adeus, amigos;

Fui eleito! 

Em três versos concisos, proporcionou-me uma reflexão profunda sobre a atitude de candidatos e eleitos que tenho levado em consideração por toda a vida.

Aníbal se foi muito cedo. Percebeu nos seus versos Três Aleluias que a morte que o levou era a libertação. Mas nos deixou a Dúvida:

A vida fechou o boteco.

Ai de mim!

Beberei na morte?

 

  Florianópolis, março de 2006

  Antônio Diomário de Queiroz.

 

carta ao governador luiz henrique sobre posse na fapesc

                                                Florianópolis, 7 de março de 2007.

Prezado amigo e Governador Luiz Henrique,

         Eis a memória solicitada de nossa conversa sincera e aberta da última segunda-feira, em nome de uma amizade que vem dos bancos universitários, cultivada pela luta e pelos ideais da Terceira Força e da CEPAL.

    Em 2003, atendendo à sua convocação, assumi a direção da FUNCITEC, convicto de que iria ajudá-lo a ser o primeiro Governador a cumprir a determinação constitucional dos catarinenses, artigo 193, relativa à Ciência e Tecnologia. Se não for o Luiz Henrique, não será mais ninguém a ter essa coragem histórica, raciocinava então e assim me pronunciei no discurso de posse:

         “Esta posse pública no cargo de Diretor Geral da Fundação de Ciência e Tecnologia – FUNCITEC interrompe minha carreira acadêmica de docente e pesquisador nos programas de graduação e de pós-graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina. 

Que forças, que crenças e valores fizeram-me afastar, ao menos temporariamente, de um plano de vida que considerava definitivo e que tanta alegria e satisfação profissional me proporcionava? 

A presença do Governador Luiz Henrique da Silveira à frente do Estado de Santa Catarina, eleito para realizar um governo voltado para o futuro, constitui a primeira razão. Creio na pessoa do Governador Luiz Henrique, que se distinguiu no Ministério da Ciência e da Tecnologia por sua obra sempre admirada nos meios científicos e acadêmicos e que influiu, determinantemente, para a institucionalização dos órgãos e da política de Ciência e Tecnologia em Santa Catarina. Luiz Henrique da Silveira será o primeiro Governador catarinense a honrar o compromisso constitucional de liberar os recursos do art. 193 para a Ciência e a Tecnologia!”.

       Enquanto permaneci Diretor da FUNCITEC (FAPESC), esse sonho foi-se tornando gradativamente realidade, graças ao seu apoio decisivo!

        Em 2003, o relatório do Tribunal de Contas do Estado destacou que os recursos empenhados para cumprir a obrigação constitucional somaram, naquele ano, na FUNCITEC e no FEPA, 29,4 milhões de reais, alcançando 31,37% da obrigação de aplicar 93,7 milhões de reais, o que representou o maior percentual histórico até então realizado em Santa Catarina. Ainda assim, o Tribunal de Contas emitiu recomendação conclusiva determinando ao Estado promover ações visando a aplicação mínima em ciência e tecnologia prevista pela Constituição.        

    Em 2004, foi necessário um trabalho de convencimento muito árduo junto ao Grupo Gestor para preservar os orçamentos da FUNCITEC e do FEPA. O TCE reconheceu aplicação efetiva de apenas 17,7 milhões de reais em ciência e tecnologia, naquele ano, representando 17,36% da obrigação constitucional de R$ 102 milhões. Após análises das contra-razões do Governo do Estado, rejeitou incluir no cálculo as aplicações no custeio da EPAGRI, mantendo a ressalva e a recomendação de aplicação de recursos em ciência e tecnologia no mínimo dos 2% constitucionais..

