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DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO DO TIGRE, MUNICÍPIO DE JOAÇABA/SC por Elfride Anrain Lindner e Rodney Moss, em conjunto com Daniel Poletto Tesser

DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO DO TIGRE, MUNICÍPIO DE JOAÇABA/SC

PREFÁCIO

 Uma das primeiras e mais lindas lembranças que guardo da infância são os banhos com meu pai, e depois com meus amigos, no Rio do Tigre, nos fundos de nossa casa na Avenida Rio Branco. Nas suas águas límpidas pescávamos jundiás, lambaris e cascudos que faziam a festa em nossa vida de crianças. Lembro-me também com saudades dos acampamentos de escoteiro aventurando em direção às nascentes selvagens do rio.
 Ao retornar adulto à cidade, causou-me forte emoção a imagem completamente desfigurada do Rio do Tigre, com o mau odor que não encontrava registros em minha memória. Lamentei publicamente esse estado de degradação. E na UNOESC usei-o como exemplo da atitude colonizadora de exploração dos recursos naturais, como se fossem inesgotáveis, sem qualquer cuidado de preservação, o que leva os sistemas físicos e sociais à destruição e à miséria.
 Por outro lado, manifestei a crença profunda de que a educação, a ciência e a tecnologia, por meio da pesquisa e da extensão universitária, constituem a melhor alternativa de enfrentamento e superação desse tipo de problema. A crítica, a boa vontade e a consciência coletiva não são por si sós suficientes para intervir e solucionar a situação indesejada. A sistematização de dados e informações cria a base de conhecimentos indispensável para a  transição da lógica nefasta da exploração para a lógica harmônica da valorização dos recursos naturais e das pessoas.
 Com muita satisfação, soube da iniciativa dos professores Elfride Anrain Lindner e Rodney Moss, em conjunto com Daniel Poletto Tesser e o apoio dos estudantes, de submeterem à Fapesc projeto de pesquisa com o objetivo de realizar a análise ambiental da Bacia Hidrográfica do Rio do Tigre, assegurada a contrapartida financeira da UNOESC. Aprovado o projeto com todos os méritos, foi concluído e se publicam agora alguns dos seus resultados.
 Utilizando-se de avançadas técnicas e metodologias científicas, foi constituído valioso banco de dados e de informações, incluindo mapas digitais temáticos visando, primordialmente, as intervenções necessárias para a recuperação da qualidade das águas da Bacia, como suporte ao trabalho do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe.
Os resultados da pesquisa têm, no entanto, um alcance social muito mais amplo. Aprofundou-se o conhecimento local sobre o valor da Bacia do Rio do Tigre, localizada inteiramente no Município de Joaçaba, com notícias até surpreendentes: sua extensão territorial de 87 km2 (8.698,9 ha.) está a metade coberta por florestas, mais de um terço por florestas nativas! Há 78 rios contribuintes da Bacia, numa malha hidrológica muito densa,  fluindo por altitude que chega a ultrapassar 1.000 metros! E somente 2,08 % dessa área encontra-se em estado de degradação. O estudo identifica todo o uso real do solo e aponta diversas prioridades para a solução dos problemas existentes.

A revelação sistematizada das dimensões privilegiadas da Bacia do Rio do Tigre vai certamente motivar a valorização social desse extraordinário patrimônio. A água é o bem mais estratégico do milênio que adentramos. As florestas são percebidas como excelente oportunidade de lazer e experiências na nova economia. Programas de educação básica poderão agregar questões locais.  As políticas públicas de saneamento, ocupação do solo, agricultura, dentre outras, e as decisões de investir do setor privado serão mais bem amparadas por informações consistentes. A universidade se sentirá motivada a outros projetos inovadores de pesquisa e extensão.   Tudo isso se traduzirá em políticas de trabalho e renda que assegurem a melhoria da qualidade de vida a todos os joaçabenses num processo de desenvolvimento duradouro e sustentável.
Que a publicação deste trabalho contribua também a aumentar o amor pelo Rio do Tigre. A gente ama e preserva mais aquilo que conhece melhor.

     Joaçaba, novembro de 2006.

