Arquivo da categoria: FAPESC

carta ao governador luiz henrique sobre posse na fapesc

                                                Florianópolis, 7 de março de 2007.

Prezado amigo e Governador Luiz Henrique,

         Eis a memória solicitada de nossa conversa sincera e aberta da última segunda-feira, em nome de uma amizade que vem dos bancos universitários, cultivada pela luta e pelos ideais da Terceira Força e da CEPAL.

    Em 2003, atendendo à sua convocação, assumi a direção da FUNCITEC, convicto de que iria ajudá-lo a ser o primeiro Governador a cumprir a determinação constitucional dos catarinenses, artigo 193, relativa à Ciência e Tecnologia. Se não for o Luiz Henrique, não será mais ninguém a ter essa coragem histórica, raciocinava então e assim me pronunciei no discurso de posse:

         “Esta posse pública no cargo de Diretor Geral da Fundação de Ciência e Tecnologia – FUNCITEC interrompe minha carreira acadêmica de docente e pesquisador nos programas de graduação e de pós-graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina. 

Que forças, que crenças e valores fizeram-me afastar, ao menos temporariamente, de um plano de vida que considerava definitivo e que tanta alegria e satisfação profissional me proporcionava? 

A presença do Governador Luiz Henrique da Silveira à frente do Estado de Santa Catarina, eleito para realizar um governo voltado para o futuro, constitui a primeira razão. Creio na pessoa do Governador Luiz Henrique, que se distinguiu no Ministério da Ciência e da Tecnologia por sua obra sempre admirada nos meios científicos e acadêmicos e que influiu, determinantemente, para a institucionalização dos órgãos e da política de Ciência e Tecnologia em Santa Catarina. Luiz Henrique da Silveira será o primeiro Governador catarinense a honrar o compromisso constitucional de liberar os recursos do art. 193 para a Ciência e a Tecnologia!”.

       Enquanto permaneci Diretor da FUNCITEC (FAPESC), esse sonho foi-se tornando gradativamente realidade, graças ao seu apoio decisivo!

        Em 2003, o relatório do Tribunal de Contas do Estado destacou que os recursos empenhados para cumprir a obrigação constitucional somaram, naquele ano, na FUNCITEC e no FEPA, 29,4 milhões de reais, alcançando 31,37% da obrigação de aplicar 93,7 milhões de reais, o que representou o maior percentual histórico até então realizado em Santa Catarina. Ainda assim, o Tribunal de Contas emitiu recomendação conclusiva determinando ao Estado promover ações visando a aplicação mínima em ciência e tecnologia prevista pela Constituição.        

    Em 2004, foi necessário um trabalho de convencimento muito árduo junto ao Grupo Gestor para preservar os orçamentos da FUNCITEC e do FEPA. O TCE reconheceu aplicação efetiva de apenas 17,7 milhões de reais em ciência e tecnologia, naquele ano, representando 17,36% da obrigação constitucional de R$ 102 milhões. Após análises das contra-razões do Governo do Estado, rejeitou incluir no cálculo as aplicações no custeio da EPAGRI, mantendo a ressalva e a recomendação de aplicação de recursos em ciência e tecnologia no mínimo dos 2% constitucionais..

         Em 2005, coincidindo com minha transferência para a Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia, só se empenharam R$ 19,0 milhões do Orçamento de R$ 68,7 milhões da FAPESC, incluindo a Diretoria de Pesquisa Agropecuária, substituta do FEPA. Paradoxalmente, a Lei Complementar 282 de fevereiro de 2005 e a Lei Complementar Estadual Nº 284, de 28 de fevereiro daquele ano, dispuseram sobre a aplicação conjunta pela FAPESC e EPAGRI da obrigação constitucional do Art. 193, que no ano aumentou para R$ 141,9 milhões.

         Em 2006, para um orçamento anual da FAPESC de R$ 40,0 milhões, foram liberados R$ 12,5 milhões, o suficiente apenas para pagar os compromissos com a RCT, Rede Catarinense de Ciência e Tecnologia, alguns projetos isolados e as despesas operacionais da Fundação. No entanto, contando com a liberação desse orçamento, foram lançados vários editais públicos de pesquisa, autorizados pelo Governador, aumentando o passivo da instituição, além da aprovação de outros projetos e da contrapartida assumida para os programas nacionais.