         Em 2005, coincidindo com minha transferência para a Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia, só se empenharam R$ 19,0 milhões do Orçamento de R$ 68,7 milhões da FAPESC, incluindo a Diretoria de Pesquisa Agropecuária, substituta do FEPA. Paradoxalmente, a Lei Complementar 282 de fevereiro de 2005 e a Lei Complementar Estadual Nº 284, de 28 de fevereiro daquele ano, dispuseram sobre a aplicação conjunta pela FAPESC e EPAGRI da obrigação constitucional do Art. 193, que no ano aumentou para R$ 141,9 milhões.

         Em 2006, para um orçamento anual da FAPESC de R$ 40,0 milhões, foram liberados R$ 12,5 milhões, o suficiente apenas para pagar os compromissos com a RCT, Rede Catarinense de Ciência e Tecnologia, alguns projetos isolados e as despesas operacionais da Fundação. No entanto, contando com a liberação desse orçamento, foram lançados vários editais públicos de pesquisa, autorizados pelo Governador, aumentando o passivo da instituição, além da aprovação de outros projetos e da contrapartida assumida para os programas nacionais.

        Pior situação é a do orçamento de 2007. O orçamento para a FAPESC proposto à Assembléia Legislativa com recursos do Tesouro, e aprovado, é da ordem de 20 milhões de reais, quando a obrigação constitucional de 2% se eleva a R$ 140 milhões.   Mesmo que o Tribunal de Contas do Estado aceite o entendimento de que o orçamento da EPAGRI seja incluído na obrigação constitucional, o Artigo 193 dispõe que, dos recursos da ciência e tecnologia, destine-se metade para a pesquisa agropecuária. Ou seja, não se preservou a outra metade para o orçamento da FAPESC. Esta situação de inconstitucionalidade do Orçamento Estadual foi denunciada ao Ministério Público, onde prospera.        

         Convidado para assumir a Presidência da instituição, é esta, em síntese, amigo Luiz Henrique, a situação encontrada na FAPESC: um passivo da ordem de 46 milhões de reais, para um orçamento de 20 milhões de reais e uma programação orçamentária e financeira autorizada pelo Tesouro de 9 milhões de reais. Teríamos ainda recursos extra-orçamentários de fontes nacionais da ordem de 20 milhões de reais, cuja liberação vem sendo bloqueada pelo não cumprimento da contrapartida estadual da metade desse valor.      

         Esses números me deixam diante de uma missão impossível! Como cumprir o extraordinário programa para a Ciência e Tecnologia, Capítulo 6 do Plano 15? Isso explica o porquê de não haver ainda assumido a Presidência da FAPESC. Por quase dois meses venho buscando uma solução junto às diversas áreas do Governo, com a articulação hábil e competente do Secretário Ivo Carminatti. Mesmo assim, tenho encontrado barreiras intransponíveis tanto ao nível legal quanto administrativo, financeiro e orçamentário.

         Acreditei que, com o Projeto de Lei Complementar de Inovação de Santa Catarina, teríamos encontrado uma solução para o problema, pela criação do Fundo Catarinense para a Ciência, Tecnologia e Inovação, concebido de forma coletiva e com a colaboração entusiástica do Secretário Jean Kuhlmann. A Lei está maravilhosa e vai ser por si só uma das metas muito bem realizadas do seu Plano 15. Mantenho a esperança de que será aprovada com destaque na Reforma Administrativa.

          O diálogo com diversas secretarias ajudou em muito, por suas análises e oportunas observações, a aprimorar o anteprojeto dessa Lei. Porém, sobre a viabilidade do Fundo, as considerações recebidas levaram ao impasse da escolha entre uma alternativa considerada por algumas pessoas proeminentes como inconstitucional e outras alternativas consideradas sem solução financeira e orçamentária. A única esperança seria sua arbitragem e decisão estratégica salvadora.