               Antônio Diomário de Queiroz, Dr

O MUNDO, A AMÉRICA DO SUL, O BRASIL EM 2022: METAS DO BICENTENÁRIO por Samuel Pinheiro Guimarães

O MUNDO, A AMÉRICA DO SUL, O BRASIL EM 2022: METAS DO BICENTENÁRIO.

Samuel Pinheiro Guimarães – Versão Preliminar, junho de 2010

Algumas considerações de Antônio Diomário de Queiroz.

Considerações Gerais
  
 No seu conjunto o trabalho está bem estruturado e redigido de forma correta e clara, proporcionando, de forma sucinta e agradável de ler, uma visão prospectiva do futuro do Brasil, até 2022, data do bicentenário de sua independência política, posicionando-o em relação à América do Sul e ao Mundo. Eventuais contribuições à sua versão final restringem-se a indicar algumas lacunas e alguns pontos que poderiam ser objeto de análise mais aprofundada, conforme abaixo especificado.

O Mundo

Neste primeiro texto, são estas as considerações:

• No item 1, a ideia do povo como dono do Estado brasileiro vincula-se a um conceito de propriedade objeto de muitos questionamentos, desde o Contrato Social de Rousseau. Sendo o Estado a organização do Poder na sociedade, é esta relação de propriedade que o define?

• Nos itens 2 a 8, concordo que refletem a tendência a se realizar, mas caberia ampliar um parágrafo sobre a alternativa de se criar uma nova ordem mundial em função do agravamento da crise do sistema capitalista.

• No item 9, quando se identificam as grandes tendências do sistema internacional, teria acrescentado algumas, tais como:

1. a emergência do conceito de inovação, que permeia todo o processo  de educação e transformação científica e tecnológica, com o surgimento das novas tecnologias da informação, e que, na nova economia do conhecimento, passou a ser fundamental para a competitividade das empresas, para o fortalecimento das instituições e para o desenvolvimento econômico sustentável dos países, inclusive o Brasil, cuja política industrial e de comércio exterior também se fundamenta  na inovação;

2. as mudanças climáticas e os desastres naturais decorrentes, bem como seus efeitos econômicos sobre a agricultura, a escassez de alimentos, o controle da natalidade, os movimentos migratórios e a mobilização da Defesa Civil a nível local e internacional;

3. a água, como fator estratégico e escasso no mundo, abundante no Brasil, e sua utilização;

4. a emergência da sociedade em redes, com a universalização dos processos de comunicação instantânea e a formação crescente das redes sociais e das redes de empresas transnacionais, com descentralização espacial de seus centros de competência, pesquisa e desenvolvimento;

5. na questão ambiental-energética, a emergência de novas formas de energia, como o hidrogênio e de energias limpas como as decorrentes das novas tecnologias do carvão;

6. a difusão do acesso à educação, em todos os níveis, como base de sustentação do desenvolvimento regional equilibrado;

7. a permanência ou agravamento da crise financeira internacional, a partir da estrutura de capital debilitada dos Estados Unidos;

8. o fortalecimento e as novas responsabilidades mundiais dos BRICs.

Algumas dessas questões poderiam ser melhor trabalhadas nos itens que se seguem do trabalho apresentado.

• Nos itens 10 a 16 caberiam as considerações já mencionadas sobre a inovação, a economia em redes e a universalização da internet em banda larga; atenuaria também a afirmação do item 15 relativa à correlação direta entre progresso científico e concentração de poder de toda ordem, quando o acesso às bases de dados e informações que fluem pelas redes amplia também o acesso ao conhecimento e, por conseguinte, ao poder e à vida de qualidade;

• Nos itens 17 a 24 observaria as limitações naturais e tecnológicas existentes para que haja a transição da matriz energética baseada no carbono para outra com base em fontes renováveis de energia, havendo necessidade de incluir as potencialidades da energia nuclear e do hidrogênio;

• Nos itens 25 a 28 incluiria, também, alguma análise sobre o agravamento da pobreza nos países do centro do sistema mundial, EEUU e Europa;

• Nos itens 29 a 33 mencionaria os fluxos migratórios decorrentes do agravamento das mudanças climáticas e a necessidade do estabelecimento de uma ordem mundial mais justa, de acordo com os princípios universais dos direitos do homem, com remuneração igual, para igual trabalho, no conjunto dos países;

• Nos itens 34 a 36 é possível considerar a hipótese de que as redes complexas de unidades produtivas cada vez mais transcendem aos territórios em que se localizam, assumindo caráter transnacional, independente de onde se situam suas sedes;

• Nos itens 37 a 54, não vejo como o Brasil possa deixar de se incorporar aos blocos de países “de forma parcial”.