        Pior situação é a do orçamento de 2007. O orçamento para a FAPESC proposto à Assembléia Legislativa com recursos do Tesouro, e aprovado, é da ordem de 20 milhões de reais, quando a obrigação constitucional de 2% se eleva a R$ 140 milhões.   Mesmo que o Tribunal de Contas do Estado aceite o entendimento de que o orçamento da EPAGRI seja incluído na obrigação constitucional, o Artigo 193 dispõe que, dos recursos da ciência e tecnologia, destine-se metade para a pesquisa agropecuária. Ou seja, não se preservou a outra metade para o orçamento da FAPESC. Esta situação de inconstitucionalidade do Orçamento Estadual foi denunciada ao Ministério Público, onde prospera.        

         Convidado para assumir a Presidência da instituição, é esta, em síntese, amigo Luiz Henrique, a situação encontrada na FAPESC: um passivo da ordem de 46 milhões de reais, para um orçamento de 20 milhões de reais e uma programação orçamentária e financeira autorizada pelo Tesouro de 9 milhões de reais. Teríamos ainda recursos extra-orçamentários de fontes nacionais da ordem de 20 milhões de reais, cuja liberação vem sendo bloqueada pelo não cumprimento da contrapartida estadual da metade desse valor.      

         Esses números me deixam diante de uma missão impossível! Como cumprir o extraordinário programa para a Ciência e Tecnologia, Capítulo 6 do Plano 15? Isso explica o porquê de não haver ainda assumido a Presidência da FAPESC. Por quase dois meses venho buscando uma solução junto às diversas áreas do Governo, com a articulação hábil e competente do Secretário Ivo Carminatti. Mesmo assim, tenho encontrado barreiras intransponíveis tanto ao nível legal quanto administrativo, financeiro e orçamentário.

         Acreditei que, com o Projeto de Lei Complementar de Inovação de Santa Catarina, teríamos encontrado uma solução para o problema, pela criação do Fundo Catarinense para a Ciência, Tecnologia e Inovação, concebido de forma coletiva e com a colaboração entusiástica do Secretário Jean Kuhlmann. A Lei está maravilhosa e vai ser por si só uma das metas muito bem realizadas do seu Plano 15. Mantenho a esperança de que será aprovada com destaque na Reforma Administrativa.

          O diálogo com diversas secretarias ajudou em muito, por suas análises e oportunas observações, a aprimorar o anteprojeto dessa Lei. Porém, sobre a viabilidade do Fundo, as considerações recebidas levaram ao impasse da escolha entre uma alternativa considerada por algumas pessoas proeminentes como inconstitucional e outras alternativas consideradas sem solução financeira e orçamentária. A única esperança seria sua arbitragem e decisão estratégica salvadora.

       Para não me alongar demasiadamente, prezado amigo Luiz Henrique, gostaria de reafirmar-lhe que a coisa mais importante que gostaria de fazer na vida continua sendo ajudar a torná-lo o primeiro Governador de Santa Catarina a cumprir a vontade dos catarinenses expressa no artigo 193 da Constituição e confirmada nas urnas por sua eleição e reeleição. Mas para isso preciso de condições de trabalho compatíveis com o desafio da missão. São elas:

  • Revisão do orçamento anual da FAPESC de 2007 para pelo menos 1% da obrigação constitucional, ou seja, R$ 70 milhões de reais, com programação orçamentária e financeira compatível, que permita honrar os compromissos da FAPESC, após aprofundado exame de sua pertinência, pagar as contrapartidas dos recursos federais e assegurar a realização do Plano 15.

  • Aumentar o orçamento anual para 1,5% em 2008 e 2% em 2009, incluindo nesse percentual os valores efetivamente alocados para a pesquisa agropecuária, via FAPESC e EPAGRI.

  • Assegurar a efetiva autonomia de gestão administrativa e financeira da FAPESC, inclusive na escolha dos dirigentes, sob sua pessoal orientação.

  • Aprovar a Lei Catarinense de Inovação junto com a Reforma Administrativa proposta à Assembléia Legislativa, afirmando o Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação.

    Com estas condições atendidas, valerá a pena sacrificar novamente a família e toda a vida pessoal, em função do coletivo. Estou convencido de que cada centavo será muito bem aproveitado a favor do futuro de Santa Catarina. Um país que padece tanto das injustiças sociais, decorrentes de seu passado, precisa afirmar as esperanças em governantes, como Você, que são capazes de construir um mundo melhor. E garanto que os recursos aplicados vão se multiplicar, não só pelas contrapartidas dos agentes financiadores, dos empresários e das instituições educacionais, mas sobretudo pela criação de riqueza e de qualidade de vida que a ciência, a pesquisa e a inovação proporcionam.