       Para não me alongar demasiadamente, prezado amigo Luiz Henrique, gostaria de reafirmar-lhe que a coisa mais importante que gostaria de fazer na vida continua sendo ajudar a torná-lo o primeiro Governador de Santa Catarina a cumprir a vontade dos catarinenses expressa no artigo 193 da Constituição e confirmada nas urnas por sua eleição e reeleição. Mas para isso preciso de condições de trabalho compatíveis com o desafio da missão. São elas:

  • Revisão do orçamento anual da FAPESC de 2007 para pelo menos 1% da obrigação constitucional, ou seja, R$ 70 milhões de reais, com programação orçamentária e financeira compatível, que permita honrar os compromissos da FAPESC, após aprofundado exame de sua pertinência, pagar as contrapartidas dos recursos federais e assegurar a realização do Plano 15.

  • Aumentar o orçamento anual para 1,5% em 2008 e 2% em 2009, incluindo nesse percentual os valores efetivamente alocados para a pesquisa agropecuária, via FAPESC e EPAGRI.

  • Assegurar a efetiva autonomia de gestão administrativa e financeira da FAPESC, inclusive na escolha dos dirigentes, sob sua pessoal orientação.

  • Aprovar a Lei Catarinense de Inovação junto com a Reforma Administrativa proposta à Assembléia Legislativa, afirmando o Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação.

    Com estas condições atendidas, valerá a pena sacrificar novamente a família e toda a vida pessoal, em função do coletivo. Estou convencido de que cada centavo será muito bem aproveitado a favor do futuro de Santa Catarina. Um país que padece tanto das injustiças sociais, decorrentes de seu passado, precisa afirmar as esperanças em governantes, como Você, que são capazes de construir um mundo melhor. E garanto que os recursos aplicados vão se multiplicar, não só pelas contrapartidas dos agentes financiadores, dos empresários e das instituições educacionais, mas sobretudo pela criação de riqueza e de qualidade de vida que a ciência, a pesquisa e a inovação proporcionam.

Com toda estima e admiração,

                                               Diomário Queiroz.

 

Subsídios para entrevista do senador Luiz Henrique no MCTI

Subsídios para entrevista do Senador Luiz Henrique no MCTI

Prezado amigo Luiz Henrique, eis os subsídios solicitados:

  1. Há concordância entre as pessoas consultadas* de que o objeto principal da audiência seja a Emenda Parlamentar da Bancada Catarinense (31R$ milhões) para apoio aos projetos (Parques, Polos, Centros de Inovação e outros) doInova@SC, da SDS. Há o reconhecimento unânime da importância da sua liderança pessoal para que a mesma fosse aprovada.

  2. No âmbito da ACATE, o Presidente Rui Gonçalves está apoiando alguns projetos do Inova@SC por meio do I3Instituto Internacional de Inovação, criado para ser o agente de inovação das empresas a partir de parcerias internacionais. Falta credenciar-se no CATI, a nível nacional, solicitando ajuda nesse sentido. O Instituto abriga a cooperação com a França, em parceria com a École Nationale de Saint Etienne, e está organizando um Workshop de Inovação em Microeletrônica, a realizar-se em Florianópolis, em outubro,19, dia da inovação. O SEBRAE assegurou R$ 200.000,00 para sua realização, sendo necessários novos apoios. Deverá estar presente o Professor Robert Germinet para reanimar a iniciativa da criação do sonhado Centro de Eletrônica. Conta a favor o bem sucedido projeto de desenvolvimento do chip flexível orgânico com aplicações na área médica, em parceria com a UFSC, coordenado pela Dra. Janice Koepp e que necessita de novo aporte financeiro para sua continuidade. 

