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Discurso Cidadão Honorário do Município de Antônio Carlos

Exmo. Sr. Prefeito Municipal de Antônio Carlos, Sr. Ari João Martendal e Sr. Vice-Prefeito, Geraldo Pauli
Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Antônio Carlos, Vereador Silvério
Petri
Ilmo. Pe. Alfredo Yunkes, MD representante do Bispo Auxiliar de Florianópolis, Dom Vítus Schlikmann
Prezada Vice Reitora da UFSC, Nilcéa Lemos Pelandré e Pró-reitores Júlio Wiggers e Mário Bittencourt
llmo. Vereador Ivens Antônio Scherer, Propositor do Decreto Legislativo n° 36/95 de concessão do Título de Cidadão Honorário de Antônio Carlos
Senhores Vereadores, Senhores Secretários Municipais
Querida esposa Maike e queridos familiares e amigos
Senhoras e Senhores,

Desde a infância, uma das sábias lições que aprendi de meu pai Alexandre Muniz de Queiroz foi a de jamais esperar a gratidão ou o reconhecimento. Diomário, dizia-me ele “faça o bem, sem ver a quem e sem esperar reconhecimento ou gratidão, pois quando vêm, com frequência, só depois da morte.” E assim me eduquei na vida.

Por esta razão, quando o reconhecimento surge de maneira tão generosa e inesperada, na forma do Título de Cidadão Honorário do Município de Antônio Carlos, por ato magnânimo da Câmara Municipal, em honroso Decreto Legislativo, venho recebê-lo alegre e feliz nesta sessão solene em que se comemora o Trigésimo Aniversário da Instalação do Poder Legislativo Municipal. E meus sentimentos, certamente correspondem aos de Don Vitus Schlikmann Roetger, por sua vida de humildade cristã, capaz igualmente de apreciar a sublimidade rara de momentos como este, em que se é homenageado por uma comunidade digna, valorosa, trabalhadora e de tradições tão belas, como o é a do Município de Antônio Carlos. Apraz-me, a partir de hoje, assumir a sua cidadania.

Ao mesmo tempo, porém, externo publicamente a consciência de que os méritos da homenagem que se faz em meu nome se devem à Universidade Federal de Santa Catarina, a seus professores, alunos e servidores que ao exercerem com competência sua função social e de integração foram o efetivo “agente do grande projeto que contempla o Município de Antônio Carlos com o Plano Diretor que possibilitará a consolidação e expansão urbana, a articulação de usos e fluxo de bens, serviços e pessoas, os espaços privados e abertos para uso comum”, na correta expressão da justificativa do Vereador Ivens Antônio Scherer, que motivou a concessão do título.
 Assim, expresso especialmente ao Professor Ivo Sostisso, coordenador desse projeto, a admiração pelo cumprimento exemplar de suas funções, solicitando-lhe estender esses cumprimentos ao Departamento de Geociências, ao programa de pós-graduação em Geografia, ao Centro de Filosofia em Ciências Humanas e especialmente a todos os integrantes da sua equipe de trabalho, incluindo os técnicos que asseguraram o apoio do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis.

Infiro também que Don Vitus Schlikmann, independentemente dos valores pessoais tão fecundamente dedicados à comunidade de Antônio Carlos na função de Reitor e Professor do Seminário “participando efetivamente de todas as ações político-sócio-econômicas do Município, destacando-se sua atuação direta na dragagem do Rio Biguaçú, a implantação da Rede de Energia Elétrica e o apoio substancial à agricultura” como expôs com justiça o Vereador Ivens Antônio Scherer na sua justificativa da outorga do título, enquanto sacerdote compartilha com prazer os méritos da honraria com seus irmãos do Seminário e da Igreja Católica.

Identifico dentre as razões para honorar-me e a Don Vitus com a cidadania do Município de Antônio Carlos um traço comum em nossas biografias e personalidades: o desejo profundo de servir ao próximo e a determinação para liderar pessoas e organizações a favor do social, do bem comum, da felicidade. Foi este, sem dúvidas, o sonho apostólico de Don Vitus. E esta a força maior, o referente íntimo que conduz todas as decisões e ações da minha vida, o compromisso primeiro no exercício da reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina.