Com toda estima e admiração,

                                               Diomário Queiroz.

 

Subsídios para entrevista do senador Luiz Henrique no MCTI

Subsídios para entrevista do Senador Luiz Henrique no MCTI

Prezado amigo Luiz Henrique, eis os subsídios solicitados:

  1. Há concordância entre as pessoas consultadas* de que o objeto principal da audiência seja a Emenda Parlamentar da Bancada Catarinense (31R$ milhões) para apoio aos projetos (Parques, Polos, Centros de Inovação e outros) doInova@SC, da SDS. Há o reconhecimento unânime da importância da sua liderança pessoal para que a mesma fosse aprovada.

  2. No âmbito da ACATE, o Presidente Rui Gonçalves está apoiando alguns projetos do Inova@SC por meio do I3Instituto Internacional de Inovação, criado para ser o agente de inovação das empresas a partir de parcerias internacionais. Falta credenciar-se no CATI, a nível nacional, solicitando ajuda nesse sentido. O Instituto abriga a cooperação com a França, em parceria com a École Nationale de Saint Etienne, e está organizando um Workshop de Inovação em Microeletrônica, a realizar-se em Florianópolis, em outubro,19, dia da inovação. O SEBRAE assegurou R$ 200.000,00 para sua realização, sendo necessários novos apoios. Deverá estar presente o Professor Robert Germinet para reanimar a iniciativa da criação do sonhado Centro de Eletrônica. Conta a favor o bem sucedido projeto de desenvolvimento do chip flexível orgânico com aplicações na área médica, em parceria com a UFSC, coordenado pela Dra. Janice Koepp e que necessita de novo aporte financeiro para sua continuidade. 

  3. Ainda no âmbito da ACATE, estão sendo desenvolvidos outros projetos que merecem apoio e poderiam ser referência para programas do MCTI a nível nacional, como o Geração TEC,que está capacitando 3000 técnicos em várias regiões de SC, a partir de mapeamento dos recursos humanos de 765 empresas de base tecnológica; o projeto Juro Zero, realizado com apoio da Finep, que alavancou o crescimento de 39 empresas catarinenses de base tecnológica e que mereceria ser retomado por aquela agência financiadora; o Pólo de Games, que requer apoio sistêmico para consolidar-se como  

  4. NaFundação CERTI, o Professor Schneider destaca dois projetos de grande importância para Santa Catarina, em fase avançada de análise, que dependem de decisões jurídicas do MCTI: o Labelectron Nucleador e o aporte, via FINEP, de recursos para formação de Fundo de Investimento de Seed/Venture Capital para empresas de SC.

  5. Também foi a Fundação CERTI nominada pelo Ministro Mercadante como um próximo integrante do EMBRAPII, programa de apoio à inovação nas empresas por meio de ICTIs, na linha do sonhado modelo de financiamento de base. A Fundação coordena outrossim projetos  da Rede de Inovação Eletrônica para Produtos e da Rede de Serviços Tecnológicos em Metal Mecânica, de caráter nacional, do SIBRATEC. Nesse Programa a SOCIESC coordena projetos na área de serviços e extensão tecnológica. Esses programas precisam ser fortalecidos e agilizados. 

  6. Vários outros projetos de muita importância para o Estado e o País estão sendo liderados pela Fundação CERTI e poderiam ser exponencializados pelo apoio do MCTI: o Centro de Farmacologia Pré-Clínica localizado no Sapiens Parque assume a etapa fundamental da viabilização da produção de fármacos no Brasil e será o âncora do cluster  de Life Science; Terras Raras e Prótesesprecisam ser acionados; o sucesso do Sinapse da inovação e sua metodologia, com criação de centenas de pequenas empresas inovadoras catarinenses, poderia ser referência para um programa nacional dessa natureza.