  3. Ainda no âmbito da ACATE, estão sendo desenvolvidos outros projetos que merecem apoio e poderiam ser referência para programas do MCTI a nível nacional, como o Geração TEC,que está capacitando 3000 técnicos em várias regiões de SC, a partir de mapeamento dos recursos humanos de 765 empresas de base tecnológica; o projeto Juro Zero, realizado com apoio da Finep, que alavancou o crescimento de 39 empresas catarinenses de base tecnológica e que mereceria ser retomado por aquela agência financiadora; o Pólo de Games, que requer apoio sistêmico para consolidar-se como  

  4. NaFundação CERTI, o Professor Schneider destaca dois projetos de grande importância para Santa Catarina, em fase avançada de análise, que dependem de decisões jurídicas do MCTI: o Labelectron Nucleador e o aporte, via FINEP, de recursos para formação de Fundo de Investimento de Seed/Venture Capital para empresas de SC.

  5. Também foi a Fundação CERTI nominada pelo Ministro Mercadante como um próximo integrante do EMBRAPII, programa de apoio à inovação nas empresas por meio de ICTIs, na linha do sonhado modelo de financiamento de base. A Fundação coordena outrossim projetos  da Rede de Inovação Eletrônica para Produtos e da Rede de Serviços Tecnológicos em Metal Mecânica, de caráter nacional, do SIBRATEC. Nesse Programa a SOCIESC coordena projetos na área de serviços e extensão tecnológica. Esses programas precisam ser fortalecidos e agilizados. 

  6. Vários outros projetos de muita importância para o Estado e o País estão sendo liderados pela Fundação CERTI e poderiam ser exponencializados pelo apoio do MCTI: o Centro de Farmacologia Pré-Clínica localizado no Sapiens Parque assume a etapa fundamental da viabilização da produção de fármacos no Brasil e será o âncora do cluster  de Life Science; Terras Raras e Prótesesprecisam ser acionados; o sucesso do Sinapse da inovação e sua metodologia, com criação de centenas de pequenas empresas inovadoras catarinenses, poderia ser referência para um programa nacional dessa natureza.

  7. O Sinapse da Inovação é operacionalizado por meio da Para o Presidente Sérgio Gargioni, a destinação ao programa de um lote de 200 bolsas tipo RHAE, para contemplar os 100 projetos da edição deste ano, teria uma repercussão extraordinária para a alavancagem dessas empresas, conforme experiências anteriores bem sucedidas. Por outro lado, a Fundação aguarda a conclusão do acordo FINEP e FAPs para operar a modalidade subvenção, que tão bons resultados alcançou em Santa Catarina por meio do PAPPE. A Fundação continua também convicta da importância do projeto CLIMASUL apresentado ao MCTI para articular e fortalecer sistema regional de prevenção às catástrofes naturais, abrangendo os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, num sistema modelo para o Brasil.

  8. Em relação ao Sapiens Parque, além da fundamental liberação da Emenda Parlamentar de SC que viabilizará soluções importantes de infraestrutura física urbanística, o MCTI poderá dar um grande impulso e apoio se direcionar recursos do CTInfra,Subvenção e Fundos Setoriais para projetos de Institutos Tecnológicos instalados nesses Parques Tecnológicos. Também seria urgente a liberação dos recursos do Edital de Apoio a Parques Tecnológicos lançado pela Finep ao final de 2010 e fortalecer e ampliar esse tipo de iniciativa.

  9. Na Federação das Indústrias de Santa Catarina, oPresidente Glauco Corte anunciou a Inovação Tecnológica como questão estratégica e prioritária. Pelo Instituto Euvaldo Lódi, o Presidente Natalino Uggioni prioriza a aprovação e liberação de recursos da ordem de R$ 5 milhões para fortalecimento da plataforma de inovação nas empresas de tecnologias de informação e comunicação de SC, o PLATIC 2012-2014, encaminhado à Presidência da FINEP. E igualmente considera fundamental a continuidade do PRONIT, para assegurar a conclusão da rede de NITs do Estado.

  10. Há ainda importantes projetos e iniciativas que poderiam ser priorizados pelo MCTI, dentre as quais se mencionam: implementação dos dispositivos da Lei de Inovação, no âmbito nacional, estadual e municipal, em esforço coordenado pelo Ministério; descontingenciamento dos fundos setoriais para CT, inclusive Fust e Funtel; regionalização do sistema nacional de CT&I e reforço institucional das

Eis, caro Luiz Henrique, em 10 itens, alguns subsídios. Sua experiência e seu faro político das oportunidades saberá selecionar o que seja cabível na audiência.

