Música Antônio Diomário – letra

Música: Antônio Diomário

Composta pelos filhos em 2004 na ocasião de seu aniversário de 60 anos.

Acordes: D A (toada caipira)

Ele nasceu lá na Bahia

a Boa Nova trouxe muita alegria

e no seu parto, muito trabalho

o seu nome é Antônio Diomário

 

Logo em seguida, ele partiu pra sua infância no sul do Brasil (2x)

 

Em Joaçaba, com seis irmãos,

conviveu com muita adversidade

mas aprendeu que é com carinho

que se faz uma família de verdade

 

Adolescente, em Blumenau

pro Santo Antônio seu pai o enviou

este santo trouxe educação

e uma alemã pra ocupar seu coração

 

Já nos estudos se destacou

como líder e como orador

e muito jovem ele cunhou

o seu lema que carrega com ardor:

 

Honestidade, amor e trabalho! E o seu nome: Antônio Diomário. (2x)

 

Quando casou, pra França partiu

e deixou muita saudade no Brasil

Mas no retorno trouxe o Doutorado

e uma filha para seu país amado

 

Em Florianópolis se estabeleceu

e nunca teve tempo pra televisão

sua família então assim cresceu

cinco filhos para dar educação

 

Honestidade, amor e trabalho! E o seu nome: Antônio Diomário.

Honestidade, amor e trabalho! E o seu nome trago aqui no meu armário! (colocar a mão no coração)

 

Ângela

Ângela

 

Enfim nasceu o anjo moreno tão desejado

sorrindo alegre para a vida

ampliando espaços

e cobrindo com seu manto protetor

a tristeza, a doença e a solidão!

 

Na harmonia da dança

e no tempo do amor

gerou os queridos Leonardo e Naiane

com tanta energia e inteligência

que tornam os dias sempre belos!

 

Vai, filha, segue em frente

“aos fortes e bravos a luta só faz exaltar”

a capacidade de amar é infinita

o futuro se constrói

as flores nascem e renascem

no coração que palpita

moram a felicidade e a esperança

sempre!!

 

Lia

Lia

 Que linda filha loira e sorridente

chegou tão serena na família

somando dos Knabben e dos Hering o melhor,

empreendedora desde criancinha

meiga, alegre, otimista e feliz

Queiroz também por natureza!

 

Flor mimosa, enfeitou nossos jardins

repousou o sono no meu colo com fofura,

abriu determinada os campos de trabalho

e em Pablo encontrou o argentino amor

que gerou Lala, Lucas Diomário e Bibi

três belos brotos, inteligentes

e guerreiros como os pais!

 

Segue feliz, querida alma catequista,

seu voo angelical em direção a Deus

com todas as bênçãos e louvores

com esperança e a alegria

de compartilhar o milagre da vida!

 

 

 

 

 

 

Max

Max

 

Dos Hering, o nome ancestral

os olhos e as feições de Maike tão iguais

gênio de germânica disciplina

maneira discreta de sorrir.

Dos Queiroz, coração dócil e alegre, otimismo

a inteligência somada das origens

filho querido, tão fácil de educar.

 

Sua vocação revelada ao magistério

aprimorou-se na Alemanha, França e Canadá

mas do Brasil é sua paixão Mariana

mãe carinhosa de Vítor e João

filhos tão felizes e amorosos

pois nascidos do milagre do amor.

 

Até aonde se abrirão os horizontes?

Para onde o levarão os desafios?

Há um longo caminho a percorrer!

Seu caráter adulto e bem formado

é amparo seguro haja o que houver!

 

 

 

 

 

 

 

 

Alexandre

Alexandre

 

Seu choro assombrou a Carmela Dutra

em forte impulso vital

que se harmonizou

na bela voz da Primavera

encanto da família, da cidade

e dos fiéis de Santo Antônio de Lisboa!

 

Filho querido

empreendedor criativo e de sucesso

inteligência excepcional

e coração maior que o mundo

aberto para o bem e para o amor

de Melissa, Caterina e Isabela

joias que embelezam a felicidade!

 

Primogênito maravilhado

com as luzes de Natal

e o esplendor da vida

irmão e amigo solícito

generoso ao partilhar

mesmo suas balas de criança!

 

No colo carregou sua mãe doente

para evitar-lhe

as derradeiras dores da vida!

 

Simone

 

Simone

Nasceu Simone belíssima!

No Quartier Latin em Paris

a pálida luz do entardecer

transpôs as chaminés

e penetrou pela janela

no quarto de estudante

iluminando seu rostinho

em sono sereno e meigo.

 

Na Place Monge

sorriu com alegria para as rosas

e para os flocos de neve

pois no amor encontrava abrigo!