A América do Sul
 Neste segundo texto, são estas as considerações:

• No item 1 a primeira frase poderia ser simplificada para: “A América do Sul é a região onde nos encontramos.”

• No item 2 destacaria positivamente o papel que as novas tecnologias de informação e comunicação podem exercer para facilitar a integração regional embora todas sejam tecnologicamente dependentes;

• No item 6 o catolicismo é igualmente dominante no Brasil e não percebo porque o seja em especial nos países hispânicos;

• No item 8 não creio existirem bases objetivas para classificar a América do Sul como “o continente mais desigual do planeta”; (E a Ásia?)

• No item 10 considero a agricultura familiar “na maioria das vezes” de baixa produtividade e que a análise desse tema poderia ser aprofundada;

• Nos itens 14, 17, 21 e outros, mencionar a influência norte-americana e não americana, quando se referir aos EEUU;

• Nos itens 22 e 23, ao invés de focar sobre Espanha e China, preferiria uma análise com enfoque continental, Europa e Ásia, pois me parece muito simplificador excluir a influência histórica de Portugal e também a presença crescente de outras economias européias, Alemanha, França, Itália, Noruega e, além da China, Japão, Coréia, Índia, por exemplo;

• Compactaria os itens 27 e 28;

• No item 36 pode-se realmente atribuir à Venezuela a liderança do movimento bolivariano, sobretudo se o considerarmos do ponto de vista histórico?

• No item 38 não caberia mencionar o papel da coordenação política da OEA na Guerra das Malvinas?

• No item 41, ao explicar as causas históricas do paradoxo do continente extremamente rico e população com níveis extraordinários de pobreza, considero que Portugal e Espanha se situavam dentre os países mais desenvolvidos do mundo à época dos descobrimentos e nos períodos iniciais da colonização, com sistemas de controle administrativo muito eficientes, e que não estiveram à margem do Renascimento e do Iluminismo;

• No item 42 caberia alguma observação sobre o endividamento internacional a juros variáveis que está à base da elevadíssima (e injusta?) dívida;

• No item 43 incluiria alguma menção ao populismo dos movimentos políticos latino-americanos e à descaracterização ideológica e programática dos partidos políticos;

• No item 55 excluiria a expressão “quer se queira ou não”;

• No item 56 destacaria os esforços para a implantação de ferrovias, rodovias e outras infraestruturas e programas de desenvolvimento de natureza trans-oceânica;

• Para o conjunto desta parte, abriria um espaço bem mais amplo para educação, ciência e tecnologia, enfatizando a necessidade de ampliar a cooperação inter-universitária regional, com base nos cursos e programas de excelência existentes nas universidades dos diversos países e em laboratórios e institutos de pesquisa de nível de excelência internacional, revertendo um histórico de cooperação internacional dos países sul-americanos isoladamente concentrado com os países europeus e com os EEUU.

O Brasil – Metas do Bicentenário.

 Neste terceiro texto, são estas as considerações:

• Nos itens 1 e 2, pareceu-me haver alguma inconsistência entre “Estado ainda mais soberano” e “Estado plenamente soberano”, sendo esta última a opção que prevaleceu nos itens seguintes, de maneira ufanista, excessivamente idealizada, sem maiores fundamentos, embora concorde que “O Brasil em 2022 deixará de ser um dos países mais desiguais do mundo”;

• Item 11 será que em 2022 “todos os brasileiros se sentirão seguros em seus lares e nas ruas das cidades” ?