Contactei também o Professor Rubão da ENA. Estava na Alemanha articulando novos cursos. A Secretaria da Fazenda tem assegurado o custeio da Escola, pela Fonte 240, com recursos gerados por seus próprios cursos. Agradecem a sua ajuda para normalizar a situação.

Rui Gonçalves e os demais líderes com quem falei colocam-se à disposição para fornecer todos os elementos de informação que Você precisar em Brasília e teriam prazer de recebê-lo em Florianópolis para mostrar seus projetos ou conversar sobre políticas e programas e projetos de CT&I, inclusive reunindo os pequenos empresários desta área.

Espero ter atendido ao seu telefonema e me coloco à sua disposição, com um grande abraço, Diomário.

Florianópolis,  6 de fevereiro de 2012.

Pessoas Consultadas: Carlos Alberto Schneider,

José Eduardo Fiates, Rui Gonçalves, Sérgio Gargioni, Natalino Uggionni, Rubens de Oliveira

 

OPENING CEREMONY POLYMER PROCESSING SOCIETY

OPENING CEREMONY

POLYMER PROCESSING SOCIETY (PPS) 2004

Prof. Dr. Antônio Diomário de Queiroz

Diretor Geral da FUNCITEC

Ladies and Gentlemen,

In Santa Catarina, the role of FUNCITEC is to promote scientific and technological development by means of sponsoring research and integration of the scientific institutions, business corporations, government and society. In this way we salute the fact the Polymer Processing Society 2004 Americas Regional Meeting is being held in Florianópolis. We salute the best specialists and engineers worldwide in the field of polymer processing, representing the industrial and academic areas. We hope that the interchange of information, the scientific works and the technical discussions lead to a suitable environment for arising important innovations for the economical and social development.

The process of academic expansion in Santa Catarina is being led by policies of education, science and technology aiming to support the programs of regional development in a new model of decentralization. The universities integrate with the economical and social agents through the Regional Development Councils settled all around the State. FUNCITEC joins this process of development providing access to the Internet through the state network of science and technology. It supports the actions of research, community extension and innovation, by means of several programs towards the enhancement of the potentialities of the local productive arrangements.

The age of information, by intensifying the communication process among people worldwide, incorporates the concept of innovation in conjunction with science and technology. Innovation is the convergence of the history of several people and organizations towards a solution of future. We understand that the public policies of Science, Technology and Innovation constitute the support for the dynamic of the process of economical and social development with fair distribution of income and social inclusion. With this understanding the Brazilian National Congress is approving the New Law of Innovation. This Law aims to encourage the joint action of academic institutions and business corporations in order to create and disseminate the scientific and technological novelties in favor of the improvement of the quality of life of the population. This fact points out how opportune it is the PPS 2004 Americas Regional Meeting to being held in Florianópolis. And it highlights how welcome to Brazil would be the world event in 2007. In case it will be held Florianópolis in 2007, we can anticipate from now the state government support to the event.

Obrigado!

 

DISCURSO DE POSSE funcitec

DISCURSO DE POSSE
FUNDAÇÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA – FUNCITEC
ESTADO DE SANTA CATARINA
ANTÔNIO DIOMÁRIO DE QUEIROZ
FLORIANÓPOLIS, 06 DE FEVEREIRO DE 2003 

Exmo. Sr. Governador Luiz Henrique da Silveira

Exmo. Sr. Secretário de Estado da Educação e Inovação de Santa Catarina, Professor Jacó Anderle

Exmas autoridades…..(inclusive Presidente do CRC, Juarez Carneiro)