Assim, luto pela universidade aberta, solidária, que, pela ação social, transfere conhecimentos às comunidades, contribuindo, por um processo de desenvolvimento humano sustentável, a combater a situação de fome e de miséria e a proporcionar a melhoria da qualidade da vida para todos. É por esta concepção de universidade que foi elaborado o Plano Diretor de Antônio Carlos, envolvendo prefeitos, vereadores e líderes comunitários num trabalho sistematizado de discussão e gestão democrática do desenvolvimento urbano da cidade. 

Em caráter pessoal e no de Don Vítus Schlikmann, cabe,  finalmente, agradecer a toda a população de Antônio Carlos, nas pessoas do competente, amigo e dinâmico Prefeito do Município, Sr. Ari João Martendal, do ilustre Presidente da Câmara Municipal, Vereador Silvério Petri, de todos os dignos vereadores e, com ênfase, do estimado Vereador Ivens Antônio Scherer pela sua lembrança de nossos nomes para figurar na galeria restrita de cidadãos honorários desta cidade. Na condição de antoniocarlenses, sentimo-nos emocionalmente ligados à sua população e motivados, em quaisquer funções que exercemos ou que venhamos a exercer, a continuar atuando em benefício deste encantador Município, para corresponder ao título que hoje se incorpora ao nosso currículo.

Muito obrigado.

(Discurso proferido por Antônio Diomário de Queiroz, em 15 de novembro de 1995, por ocasião da concessão do título de cidadão honorário de Antônio Carlos, em sessão solene nesse Município, em nome pessoal e de Don Vítus Schlikmann).

Discurso de Posse na Reitoria da UFSC

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

Exmo. Sr. Ministro da Educação,

Tomo posse, neste ato, pelas mãos dignas de Vossa Excelência, do cargo de Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina.

Assim o faço, com plena consciência das responsabilidades que assumo, juntamente com a Vice-Reitora, NILCÉA LEMOS PELANDRÉ, e os demais membros da comunidade universitária que comporão nossa equipe de trabalho.

Sabemos da importância da missão que nos é delegada, de dirigir, por quatro anos, uma das mais destacadas unidades do sistema brasileiro de educação superior, em consonância com as políticas e diretrizes lideradas por Vossa Excelência. Aceitamos somar nossos esforços para, em conjunto, fazer avançar, no Brasil, a educação básica e o ensino superior, a nível de graduação e de pós-graduação, na direção da competência e da qualidade. Isto só será possível , se situarmos o ensino no contexto da pesquisa, da extensão, da cultura e da liberdade.

É plena, também, nossa consciência de que, em administração, toda
responsabilidade, para ser efetiva, deva acompanhar-se do grau correspondente de autoridade. Isto é, responderemos integralmente pela responsabilidade de nossos atos, mas precisamos ter asseguradas as condições indispensáveis pana o exercício das funções que nos são confiadas!

Em Florianópolis, temos convicção de haver reunido estas condições básicas. Contamos com o respaldo da comunidade universitária e da comunidade catarinense para nossa proposta de trabalho.  Estabelecemos firme compromisso a favor da universidade de qualidade, pública, autônoma e gratuita, aberta à comunidade externa, nacional e internacional.  Expressamos claros princípios e diretrizes de ação, e a determinação política de proceder as necessárias mudanças estruturais, num motivado ambiente de trabalho de professores, servidores técnicos administrativos e estudantes.

Necessitamos, outrossim, a nível federal, de boas condições de gestão. Gostaríamos de estabelecer relações sérias de convivência. Queremos ser submetidos à rigorosa avaliação institucional de resultados. Para tanto, são pressupostos, dentre outros, a liberação oportuna, para a universidade, dos recursos orçamentários aprovados pelo Congresso Nacional, em valores suficientes para custeio e investimento; uma política justa de pessoal e de salários; a vitalização do sistema nacional de apoio à ciência e tecnologia; o exercício correto da autonomia universitária constitucional.

Exmo.  Sr.  Ministro,

Nós assumimos a Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina porque mantemos o otimismo e a esperança no Brasil! Acreditamos ter chegado ao ponto de mutação descrito por FRITJOF CAPRA,  em que,  após um período de decadência, surge um movimento natural a favor da introdução do novo no sistema educacional brasileiro. Temos certeza de que este sistema, sob a direção de Vossa Excelência, saberá aproveitar, da melhor maneira possível, este momento histórico.