• No item 18 a matriz de transporte também me parece por demais idealizada, pois observa-se uma tensão social crescente em função do ritmo dissonante dos investimentos nacionais em infraestrutura nos diversos meios de transporte e o aumento exponencial da sua demanda pela população.

• Itens 20, 21 e seguintes: caberia explicitar melhor algumas questões, como, por exemplo, o saneamento básico, a matriz energética, incluindo as potencialidades do pré-sal e os programas de valorização do carvão mineral, a educação, analisando a expansão da educação infantil e da profissionalizante, a interiorização e diversificação da educação superior, a inovação e os setores estratégicos da política nacional de industrialização e exportação, as reformas política e tributária e a transição para um novo tipo de governo menos burocratizado;

Enfim, como destacado pelo autor, não foram definidas as metas para alguns setores de atividade. Mas, neste caso, é de se perguntar se, para o escopo deste trabalho, é necessário chegar-se ao nível de definição dessas metas, o que caberia na formulação de um plano de governo. Considero que o trabalho avançou muito bem no campo das idéias, que contribui em muito para a reflexão estratégica do futuro do Brasil, e que bastaria, ao final, exemplificar com algumas metas indicativas de nosso potencial em relação à América do Sul e ao Mundo.

Reitero que minhas observações as faço exclusivamente a título de contribuição, em respeito à qualidade do trabalho e ao reconhecimento de sua importância. 
               Florianópolis, 15 de agosto de 2010
  
     Antônio Diomário de Queiroz.

Pétalas ao Vento, Sonetos de Carmen Rejane Cella

Pétalas ao Vento
Sonetos de Carmen Rejane Cella

Apresentação
Antônio Diomário de Queiroz

 Pela rede internet fluíram até meu coração os sonetos de Carmen Rejane Cella. Suas pétalas despertaram emoções e às vezes pude sentir sua fragrância e ouvir as vibrações e os sons que emanam. São canções de amor: os encantos, a paixão, a sedução, as secretas juras, sua tessitura em filigranas, pactos, lembranças e saudades, urgências, sonhos e desejos, fingimentos e mágoas, fragmentos de dor, cativo sentimento que compõe uma sinfonia secreta, no compasso dos versos.
 Escritos por Carmen Cella no formato inglês ou italiano (sendo um apenas monostrófico), seus sonetos apresentam a expressão singela da poetisa, que não abdica da “vontade de amar a todo o momento”, e ao mesmo tempo culta da doutora em mídia e conhecimento, imortal da Academia de Letras do Brasil. Em sua maturidade de mulher fascinante, a autora se desinibe para alcançar em alguns poemas o lirismo erótico e em outros, revelando os sonhos de loba, a travessia do amor nas asas do tempo onde as rimas se entrelaçam.
 O cenário de flores e perfumes embeleza toda a obra. Os sonetos surgem ao longo do caminho florido da felicidade. “O carrossel de emoções me torna numa flor que se transforma” declama Carmen Cella: “Sou pólen de flor macerada, sou do paraíso tua outra jornada”. Sua inspiração se transveste em folhas outonais para fruição da perene beleza da vida.
 A leitura dos sonetos ora publicados proporcionará aos leitores, certamente, momentos ímpares de poesia e emoção, uma ocasião para compartilhar o romantismo universal das baladas provençais dos cancioneiros.
Carmen Rejane Cella se projeta no seleto espaço antológico dos sonetistas catarinenses.

    Florianópolis, março de 2015.
    
 

CASPAR ERICH STEMMER por Arno Blass

Livro:  CASPAR ERICH STEMMER
Administração, ciência e tecnologia
Parecer para publicação Pela Editora da UFSC
De: Antônio Diomário de Queiroz
       Florianópolis, 20 de março de 2015
  Sr. Presidente da EDUFSC, Prof. Fábio Luiz Lopes da Silva,
Senhores Conselheiros,