  7. O Sinapse da Inovação é operacionalizado por meio da Para o Presidente Sérgio Gargioni, a destinação ao programa de um lote de 200 bolsas tipo RHAE, para contemplar os 100 projetos da edição deste ano, teria uma repercussão extraordinária para a alavancagem dessas empresas, conforme experiências anteriores bem sucedidas. Por outro lado, a Fundação aguarda a conclusão do acordo FINEP e FAPs para operar a modalidade subvenção, que tão bons resultados alcançou em Santa Catarina por meio do PAPPE. A Fundação continua também convicta da importância do projeto CLIMASUL apresentado ao MCTI para articular e fortalecer sistema regional de prevenção às catástrofes naturais, abrangendo os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, num sistema modelo para o Brasil.

  8. Em relação ao Sapiens Parque, além da fundamental liberação da Emenda Parlamentar de SC que viabilizará soluções importantes de infraestrutura física urbanística, o MCTI poderá dar um grande impulso e apoio se direcionar recursos do CTInfra,Subvenção e Fundos Setoriais para projetos de Institutos Tecnológicos instalados nesses Parques Tecnológicos. Também seria urgente a liberação dos recursos do Edital de Apoio a Parques Tecnológicos lançado pela Finep ao final de 2010 e fortalecer e ampliar esse tipo de iniciativa.

  9. Na Federação das Indústrias de Santa Catarina, oPresidente Glauco Corte anunciou a Inovação Tecnológica como questão estratégica e prioritária. Pelo Instituto Euvaldo Lódi, o Presidente Natalino Uggioni prioriza a aprovação e liberação de recursos da ordem de R$ 5 milhões para fortalecimento da plataforma de inovação nas empresas de tecnologias de informação e comunicação de SC, o PLATIC 2012-2014, encaminhado à Presidência da FINEP. E igualmente considera fundamental a continuidade do PRONIT, para assegurar a conclusão da rede de NITs do Estado.

  10. Há ainda importantes projetos e iniciativas que poderiam ser priorizados pelo MCTI, dentre as quais se mencionam: implementação dos dispositivos da Lei de Inovação, no âmbito nacional, estadual e municipal, em esforço coordenado pelo Ministério; descontingenciamento dos fundos setoriais para CT, inclusive Fust e Funtel; regionalização do sistema nacional de CT&I e reforço institucional das

Eis, caro Luiz Henrique, em 10 itens, alguns subsídios. Sua experiência e seu faro político das oportunidades saberá selecionar o que seja cabível na audiência.

Contactei também o Professor Rubão da ENA. Estava na Alemanha articulando novos cursos. A Secretaria da Fazenda tem assegurado o custeio da Escola, pela Fonte 240, com recursos gerados por seus próprios cursos. Agradecem a sua ajuda para normalizar a situação.

Rui Gonçalves e os demais líderes com quem falei colocam-se à disposição para fornecer todos os elementos de informação que Você precisar em Brasília e teriam prazer de recebê-lo em Florianópolis para mostrar seus projetos ou conversar sobre políticas e programas e projetos de CT&I, inclusive reunindo os pequenos empresários desta área.

Espero ter atendido ao seu telefonema e me coloco à sua disposição, com um grande abraço, Diomário.

Florianópolis,  6 de fevereiro de 2012.

Pessoas Consultadas: Carlos Alberto Schneider,

José Eduardo Fiates, Rui Gonçalves, Sérgio Gargioni, Natalino Uggionni, Rubens de Oliveira

 

DISCURSO DE POSSE na fapesc

DISCURSO DE POSSE

FUNDAÇÃO DE APOIO À PESQUISA DO ESTADO DE SANTA CATARINA – FAPESC

ANTÔNIO DIOMÁRIO DE QUEIROZ

FLORIANÓPOLIS, 16 DE ABRIL DE 2007

Exmo. Sr. Governador Luiz Henrique da Silveira

Exmo. Srs. Secretários de Estado de Desenvolvimento Sustentável, de Educação, Ciência e Tecnologia, de Agricultura….

Exmo Secretário de Articulação, Ivo Carminatti, e outros Secretários presentes

Magníficos Reitores

Digníssimos Srs. Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação

Ilustríssimos Srs. membros do Conselho Superior da FUNCITEC

Ilustríssimo Sr Vladmir Piacentini, Presidente da FAPESC no exercício findo (e o corpo de pessoas da FUNCITEC)

Ilustríssimos Srs. Diretores da SBPC e de todos os órgãos relacionados à ciência e à tecnologia,

Prezados professores e pesquisadores

Prezados acadêmicos de graduação e pós-graduação, que saúdo em nome do Tiago, Presidente da UCE

Prezados servidores técnicos e administrativos atuantes na área de ciência e tecnologia,

Queridos familiares (homenagear Maike in memoriam) e amigas e amigos

Senhoras e Senhores,

 

Eis-me assumindo as honrosas funções de Presidente da FAPESC!