De nossa parte, nos harmonizaremos com este movimento, num processo de repensar para mudar, que conduzirá toda a nossa futura gestão.

Solicitamos a Vossa Excelência que encaminhe ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República nosso reconhecimento pelo ato de nomeação. Reconhecimento que estendemos a Vossa Excelência e a toda sua equipe de trabalho,  pela confiança que nos é atribuída.

Disse!

Discurso proferido pelo Magnífico Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Professor Antônio Diomário de Queiroz, a 23 de abril de 1992, por ocasião da cerimônia de posse, perante o Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado de Educação, Prof. José Goldemberg, em Brasília.

CIDADÃO HONORÁRIO JOAÇABENSE – 2007

EXMO. SR. PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE JOAÇABA, VEREADOR ADEMIR LUIZ RIGHI
EXMO. SR. PREFEITO MUNICIPAL ARMINDO HARO NETTO
EXMO. SR. SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DE JOAÇABA, JORGE DRESCH, NESTE ATO REPRESENTANDO O EXCELENTÍSSIMO SR. GOVERNADOR LHS
EXMO. SR. DEPUTADO ESTADUAL JORGINHO MELLO, NESTE ATO REPRESENTANDO A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA
EXMOS. SRS. VEREADORES ,
EXMO. SR. VEREADOR LICENCIADO ELÓI HOLFELDER, GERENTE REGIONAL DA CELESC, A QUEM AGRADEÇO POR TER SIDO O PROPONENTE DESTA HOMENAGEM
PREZADO AMIGO JOÃO CARLOS BORDIN
EXMA. SRA. CONSULESA DA ÁUSTRIA ANNA LINDNER VON PICHLER
MAGNÍFICO REITOR DA UNOESC, DR. ARISTIDES CIMADON
DIGNAS AUTORIDADES
QUERIDOS FAMILIARES E AMIGOS DA FAPESC
QUERIDAS AMIGAS E QUERIDOS AMIGOS DE JOAÇABA

Saúdo, inicialmente, a memória de minha mãe Dulce Fernandes de Queiroz e de meu pai Alexandre Muniz de Queiroz, cidadão joaçabense falecido no dia 23 do mês passado. Ele deixou codicilo escrito no qual me fez testamenteiro de suas últimas vontades, dentre elas a de ser cremado e suas cinzas “jogadas no rio Tigre, em Joaçaba, no fundo da casa que foi nossa, onde os quatro mais velhos (Maria Perpétua, Antônio Diomário, Enéas Jeremias e Luiz Lafaiete) tomavam banho e pescavam.”
Essa última vontade de papai liberta a minha mais antiga lembrança de vida: a sensação de imensa alegria de estar com ele, nadando no rio Tigre, em sua garupa. E abre o baú das reminiscências de um guri e jovem que viveu muito feliz em Joaçaba, como atestam as imagens a seguir projetadas.

Senhoras e Senhores,

Não localizei o registro fotográfico de mil outras maravilhosas recordações que guardo de Joaçaba: os trigais maduros até nos canteiros centrais da cidade, quando abrigou a Festa Nacional do Trigo; o orgulho de todos quando, no mandato de Udilo Antônio Coppi, foi o Município reconhecido como um dos mais progressistas do país; os pirulitos de açúcar vermelho comprados no seu Kempa aos domingos de manhã após a missa e que manchavam minhas roupas brancas de linho para desespero da mamãe; elas eram também manchadas pelas amorinhas guardadas no bolso, colhidas à beira do Rio do Peixe na casa de Tio José e tia Dirce, em Herval do Oeste, onde esperávamos a chegada sempre atrasada dos trens misto e direto, o espetáculo dos circos, as fogueiras das festas de São João. Como eram boas as matinês na rádio, animadas pelo Parafuso, as festas de barraquinha com as músicas das bandas tirolesas, os passeios de toda a cidade ao final de domingo até o conviver no cinema com as emoções do mesmo filme!
Essas e muitíssimas outras lembranças estão indelevelmente gravadas em minha mente e em meu coração! É por esta razão que tenho a clareza de que meu caráter, a parte mais importante de minha personalidade, foi forjado em Joaçaba. Herdei a alegria, o otimismo, as boas maneiras, o brasileirismo da cultura baiana de papai. Aprendi a disciplina, a perseverança, a confiança profunda na educação e na religiosidade, o sacrifício pela busca do ideal, com a cultura germânica e portuguesa de minha mãe. Acrescentei a esses valores a percepção clara da importância da tecnologia, das inovações e do empreendedorismo para a realização na vida, ouvindo diariamente o som das máquinas e dos apitos das fábricas de Joaçaba e a música dos rádios que embalava o trabalho na terra: “Vamos plantar milho, plantar com devoção, plantando milho tem fartura a gente sempre tem o pão. Plantando milho tem fartura a gente sempre tem o pão.”