 Recebi, com satisfação, “para análise e parecer com vistas à possível publicação pela Editora da UFSC”, o livro escrito por Arno Blass sobre ERICH CASPAR STEMMER, Administração, ciência e tecnologia.
 Conheço bem este livro para o qual contribuí com alguns comentários acerca da pessoa do biografado. Por várias vezes o li e consultei ao longo dos últimos anos. Considero que é um livro excelente, muito bem elaborado pelo Dr. Arno Blass, rico e preciso em informações bem documentadas, intenso de fatos e relatos das realizações do Professor Stemmer, da sua personalidade ímpar e da sua contribuição inovadora para a formulação conceitual da universidade brasileira.
 Somos um país de pouca memória escrita, mormente com a competência alcançada pelo Dr. Arno Blass. E vivemos um momento histórico em que se torna muito oportuno reforçar as lembranças relacionadas à esplêndida obra de construção da Universidade Federal de Santa Catarina, seus propósitos e fundamentos, que a tornaram líder do processo de afirmação do Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento catarinense.
 O Professor Stemmer emerge como um forte pilar de sustentação de todo esse processo, com amplo reconhecimento local, nacional e internacional. Por conseguinte, emito parecer totalmente favorável à republicação pela Editora da UFSC da obra que retrata sua vida.
 À guisa de sugestão, proponho oferecer ao Professor Arno Blass a oportunidade de escrever as complementações que julgar necessárias ao texto original, ou quiçá, de adicionar um capítulo relatando os últimos feitos do Professor Caspar Erich Stemmer e de incluir recentes homenagens como a instituição do Prêmio Stemmer de Inovação pela FAPESC e o título post morten de Cidadão Catarinense outorgado pela Assembleia Legislativa.
Atenciosamente,
  

MISTÉRIOS PERENES de Álvaro Wandelli Filho

MISTÉRIOS PERENES
O poeta e escritor Álvaro Wandelli Filho que, em seu Sonho de Menino,
“ansiava tanto por asas e ventos
no cume da montanha,
voa agora sobre quintais,
na rútila espiral
duma aérea corrente.”
Seus versos afloraram quando jovem acadêmico de Direito da UFSC. Participou então de grupos literários e do movimento cultural Primado da Juventude, publicando assiduamente, em prosa e verso, no suplemento literário semanal do Jornal O Estado. Foi premiado pela Academia Catarinense de Letras pela monografia sobre a vida e obra de Cruz e Souza e pelo poema “A hora da Consciência”.
Bacharel em Direito, viveu intensa carreira profissional de sucesso, como Advogado, Promotor de Justiça, Juiz e Desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, tendo sido honrado por Comenda do Mérito do Poder Judiciário pelos relevantes serviços prestados. Com vasta experiência jurídica, lecionou na Escola Superior da Magistratura de Santa Catarina e é autor do ensaio “Ciência Holística, Direito e Misticismo”. Publicou também o ensaio “Salvemos Nosso Lar Planetário” sobre a questão ambiental, com a sabedoria de quem iniciara sua vida profissional como Meteorologista.
Tão intensas obrigações laborais postergaram o voo poético de Álvaro Wandelli. Alguns poemas emergem em 2011, publicados nas “Faces Contemporâneas da Poesia Brasileira” e na Antologia “Psicopoético 25”. E os demais poemas, que vinha armazenando no convívio amoroso com sua musa Ondina Doin Vieira, foram editados em 2013 no livro “A Casa da Solidão”, neles transparecendo, como diz o autor, “uma tendência mística e de mistério”.
Essa tendência se aprofunda agora nos Mistérios Perenes, quando o autor libera o melhor titã dos que habitam sua alma, como revela no poema A Fonte Cristalina:
“No rumo do sagrado,
venho ajustar os vetores do tempo,
achar o campo de claridade
que é todo o meu pensamento.
Mesma frequência de luz,
alquimia e sonho,
no Eu cristalino entrarei
para me recriar”.
O leitor encontrará nos poemas ora publicados a beleza e a lírica da inspiração poética do autor, mantida intacta ao longo da vida, valorizada pela sabedoria das suas meditações filosóficas e do conhecimento que adquiriu das escolas de mistérios do Oriente, da Atlântida e dos impérios indígenas da América Latina.
Florianópolis, outubro de 2016.
Antônio Diomário de Queiroz.