Este momento solene me leva a parodiar a indagação de princípios que me fiz ao tomar posse na direção da FUNCITEC:

“Que forças, que crenças e valores fizeram-me afastar, ao menos temporariamente, de um plano de vida que considerava definitivo e que me conduzia naturalmente ao tempo privilegiado das doçuras do convívio amoroso com filhos e netos, uma nova Rosa nos jardins?”

A presença do Governador Luiz Henrique da Silveira à frente do Estado de Santa Catarina, re-eleito para realizar um governo voltado para o futuro, continua sendo a primeira razão. Mantenho inabalável a confiança na pessoa do Governador Luiz Henrique, que se distinguiu no Ministério da Ciência e da Tecnologia por sua obra sempre admirada nos meios científicos e acadêmicos e que influiu, determinantemente, para a institucionalização dos órgãos e da política de Ciência e Tecnologia em Santa Catarina. Reitero a convicção de que Luiz Henrique da Silveira será o primeiro Governador catarinense a honrar o compromisso de liberar para a Ciência e a Tecnologia os recursos do artigo 193 da Constituição do Estado!

A minha posse está respaldada por decisão do Governador Luiz Henrique de reforçar o orçamento da FAPESC no presente exercício e de fortalecer a autonomia de gestão, com programações orçamentária e financeira que assegurem as condições mínimas indispensáveis para sanar o passivo, honrar os compromissos da Fundação e colocá-la nas perspectivas de cumprir, nos quatro anos, seu programa de governo voltado à construção de um mundo melhor.

Reafirmo, em segundo lugar, a crença de que, no médio e longo prazos, são as ações e programas alicerçados na inovação resultante de pesquisas científicas e tecnológicas que valorizam as potencialidades regionais e levam à inclusão social. Aceito presidir a FAPESC porque exercerá um papel importante na sustentação do processo de desenvolvimento de Santa Catarina, estimulando a geração de novos conhecimentos vocacionados à gestão descentralizada democrática, ao equilíbrio regional, à distribuição justa de emprego e renda, à melhoria da qualidade de vida de todos os catarinenses. Esta é a razão fundamental da vinculação da FAPESC à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável: o apoio dedicado e firme aos planos e programas do competente, entusiasta e dinâmico Secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, Jean Jackson Kuhlmann!

A terceira razão para aceitar este novo desafio público, consciente da alta responsabilidade pessoal e social que envolve e da árdua carga de trabalho e de sacrifícios que me impõe, diz respeito ao compromisso de vida que tenho com o futuro dos jovens que se dedicam a aprender de corpo e alma na expectativa da realização profissional e que almejam oportunidades dignas de trabalho e renda. É preciso assegurar a esses jovens essas oportunidades! Convivendo cotidianamente com a educação, o ensino, a pesquisa e a extensão, sei profundamente quanto os professores, os pesquisadores e os servidores das instituições educacionais, em todos os níveis e modalidades, podem fazer para construir esse novo mundo da era do conhecimento às crianças e aos jovens. E sei também que é preciso um forte compromisso de todos, para assegurar à comunidade acadêmica os meios de trabalho que superem tantas frustrações abafadas na alma, pelos sucessivos arrochos orçamentários, pelo descaso e desrespeito profissional, pelo excesso de burocracia, pela falta de transparência e de continuidade na liberação dos recursos que vêm sendo destinados à educação de qualidade.

Para o enfrentamento desses problemas, o Plano 15 dos candidatos Luiz Henrique da Silveira e Leonel Pavan, aprovado pelo voto dos catarinenses e consubstanciado em seus programas de governo, oferece a direção estratégica correta de “ampliar a abrangência e competência, para fortalecer o sistema catarinense de ciência e tecnologia.” A Lei de Inovação Catarinense será brevemente apresentada à Assembléia Legislativa, para consolidar o Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação. Fundamenta-se no reconhecimento de que as inovações que proporcionam o futuro melhor são favorecidas pela ação integrada e articulada das instituições acadêmicas e de governo e das empresas industriais, agrícolas, comerciais e de serviços responsáveis pela efetivação dos processos produtivos.