Foi na convivência com a cultura alemã, tirolesa e italiana de meus amigos joaçabenses, que aprendi a respeitar a diversidade e a compreender que é na aceitação da diferença e no reconhecimento mútuo que afloram as oportunidades para todos e a afirmação de cada individualidade.

Foi nesse amálgama de vivência plural, que consegui assimilar os três valores principais e comuns a essas culturas: honestidade de princípios, trabalho competente e dedicado, bondade do coração. É o que me permite dormir com a consciência tranquila, decidir em relações complexas de conflitos humanos, selecionar com êxito amigos e pessoas.

Ainda hoje, quando venho a Joaçaba, sinto profundas emoções, que se transformam em vibrações físicas de prazer, desde o reencontro com as paisagens dos campos de Lages e Campos Novos e os contornos ondulados da Serra Geral.  Sendo assim, sempre me considerei joaçabense, e em todas as funções que exerci procurei atender aos amigos joaçabenses com especial atenção. Mas permanecia a consciência de que para ser joaçabense em plenitude, faltava-me ou o nascimento, já ocorrido em Boa Nova, Bahia, ou a outorga do título de joaçabense pela cidade, por intermédio desta Câmara Municipal.
É o que se faz nesta sessão solene!
Muito Obrigado!!

CIDADÃO HONORÁRIO DE FLORIANÓPOLIS – 1999

Tendo estabelecido raízes de duas gerações em Florianópolis, pelo nascimento dos filhos e do primeiro neto nesta bela cidade, sinto-me feliz em receber o título de Cidadão Honorário outorgado pela Câmara Municipal por proposição da vereadora Lia Carmen Kleine. Esta inesperada homenagem sensibiliza-me especialmente por amar Florianópolis desde criança. Quando estudante de Direito nos anos sessenta, encantei-me definitivamente pela magia de sua natureza, cultura e tradições. Posteriormente, a dinâmica do  desenvolvimento urbano  me abriu as oportunidades de realização profissional, e fiz morada num de seus sítios maravilhosos, Santo Antônio de Lisboa.

Foi sempre como cidadão apaixonado pela  cidade que procurei retribuir à generosidade do abrigo recebido, com trabalho dedicado ao bem público.

O magistério proporcionou-me a ventura de compartilhar com milhares de concidadãos o processo de enriquecimento intelectual e de capacitação para a vida. No Instituto Estadual de Educação, no Colégio Catarinense, na Escola de Formação de Oficiais e na Escola Superior da Polícia Militar, na Escola Superior de Administração e Gerência – ESAG, e na Universidade Federal de Santa Catarina, busquei, como professor, contribuir para a valorização das pessoas. Continuo no Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas da UFSC a construir uma carreira acadêmica de ensino e pesquisa.
Nos cargos  técnicos, de assessoramento e de direção ocupados nas Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. – CELESC, no Banco de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina S.A. – BADESC,  no Grupo USATI – PORTOBELLO e na Universidade Federal de Santa Catarina, sem jamais perder de vista  os elevados propósitos institucionais e os interesses de toda a gente catarinense, alegravam-me as oportunidades surgidas de corresponder também aos anseios da população de Florianópolis.