Magníficos Reitores

Digníssimos Srs. Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação

Digníssimo Sr. Diretor de Pesquisa e Inovação da Secretaria do Estado de Educação e Inovação, Dr. Lauro Wittmann

Ilustríssimos Srs. membros do Conselho Superior da FUNCITEC

Ilustríssimo Sr PauloLuna, Diretor Geral da FUNCITEC no exercício findo. (e o corpo de pessoas da FUNCITEC)

Ilustríssimos Srs. Diretores da SBPC, do Fórum de Ciência e Tecnologia de todos os órgãos relacionados à ciência e à tecnologia

Prezados professores e pesquisadores, (destacar Stemmer e Sílvio Coelho dos Santos)

Prezados acadêmicos de graduação e pós-graduação

Prezados servidores técnicos e administrativos atuantes na área de ciência e tecnologia

Queridos familiares (destacar Maike) e amigas e amigos

Senhoras e Senhores 

Esta posse pública no cargo de Diretor Geral da Fundação de Ciência e Tecnologia-FUNCITEC interrompe minha carreira acadêmica de docente e pesquisador nos programas de graduação e de pós-graduação em Engenharia de Produção e Sistemas da Universidade Federal de Santa Catarina.

Que forças, que crenças e valores fizeram-me afastar, ao menos temporariamente, de um plano de vida que considerava definitivo e que tanta alegria e satisfação profissional me proporcionava?

A presença do Governador Luiz Henrique da Silveira à frente do Estado de Santa Catarina, eleito para realizar um governo voltado para o futuro, constitui a primeira razão. Creio na pessoa do Governador Luiz Henrique, que se distinguiu no Ministério da Ciência e da Tecnologia por sua obra sempre admirada nos meios científicos e acadêmicos e que influiu, determinantemente, para a institucionalização dos órgãos e da política de Ciência e Tecnologia em Santa Catarina. Luiz Henrique da Silveira será o primeiro Governador catarinense a honrar o compromisso constitucional de liberar os recursos do art. 193 para a Ciência e a Tecnologia!

Creio, igualmente, na pessoa do Professor Jacó Anderle, Secretário de Estado da Educação e Inovação, ao qual se vincula a FUNCITEC. Ele é referência ética, político sensível e habilidoso, sempre coerente na defesa da cidadania e de condições dignas de vida para todas as pessoas. O convite formulado por intermédio do Professor Jacó Anderle para compor sua equipe de trabalho avalizou-me a convicção de que poderia conduzir a FUNCITEC na direção da prioridade social. No médio e longo prazos, somente ações e programas de governo alicerçados em pesquisas científicas e tecnológicas e na valorização das potencialidades regionais resultará na justa inclusão social em nosso país.

Essa condição, encontrei-a consubstanciada no Plano de Ciência, Tecnologia e Inovação, bem como no respectivo Orçamento aprovado pela Assembléia Legislativa, que traduzem a proposta do Plano 15 de Governo com suas características e prioridades eleitas pela sociedade catarinense. O relatório do Grupo de Trabalho de transição, coordenado pelo competente professor Dr. Neri dos Santos, consolidou meu convencimento de que é possível neste governo realizar um trabalho sério e participativo, respaldado e aprimorado por todas as instituições e pessoas que vivem a educação, a ciência e a tecnologia.

Acredito profundamente no poder que têm essas pessoas e instituições de transformar o mundo para melhor. Convivendo no cotidiano do ensino, da pesquisa e da extensão universitária, sei quanto os professores, pesquisadores, alunos e servidores se preparam para construir esse novo mundo. E sei também quantas frustrações estão abafadas em suas almas, pelos sucessivos arrochos orçamentários a que estão sendo submetidos, pelo descaso e desrespeito ao seu trabalho, pelo excesso de burocracia, pela falta de transparência e de continuidade na liberação dos parcos recursos que vêm sendo destinados à pesquisa.

