A IMPORTÂNCIA DAS ESCOLAS CATÓLICAS

A IMPORTÂNCIA DAS ESCOLAS CATÓLICAS

Numa época que exige dos cidadãos e das organizações cultivar permanente atitude de flexibilidade e adaptabilidade às mudanças, em que as dimensões de tempo e espaço se tornam virtuais, o caráter das pessoas, sua espiritualidade, seu comportamento ético e moral constituem o que há de mais confiável para fazer face aos riscos e incertezas.
Em todas as organizações, quando as estratégias se assentam em sólidos princípios, crenças e valores, a efetividade no longo prazo é favorecida. As pessoas gostam de ser livres e respeitadas. Elas se comprometem com o futuro quando percebem identidade de propósitos e virtudes na visão dos líderes que justifiquem a convergência de ações.
A essência moral preserva-se na voz interior do ser humano. Nos momentos mais difíceis da vida, quando tudo parece desabar, quando mesmo pais, irmãos, esposos e esposas, e os melhores amigos se encontram ausentes para aconselhar, ou divergem orientações, é a voz transcendente de Deus gravada indelével nos corações que diz onde está o certo e onde o errado. É lícito estar em desacordo com todo o mundo; não se pode é viver em desacordo consigo mesmo.
No cotidiano, as pessoas convivem, porém, com a valsa das éticas diferenciadas das relações sociais. As organizações tentam impor crenças e valores, muitas vezes conflitantes, aos cidadãos. A superação desse conflito, preservando o equilíbrio emocional e a felicidade, exige muita clareza a respeito dessas crenças e valores, além de coragem e firmeza de opção. Essas atitudes se adquirem pela educação. Desde a primeira infância as crianças desenvolvem sua capacidade para a fé e sua confiança nos semelhantes como necessidade vital. As marcas da educação são para a vida toda.
A educação católica proporcionou-me sólida aquisição de valores humanos para a convivência na sociedade plural contemporânea em permanente transformação. A construção moral ditada pela vida de Cristo constitui-se num sistema de formação integral que ajuda a compreender e superar as limitações de nossa condição humana pela percepção da transcendência de Deus feito homem. Pela caridade, esperança, justiça social, paz, amor ao próximo, bondade, e outros valores cristãos que preparam para a liderança, o trabalho e a cidadania, afirma-se a cultura do espírito.
Fui alfabetizado pela irmã Firmina no Colégio Cristo Rei das irmãzinhas da Imaculada Conceição em Joaçaba, numa relação estimulante de ensino e aprendizagem que me levou rápido ao letramento. No Ginásio Frei Rogério, nessa mesma cidade, concluí os estudos fundamentais com os irmãos maristas. O irmão Nicanor foi meu ídolo naquela fase escolar: alegre, nos ensinava a cantar com entusiasmo; organizou um teatrinho para a turma angariar os meios de uma viagem cultural na formatura; tirava a batina para jogar futebol; alimentava longas conversas de otimismo sobre o futuro do Brasil. Ele foi o primeiro professor que vi educar bem mais do que instruir. No Colégio Santo Antônio de Blumenau, onde concluí o científico com os franciscanos, solidifiquei a disciplina e os bons hábitos de aprender. Frei Odorico Durieux constitui a imagem do excelente professor: culto, idealista, amigo, criou a Academia Monte Alverne de oratória e nos impulsionava com alegria para a perfeição, ensinando com prazer em nível elevado para nos desafiar a também levantar vôo.
De todos esses anos de escola católica, só guardo boas recordações. Sinto-me formado para o bem, para o respeito aos outros, para a crença na dignidade humana, para a prática das virtudes sociais e para o abrigo da espiritualidade. Nessa escola, mesmo nas aulas de ensino religioso prevaleceu o respeito à liberdade de crenças, sem proselitismo. É confiando nessa vivência que, com convicção, quando Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, construímos o Templo Ecumênico na Praça da Cidadania. E neste ano, no exercício da Secretaria de Educação Ciência e Tecnologia do Estado de Santa Catarina, estendemos a prática do ensino religioso como opção de todas as escolas públicas estaduais de educação básica.

Florianópolis, março de 2006.
Antônio Diomário de Queiroz.

SANTOS E PECADORES: COMUNICAÇÃO VERSUS CRISE NA ERA DA INFORMAÇÃO

SANTOS E PECADORES: COMUNICAÇÃO VERSUS CRISE NA ERA DA INFORMAÇÃO (DIGITAL)
DE ARTEMIO REINALDO DE SOUZA

PREFÁCIO DE ANTÔNIO DIOMÁRIO DE QUEIROZ

Quando Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, de 1992 a 1996, vivi um momento muito rico do processo de comunicação social. As novas tecnologias da comunicação e da informação, com as suas poderosas ferramentas, chegavam com todas as forças na universidade, provocando mudanças profundas nos métodos e nas práticas da imprensa universitária. A presença do computador tornava obsoleto o uso das máquinas de datilografia e rompia o canal até então privilegiado do telégrafo e do fax, para trazer e levar notícias sob o controle rigoroso da Reitoria. A internet viabilizava a publicidade e a transparência dos atos dos gestores públicos, ampliando o universo de pessoas com acesso às informações desses atos a uma velocidade virtual, próxima do instantâneo.
Percebi essas condições como uma oportunidade de afirmação da política de comunicação social da UFSC, no contexto de uma nova cultura organizacional, pautada nos princípios da liberdade, do pluralismo ideológico, do respeito mútuo e da abertura da instituição para a sociedade.
Tornava-se necessário superar o conceito herdado de assessoria de imprensa, órgão subordinado ao Reitor com a função restrita de divulgar seus projetos, programas e planos de trabalho. Foi então criada a AGECOM, uma agência de comunicação independente, como órgão suplementar da universidade.
A AGECOM, além de dar continuidade à assessoria de imprensa ao Reitor, passava a conduzir a política de comunicação em suas múltiplas funções. Considerou-se o Jornal Universitário espaço aberto à expressão livre de todos. Fortaleceu-se o jornalismo científico. Facilitou-se o acesso externo dos órgãos de imprensa à informação produzida na universidade. Assegurou-se à Agência toda a infraestrutura avançada de comunicação para que pudesse utilizá-la com autonomia.
Artemio Reinaldo de Souza, neste livro, apresenta elementos conceituais e críticos importantes para a compreensão daquele momento vivido. E o faz com o olhar de hoje e com a qualidade acadêmica de sua dissertação de mestrado em Engenharia de Produção “A assessoria de imprensa e as novas tecnologias: a comunicação integrada como ferramenta de gestão da imagem organizacional”. Tem o mérito de realçar, ao longo do tempo, o conflito das possibilidades democráticas do novo processo de comunicação, em seu leque ampliado de funções, com as crises continuadas das instituições públicas, que se fecham em seus próprios espaços e corporativismos.
O autor enfatiza os novos paradigmas da comunicação, a eficácia difusora do jornalismo e a recente integração em rede das pessoas e das organizações. A comunicação passou a ser percebida como a base das interações cooperativas das pessoas e do processo de ensino-aprendizagem. Sua ação se torna indissociável da estratégia de comunicação.
Artêmio destaca, ao final, o direito à informação que invocam os cidadãos e os reflexos que isso significa para a gestão pública. Propõe então o conceito de comunicação social integrada para reforçar o conhecimento e o entendimento da sociedade sobre o papel e a importância da instituição.

Florianópolis, março de 2006.

Antônio Diomário de Queiroz.