Certamente foi na função de Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina que se ampliou a visibilidade das decisões e dos atos em benefício dos municípios, inclusive da Capital. O compromisso fundamental com uma universidade aberta à sociedade consubstanciou-se em diversas realizações importantes de nossa gestão. Dentre outras, cito  a ampliação dos serviços gratuitos do Hospital Universitário, a instalação da Maternidade Universitária, a implantação do Fórum Judiciário da UFSC que proporciona acesso à justiça aos cidadãos de baixa renda, a ampliação da Biblioteca Universitária e a parceria na constituição da TV Anhatomirim. Pelo programa de humanização do câmpus, abriu-se à comunidade a Praça da Cidadania, bonito e agradável passeio público com obras de arte como o mosaico de Rodrigo de Haro sobre a criação latino-americana, abrigando o Templo Ecumênico e o Centro de Cultura e Extensão.  A preservação para a pesquisa e a educação ecológica de mais de 1,2% da Ilha de Santa Catarina foi assegurada pela formação da Unidade de Conservação Ambiental Desterro. O apoio ao turismo regional foi prestigiado pelo apoio ao Fórum Permanente do Turismo da Grande Florianópolis e ao projeto das fortalezas históricas, incluindo a iluminação elétrica da Ilha de Anhatomirim.

Da janela do escritório olho para a linda paisagem que se descortina. Vejo o verde florido da floresta atlântica, a mansidão do mar que aguarda o pôr do sol radiante, os contornos do Cambirela sobressaindo-se dos morros do continente, o vôo dos pássaros contra o céu azul. Aspiro profundamente o puro ar marinho que me traz o vento Nordeste e deixo vibrarem todos os sentimentos bons que compõem o privilégio de ser cidadão de Florianópolis.

      Florianópolis, 22 de março de 1999

            Antônio Diomário de Queiroz.

Posse na Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado de Santa Catarina, 2005

DISCURSO DE POSSE
SECRETARIA DO ESTADO DA EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
ANTÔNIO DIOMÁRIO DE QUEIROZ
FLORIANÓPOLIS, 26 DE JULHO DE 2005

Exmo. Sr. Governador Luiz Henrique da Silveira, prezado amigo que me buscou no “doce exílio acadêmico” e preencheu minha biografia de extraordinários desafios e missões, como o de dirigir a Secretaria do Estado da Educação, Ciência e Tecnologia.
Exmas. autoridades,
Magníficos Reitores,
Queridos familiares, amigas e amigos,
Senhoras e Senhores,

Aceito, lado a lado com a professora Elisabeth Anderle, este novo e extraordinário desafio de dirigir a Secretaria do Estado da Educação, Ciência e Tecnologia, sem a pretensão de vir a substituir o saudoso e querido professor Jacó Anderle.
Viemos para dar continuidade ao seu trabalho, para consolidar o avanço na direção que ele apontou: a construção de um sistema  de educação de qualidade para todos os catarinenses, integrado e articulado em todas as modalidades de ensino, num processo de aprendizagem aberto e comprometido com o social, no qual, mais do que instruir se educa o cidadão, estimulando sua criatividade e seu espírito crítico, no contexto da pesquisa e das relações comunitárias, para construir uma vida e um mundo melhores.
Como é bom poder dar continuidade a um programa de governo, num país carente de referências exemplares e da estabilidade institucional e de valores!
Como é tranquilo assumir novas responsabilidades, quando se mantêm sólidas as crenças e a confiança nos princípios e na prática política avançada de nossas lideranças maiores!
Como é gratificante integrar uma equipe de governo compromissada com a gestão democrática, com o respeito à coisa pública e a todas as pessoas, trabalhando de forma extremamente devotada e inovadora para superar a herança nefasta da injusta distribuição social de renda e dos entraves burocráticos de uma organização pública tradicional em permanente crise.