Percebo que existe em nosso país um amplo espaço de oportunidades para todos que queiram trabalhar pela educação, ciência e tecnologia. É preciso somar esforços, dinamizar o valioso patrimônio humano de mais de 1000 doutores e 3000 mestres trabalhando em Santa Catarina, racionalizar a utilização dos recursos disponíveis, criar condições para a ação integrada e multidisciplinar, promover a utilização das novas tecnologias da comunicação e da informação na modernização do Estado e no aprimoramento de processos que agreguem valor aos produtos. Todas as universidades, por definição, e pelo princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, merecem ser apoiadas para que atinjam a plenitude dessas funções e para que cumpram sua vocação regional.

Enfim, vive-se no Brasil e em Santa Catarina o momento da esperança. Para que essa esperança se transforme em ações e programas de solução efetiva dos problemas sociais que nos afligem é preciso que cada um dê um pouco de si, que cada um faça a sua parte.

Por essas razões, por essas crenças e valores, e pelo tempo em que perdurar a confiança que me atribuem os dignos governantes de Santa Catarina e que me respalda a comunidade acadêmica, retorno ao exercício da administração superior em ciência e tecnologia, cônscio das responsabilidades, dos desafios, dos sacrifícios, do árduo trabalho e das novas alegrias que isso significa.

Ouso voltar porque sei que não estou sozinho. Tomam posse hoje ao meu lado dois excelentes profissionais identificados aos princípios que enunciei, o Dr. Edgar Augusto Lanzer na função de Diretor Técnico Científico e o Engenheiro e Administrador Vladimir Álvaro Piacentini, como Diretor Administrativo. Na FUNCITEC fui apresentado a um quadro de pessoas que me causou excelente impressão. Em minha família encontro sempre o amor que renova as energias. Em Deus, a tranquilidade interior. E a presença amiga, neste ato, de tantas pessoas dispostas a colaborar, ávidas que aflorem as condições motivadoras do trabalho, reforça minha certeza de que poderemos dar um avanço substantivo nas contribuições de grande valor que realizaram todos os nossos antecessores nesta área de Ciência e Tecnologia em Santa Catarina.

O Plano de Ciência e Tecnologia do Governador Luiz Henrique da Silveira prevê algumas ações motivadoras que se pretende implementar desde os primeiros meses: o lançamento de um Edital Universal para contemplar a demanda espontânea em todas as áreas do conhecimento; ampliação do número de escolas atendidas pela Rede Catarinense de Ciência e Tecnologia; lançamento do plano de implantação de dois Parques de Inovação para Promoção do Desenvolvimento Regional; lançamento de um programa de apoio à Pesquisa e Desenvolvimento em arranjos e cadeias produtivas de áreas estratégicas. Contempla também várias outras ações específicas e estruturantes de Ciência e Tecnologia, articuladas com diversas instituições e outras áreas de governo. Esse Plano oferece uma plataforma básica para a ação da FUNCITEC. Certamente, porém, ouvindo as sugestões dos poderes constituídos, do Conselho Superior da Fundação, dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento, das universidades e de todas aquelas pessoas e instituições que se proponham a compartilhar responsabilidades, será possível o constante aprimoramento coletivo da política de ciência, tecnologia e inovação do atual governo catarinense.

Fiel aos princípios do pluralismo e do respeito mútuo, estou aberto a críticas e sugestões. Convido a todos que queiram trabalhar a favor da Ciência e da Tecnologia, para, juntos, superarmos as grandes dificuldades e limitações que nos cerceiam. Não gostaria, porém, de suscitar falsas expectativas.

Assim sendo, concluo este discurso com uma única promessa: no exercício das funções de Diretor Geral da FUNCITEC prometo que todas as minhas decisões e que todos os meus atos serão pautados exclusivamente pelos mais elevados propósitos da Ciência e da Tecnologia e pela promoção do desenvolvimento social em Santa Catarina.

                         Disse.