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Implicações da Participação e da Solidariedade na Dimensão da Universidade

CÁTEDRA UNISUL
I FÓRUM TEMÁTICO SOBRE FUNDAMENTOS PARA UMA SOCIEDADE PARTICIPATIVA E SOLIDÁRIA
Tubarão 19 de junho de 2009
Implicações da Participação e da Solidariedade na Dimensão da Universidade
Antônio Diomario de Queiroz

 A dinâmica da sociedade do Século XXI tem como símbolo a NET, isto é, a rede.  Como propõe Manuel Castels, em A Sociedade em Rede, vive-se cada vez mais nessa sociedade, cuja dinâmica condiciona progressivamente o funcionamento de todas as instituições. As redes são estruturas abertas nas quais as pessoas se comunicam compartilhando os mesmos códigos de comunicação, valores ou objetivos de desempenho. A sociedade em rede promove a cultura participativa e a integração; gera uma quantidade imensa de oportunidades e impele o valor. Organizações e indivíduos são estruturados em uma oposição bipolar entre o ser e a rede,  tornando-se a busca pela identidade, coletiva ou individual, a fonte básica do significado social. Assim, entender como funcionam as redes passou a ser fundamental para compreender o processo de educação no mundo contemporâneo.
 Como educar hoje, para formar o novo profissional da sociedade em redes, crítico, criativo, flexível, capaz de conviver com pessoas de todo o mundo, de diferentes culturas, alinhado com as necessidades dessas pessoas em processos permanentes de mudanças?
 Que implicações essa realidade impõe à dimensão da universidade?
 Em primeiro lugar, a universidade precisa ter como paradigma a solidariedade, o caráter público da educação para todos. Inclusive, no que diz respeito à pesquisa para todos, em que o custo social é recuperado pelo compromisso de atuar criticamente a favor do desenvolvimento sustentável, formando cidadãos éticos e conscientes de seus direitos e obrigações. É o que se entende como responsabilidade social da universidade, cuja eficácia se mede pelos resultados de sua ação na  melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Na educação de qualidade, o ensino se dá no contexto da pesquisa e da extensão universitária, pela interação sistematizada com a comunidade, por meio de mútua prestação de serviços. A extensão pressupõe uma universidade aberta a todas as idéias, a todas as pessoas e a todas as idades, com humildade suficiente para valorizar o saber não formal. Neste sentido a extensão integra unidades do conhecimento e a dimensão das vivências do real.
 O processo participativo de professores e alunos em trabalhos interativos com a sociedade ajuda a compreender a dinâmica do meio físico, econômico e social que os envolve. A relação entre o ensino, a pesquisa e a extensão supõe transformações no processo pedagógico tradicional, pois professores e alunos se constituem como sujeitos do processo de ensino-aprendizagem, propiciando a socialização do saber acadêmico e desencadeando mudanças sociais importantes.  O conhecimento gerado pela pesquisa passa a ser objeto de políticas públicas, e o desenvolvimento científico e tecnológico  constitui etapa que antecede e favorece o desenvolvimento econômico se social com distribuição justa de renda e inclusão social.
 A universidade aberta, empreendedora, participativa e solidária e que não perca de vista sua função libertária e cultural, torna-se guardiã dos princípios mais elevados da cidadania e da interação livre na sociedade em redes.
 O advento das novas tecnologias da informação e da comunicação proporciona o repensar do processo ensino-aprendizagem em todos os níveis educacionais.  Os modelos didático-pedagógicos contemporâneos se fundamentam na capacidade de criar e inovar, superando as limitações milenares do processo de memorização de verdades ditadas pelo mestre aos alunos, ou da habilitação profissional com base na re-elaboração ou construção de saberes e informações do professor. Educar se torna cada vez mais um processo interativo  entre pelo menos duas pessoas, sujeitos em permanente processo de transformação e desenvolvimento da realidade. A dinâmica de aprendizagem se gera nas contradições dialéticas do ser ou não ser. Intensifica-se a prática do interacionismo subjetivista e social. Subjetivista, porque mesmo o conhecimento coletivo se dá a partir do aprendizado individual. E social, porque o processo de comunicação que favorece o novo conhecimento se enriquece exponencialmente pela atuação de um número maior de atores.
 Na sociedade em rede, o professor tem a responsabilidade ética do acesso aos meios de comunicação. Ele deve empregar os melhores meios possíveis para estimular a aprendizagem. A utilização didática das novas tecnologias da informação e da comunicação favorece o processo pedagógico da proposta curricular no mundo novo. É, pois, obrigação de uma política pública de educação, ampliar as possibilidades de utilização desse poderoso meio didático. Os jovens e as crianças de hoje são sujeitos de aprendizagem ativos e rebeldes a uma prática pedagógica uni-direcionada ao aluno.  Cabe então ao professor de sucesso exercer o importante papel de líder e facilitador do processo interativo de ensino-aprendizagem.
 Esse esforço interativo de aprendizagem confere caráter social à educação. O conhecimento se dá em benefício de todos. A sociedade em redes oportuniza processos abertos de participação e solidariedade que ampliam a capacidade das universidades de exercerem sua responsabilidade social.