Tenho a profunda convicção de que somente a educação, ciência, tecnologia e inovação podem promover a geração dos conhecimentos necessários ao estabelecimento de uma nova ordem política e de um processo duradouro de desenvolvimento harmônico com a natureza. Por isso dimensiono com clareza a imensa responsabilidade que me está sendo delegada de liderar e coordenar o sistema de educação, ciência e tecnologia em Santa Catarina, composto de instituições tão proeminentes como o Conselho Estadual de Educação, a Universidade para o Desenvolvimento de Santa Catarina, a Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica de Santa Catarina, a Fundação Catarinense de Educação Especial e o Instituto Estadual de Educação. Essas instituições se articulam com o restante do sistema educacional no Fórum Catarinense da Educação Superior que tem contribuído para dar direcionamento estratégico à educação em nosso Estado. Para articular as ações de pesquisa e inovação dos agentes econômicos e sociais catarinenses foi ainda criado o Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação que nos caberá implementar brevemente.
Sou-lhe, pois, muito grato, senhor Governador, por me designar para esta nova missão que procurarei exercer com fidelidade e com o melhor dos desempenhos para que dignifique a minha biografia e corresponda à sua confiança.
Agradeço-lhe pessoalmente, e à sua esposa Ivete, pelo exemplo cotidiano de incansável trabalho, honradez e espírito público, o que energiza os nossos ânimos, mesmo nas horas das maiores dificuldades.
Agradeço a todas as lideranças políticas e a todos os colegas de governo que avalizam a indicação de nosso nome e nos oferecem o suporte indispensável para o trabalho cotidiano conjunto.
Agradeço a todos os amigos, colegas e familiares que têm sido tão generosos em estímulos, amor e carinho, o que é fundamental para que possa manter o equilíbrio da alma indispensável para enfrentar problemas com alegria e serenidade.
Confiando nas bênçãos de Deus, compartilhando os ideais de Jacó Anderle, contando com o firme apoio de Elisabeth Anderle, dos competentes diretores e gestores e de milhares de colegas professores comprometidos com a educação, prioridade das prioridades do governo Luiz Henrique da Silveira e Eduardo Pinho Moreira, e como educador há mais de 40 anos, concluo estas palavras com o pensamento e o coração voltados aos estudantes, crianças e jovens que constituem a razão de ser de nosso trabalho.
A eles especialmente, extensivo a todos os catarinenses, reitero, no exercício das novas funções, a promessa pública que fiz ao aceitar vir para o governo:
prometo que todas as minhas decisões e que todos os meus atos serão pautados exclusivamente pelos mais elevados propósitos da Educação, da Ciência e da Tecnologia e pela promoção do desenvolvimento social em Santa Catarina.
Disse.