Assim, como disse o Secretário de Estado Paulo Bauer, “a FAPESC continuará a manter seu vínculo natural e seus compromissos com a educação”. A Fundação continuará também apoiando a Pesquisa Agropecuária, conforme entendimento coincidente com o do Dr. Murilo Flores, lúcido Presidente da Epagri, que precisa assegurar os efetivos recursos para a pesquisa de seu qualificado quadro de profissionais. E esse apoio continuará se estendendo às demais áreas de governo, como a saúde, segurança, desenvolvimento social, em suas ações inovadoras. A nível Federal, a permanência do Ministro, Dr. Sérgio Resende no Ministério de Ciência e Tecnologia, assegura um relacionamento amigo, sincero e integrado de cooperação mútua que se estenderá a todos os organismos responsáveis pelo desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil.

A realização desta posse na Federação das indústrias é uma sinalização do compromisso do trabalho conjunto para a inovação na indústria e valorização dos arranjos produtivos locais. A FAPESC atenderá as orientações governamentais, que preconizam, por exemplo, avançar na política de incentivos às empresas de serviço de base tecnológica, apoiar os núcleos de inovação tecnológica nas instituições acadêmicas e empresariais, estabelecer parcerias entre instituições públicas e entidades privadas atuantes em todo o Estado de Santa Catarina, modernizar a gestão pública, usando, intensivamente, as tecnologias de informação e comunicação, implantar centros de inovação e ampliar a rede de incubadoras e condomínios empresariais, com base na vocação de cada microrregião, apoiar a cooperação entre universidades catarinenses e destas com aquelas de vanguarda do país e do exterior no ensino, na pesquisa e na capacitação dos docentes.

Volto ao governo na companhia de uma equipe de confiança, coesa e trabalhadora. Tomam posse ao meu lado na direção da FAPESC excelentes profissionais de alta competência técnica, científica e tecnológica, com identidade de princípios e fiéis ao governo.   O Dr. em Química César Zucco assumirá a função de Diretor Técnico Científico, secundado pelo Professor Miguel Pelandré, tendo sido ambos excelentes membros de minha equipe diretiva quando Reitor da UFSC. O Engenheiro Agrônomo, Dr. Zenório Pianna, será o Diretor de Pesquisa Agropecuária, tendo na gerência o experiente Adenau Dilmar Franke. A Diretoria Administrativa e Financeira será exercida pela admirável Professora Maria Zilene Cardoso, apoiada pelo Dr.Gilberto Montibeller Filho. Para a Procuradoria Geral, a FAPESC contará novamente com os diligentes e excepcionais serviços do Advogado Marco Antônio Azambuja. O Engenheiro e Administrador Vladimir Álvaro Piacentini, a quem agradeço e reconheço o mérito de haver dirigido a Fundação com muita competência, será o Coordenador da Rede de Ciência e Tecnologia, com a importante missão de fortalecer a infraestrutura atual em banda larga, num ainda mais amplo processo de inclusão digital. Terá o suporte direto e eficiente do Gerente de Redes Juarez Lopes. Reencontro na FAPESC um quadro de pessoas diligentes e capazes, altamente qualificadas, nas funções de coordenadores de projetos e agentes administrativos. Em minha família renovo sempre o amor, base de minhas energias. Em Deus, encontro proteção e a tranqüilidade interior. E a presença amiga, neste ato, de tantas pessoas dispostas a colaborar, reforça minha certeza de que é possível dar um avanço substantivo nas contribuições de grande valor que realizaram todos os nossos antecessores dirigentes da Fundação.

Continuarei administrando de forma participativa, plural e aberta, ouvindo com atenção e respeito as sugestões e diretrizes dos poderes constituídos, do Conselho Superior da Fundação, dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento, do Conselho Estadual de Ciência , Tecnologia e Inovação, das universidades e de todas aquelas pessoas e instituições que se proponham a compartilhar responsabilidades, no constante aprimoramento coletivo da política de ciência, tecnologia e inovação do atual governo catarinense.

Para não suscitar falsas expectativas, concluo este discurso com a mesma e única promessa do dia da posse na FUNCITEC: no exercício das funções de Presidente da FAPESC prometo que todas as minhas decisões e que todos os meus atos serão pautados exclusivamente pelos mais elevados propósitos da Ciência e da Tecnologia e pela promoção do desenvolvimento social em Santa Catarina.

Disse.