Discurso de renúncia sapiens parque

Discurso de renúncia de Antônio Diomário de Queiroz ao Conselho de Administração da Sapiens Parque S/A.
Florianópolis, 19 de agosto de 2016.
(…)¹
A relação com a administração anterior da Universidade tomou o rumo desejado e se acertou o convênio existente entre as instituições e a retomada dos investimentos da Universidade no Sapiens Parque. Inclusive a minha presença neste Conselho era para segurar o lugar para a presença do Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, já que a Reitora Roselane não aceitava essa ideia por se sentir legalmente impedida.
Está ocorrendo hoje o fato inverso ao do momento de minha entrada: a Universidade está procurando com vários projetos a presença no Sapiens Parque, e, em função desta delicada situação financeira, não tenho conseguido sequer dar as condições para a entrada desses novos projetos da Universidade. Assim, também, ao projeto de saneamento do Rio do Braz e de toda a macro bacia do Norte da Ilha com propostas de pesquisadores do Rio Grande do Sul avalizadas pelos pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina que, estou convencido e plenamente convencido, apresentam alternativas para solucionar todos esses problemas ambientais, inclusive os de Santo Antônio de Lisboa que tem toda rede de saneamento e esgoto construída há mais de 10 anos sem solução porque as subestações tradicionais não oferecem soluções que possam ser aceitas pela população local. (…)²
De outro lado, tenho participado do empenho extraordinário liderado pelo nosso Presidente Saulo para solucionar as necessidades de financiamento do Sapiens Parque, de sua luta para o convencimento de que havia realmente um compromisso de integralização de capital por parte do Estado, que inicialmente era negado, cuja integralização jamais ocorreu.
O empenho do Secretário Murilo Flores viabilizou ao Sapiens 3,5 milhões de reais ao final do ano passado com recursos oriundos de sua própria Secretaria, mas desse total recebemos apenas 1 milhão e duzentos mil e o restante dos recursos se perdeu em áreas que não são aquelas das necessidades da Ciência e Tecnologia e especificamente as do Sapiens Parque. Se aquele dinheiro houvesse sido liberado integralmente não estaríamos hoje nesta condição.
De outro lado, impulsionados pela necessidade, nossos diretores, liderados pelo Fiates, abriram dois processos de venda de terrenos através de licitação pública, que a crise do país inviabiliza. Embora houvesse interesse dos empresários, a crise tira a tranquilidade para novos investimentos imobiliários no Sapiens Parque.
A terceira licitação, que está sendo trabalhada em novo edital, mesmo que venha a ter sucesso, não conseguirá resolver os problemas de curto prazo para a sobrevivência da própria instituição.
A Fundação CERTI é que normalmente nos salvava dessas necessidades de curto prazo. Até hoje, todos sabem que a Fundação CERTI antecipava os recursos na esperança de um retorno que não teve. Por outro lado, com a situação crítica do país, e sendo membro do Conselho Consultivo da Fundação CERTI, tenho acompanhado o esforço extraordinário liderado pelo Prof. Schneider, e agora pelo Dr. Fiates, para superar a condição de crise e garantir a continuidade da própria instituição inclusive a direção do Sapiens Parque e os investimentos da Fundação CERTI. Mas efetivamente, ou a CERTI sobrevive ou socorre o Sapiens Parque. A própria sobrevivência e sucesso da Fundação CERTI é fundamental para o sucesso e o futuro do Sapiens Parque.
Outra fonte que nos socorria no curto prazo, em vários momentos e de forma extraordinária, era a FAPESC! E acontece que a FAPESC hoje não tem como apoiar projetos de 50 ou 100 mil reais que seja, porque está se cometendo um crime contra o futuro do nosso Estado e o futuro da nossa cidade por não se viabilizar o compromisso constitucional da Lei da Inovação de aplicar os 2% das receitas liquidas do Estado na área de Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento sustentável de Santa Catarina. Ao contrário, os orçamentos da FAPESC chegaram a um nível crítico. Por ter sido Presidente da FAPESC por vários anos, sei que jamais alcançamos tão baixo volume de recursos durante toda nossa gestão. É outra fonte alternativa de financiamento que se esvaiu!
Ciente dessas dificuldades, como membro da Diretoria do Sapiens e deste Conselho de Administração, e percebendo o esforço do Presidente Saulo de liderar uma alternativa de solução junto ao Estado, e também as frustrações das promessas não cumpridas, tive o cuidado de alertar o Presidente da Federação das Indústrias, o amigo Glauco Corte, sobre a importância que tem o setor empresarial para salvar os investimentos no Sapiens Parque, pois vem inclusive antecipando recursos, como os alocados pela Softplan, para viabilizar a sua decisão de ali se instalar, destacando-se a decisão da Federação das Indústrias de implantação do Instituto de Inovação em Sistemas Embarcados e a Escola do Futuro do SENAI. Alertei o Presidente da Fiesc, nosso amigo Glauco, sobre a crise orçamentária e grave por que passava o nosso empreendimento.
Também por ocasião da posse da nova Presidência do Conselho Estadual de Educação, em reunião presidida pelo Vice-Governador Eduardo Pinho Moreira, ao final tive uma conversa com ele, alertando-o que a situação era de fato grave e urgente, o que estava levando ao Saulo e a todos ao esgotamento. Nesse momento informei-lhe que eu estava prestes a viajar para a França por um mês e apelei que tomasse as iniciativas a favor do Sapiens Parque, prevenindo que se não fosse encontrada uma solução para o problema até o retorno de minha viagem eu me sentiria obrigado a me afastar da direção do empreendimento.
Ora, durante a viagem à França recebi a grata informação de que houve até a marcação de uma audiência e visita ao Sapiens Parque do Vice-Governador, ocorrendo, porém, que a mesma foi suspensa. Mas voltando da viagem tivemos a última reunião deste Conselho onde este empresário em quem tenho confiança e ao qual dedico profunda admiração, o Costinha, apresentou uma solução para o Sapiens Parque a se realizar em três momentos: 1.- liberação imediata de R$ 200.000,00 para pagar os débitos com impostos; 2.- uma segunda parcela para sanar os compromissos financeiros de curto prazo; 3.- um processo de capitalização que daria condições ao Sapiens de superar seus compromissos deste ano. Aí me senti contemplado. O meu sentimento ao término daquela reunião foi de total satisfação, alívio e confiança na proposta aprovada.
De repente, ouço a notícia de que o Governo do Estado retirou R$ 120 milhões das reservas da SCPar, ou seja, praticamente inviabilizou a solução acordada! Senti na conversa anterior a esta reunião com nosso amigo Costinha que ele continua tentando viabilizar uma solução para a proposta aprovada na reunião passada, sem encontrar os meios.
Daí voltei à conversa com o Vice-Governador. Não sou homem de ameaçar. Não sou homem de dizer “vou fazer” e não faço! Havia alertado que se não houvesse uma solução eu deixaria a Direção do Sapiens Parque e a participação neste Conselho. Isto simplesmente porque não sinto apoio, nem consideração, nem respeito, nem uma relação de boa vontade com os projetos do Sapiens Parque. Sinto-me impotente para atender aos professores e pesquisadores da Universidade que propõem projetos e programas de pesquisa e saneamento e, inclusive, para atender aos reclames justos dos empresários que estão “fazendo das tripas o coração” para poder honrar os seus compromissos.
Não perco, porém, em nenhum momento, a crença firme no Sapiens Parque. É realmente o futuro de Santa Catarina, é um projeto de sucesso que precisa acontecer! Abandonei interesses de meus filhos para atender aos interesses do Sapiens Parque porque eu dizia a eles que estava trabalhando para o bem dos seus filhos, meus netos. E que aqui estavam sendo criados milhares de empregos para a juventude do Estado de Santa Catarina, pois tínhamos um projeto de futuro. Sacrificava o curto prazo da minha família para não sacrificar o futuro das outras famílias! Era este o argumento que me motivava! De repente estou sem argumentos junto à família…
O custo de oportunidade se torna muito grande! Então estou solicitando a demissão deste Conselho, assim como fiz ontem o pedido de afastamento da Direção do Sapiens Parque.
Comunico, no entanto, que este é um ato de apoio ao Sapiens Parque! Espero que, efetivamente, este ato ajude a despertar e a reafirmar a consciência dos governantes de Santa Catarina, da Prefeitura Municipal e do país, de que o único caminho certo para o desenvolvimento do Brasil é a Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação, mas que esta prioridade tem que ser consubstanciada e efetivada por orçamentos dignos, pelo compromisso de realizá-los, e não por falsas promessas que matam o entusiasmo.
Que os compromissos do governo sejam honrados: que se cumpra o dispositivo constitucional com a Ciência, Tecnologia e Inovação, que se viabilize a FAPESC, que se viabilizem os empreendimentos do Sapiens Parque; que se reforce a SCPar, entidade que faz os empreendimentos avançados do Estado!
Em síntese, o meu apelo ao fazer este gesto de renúncia a este cargo – que espero venha a ser ocupado pelo atual Reitor da UFSC, que manifestou esta disposição, porque o estava guardando para ele – é que os nossos governantes retomem o compromisso com o futuro do país, com a clareza de que o futuro melhor se constrói pelo caminho da Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação.
Enquanto as prioridades forem somente para o passado, para tapar os buracos das estradas do passado, para curar os males da saúde e da pobreza do passado, e não se der uma efetiva prioridade ao futuro, não poderemos ser o país que queremos ser!
Enquanto as despesas da burocracia consumirem os orçamentos, se avolumem e retardem todos os processos decisórios de construção do futuro, não seremos o país que tanto sonhamos!
Gostaria que este Conselho compreendesse que meu gesto de renúncia não é um gesto de fuga de responsabilidades, mesmo tendo-se chegado ao ponto de já estarmos respondendo no Sapiens Parque a processos junto ao TCE por não pagar impostos em dia. E a única razão para não pagar os impostos em dia é porque não recebemos em dia os recursos do Governo do Estado… Estas situações paradoxais põem em risco a própria credibilidade e condição bancária dos diretores do Sapiens Parque! Como continuar voluntário sendo tão maltratado? Como continuar sendo voluntário e tão maltratado, vindo isso ainda em prejuízo da família? Esta é a razão da renúncia!
Faria ainda um apelo ao amigo Costinha, encerrando minhas palavras, para que faça um esforço complementar para viabilizar aquela solução para o Sapiens Parque aprovada pelo Conselho de Administração, e que transmita ao Governador, ao Vice-Governador, ao Secretário Gavazzoni, aos outros membros do governo do Estado, a notícia desta renúncia, que vai junto com um apelo de solução que assegure o futuro deste empreendimento que se desenha de uma forma extraordinária!
Então me retiro com os agradecimentos a todos por me terem tolerado durante todo o período de gestão.

Antônio Diomário de Queiroz.

Texto salvo com base em gravação de José Eduardo Fiates.
( )¹ Não foi gravada a saudação inicial do discurso, relembrando minha posse na Direção do Sapiens Parque para exercer e intensificar a interface entre o Sapiens Parque e a UFSC.
( )² Segue trecho inaudível na gravação.