 

Em Florianópolis

cresceu mulher

com a mesma meiguice e alegria

superando dores e fragilidades

guerreira determinada

esteio de Santiago

luz de Maria Cristina, Tiago Antônio e Gabriela

mãe e esposa bondosa e querida.

 

Os anjos impulsionaram sua concepção

no Mont Saint-Michel!!

 

 

revelação

REVELAÇÃO

Sonhos e medos me despertam

espíritos sobressaltam a madrugada

difusas e cifradas mensagens

assustam e encantam o voo

sobre coloridas colinas

 

Que diálogo me propõem?

Onde me levam?

O que me sussurram?

 

Peço perdão ao Anjo da Guarda

ajuda para superar problemas

a paz, a esperança, a felicidade

as mãos nos seios da mulher amada

e retorno à escuridão do sono

até o ensolarado amanhecer!

Diomário, 2020

Algumas lembranças de papai Alexandre

Algumas lembranças de papai Alexandre 

         1- As primeiras lembranças que guardo dos tempos de criança são de Joaçaba, quando tomava banho no rio do Tigre, no fundo de nossa casa. Papai nadava de costas e me levava montado sobre seu peito, eu gritando ao mesmo tempo de felicidade e de medo. Lembro-me das águas limpas daquele rio. A gente descia pelo mato até uma pequena praia ao lado da qual havia uma espécie de piscina onde se tomava banho. Depois as águas se sujaram pela ocupação urbana e agroindustrial em direção à nascente. Nas grandes enxurradas passaram a descer rio abaixo cada vez mais imundícies, porcos e galinhas e até uma vaca trazidos pela correnteza. Seguindo o exemplo do vizinho, papai construiu então um muro alto ao lado do rio, aterrando nosso terreno para um galinheiro e pequena horta. Por sobre este muro, lembro-me da Terência jogando no rio o nosso gato Mimi que havia roubado um bife na cozinha, e de papai lançando com alegria, como se fossem discos-voadores, os pratos e pires trincados da casa, prometendo à mamãe que iria comprar novos.

         2 – Como éramos cada vez um número maior de crianças e não conhecíamos bem os limites de nosso terreno, um dos vizinhos construiu um muro de fora a fora para não invadirmos mais sua propriedade. Entre as duas casas, o muro foi erguido até uns quatro metros de altura para que ninguém pudesse olhar pela janela do outro! Lembro-me de papai contrariado e até meio ofendido com essa medida. Mas com o tempo passou a gostar da ideia e fez um muro igual do outro lado do terreno, isolando-nos também da casa do segundo vizinho, com muros da mesma altura. Até hoje não conheço outra casa tão bem murada como a nossa de Joaçaba!

         3 – Desde cedo, papai resolveu alfabetizar-me. Comprou uma cartilha e um caderno de caligrafia para o meu aprendizado. As aulas eram no seu gabinete de trabalho. Começou ensinando-me os números e o beabá. Mas mantinha sobre a mesa uma régua quadrada de peroba ou canela, ameaçando dar-me uma reguada se eu não respondesse certo às suas perguntas. Fiquei atormentado. Com medo, meus olhos se enchiam de lágrimas e não conseguia sequer ouvir as perguntas ou ler as palavras apontadas e tentava adivinhar as respostas. Papai perdeu a paciência e mamãe intercedeu em meu favor, suspendendo aquelas aulas. Mas alguma coisa devo ter aprendido. No primeiro dia de aula do primário, no Colégio Cristo Rei das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, a irmã Firmina usou como método de motivação a leitura da cartilha na frente da sala por um aluno já alfabetizado, Ilo Pagnoncelli. Lembro-me de minha reação: “Mas isto eu também sei!” E voltei para casa sabendo ler, e mamãe buscou o jornal O Estado e uma caixa de Maizena para que eu mostrasse a todos o “milagre da irmã Firmina” que me ensinara a ler em um só dia de aula!

         4 – Papai tinha hábitos alimentares bem diferentes dos da mamãe. Ele adorava feijão com bastante charque, arroz, carne e massas, tomava sopa preta à noite e esvaziava diariamente a panela após serem servidos os filhos e mamãe. À mesa não podia faltar a pimenta! Gostava de café e pão, depois de descartar com a mão o miolo; comia bolo e algumas bolachas molhadas no café com leite coado, deliciava-se com banana na farofa doce e manteiga salgada como na Bahia. A mamãe adorava saladas de todos os tipos e as preparava diariamente para mim e para ela, pois os demais irmãos e irmãs seguiam a linha Alexandre. Na quarta-feira, quando ele ia advogar em Campos Novos, ela então fazia os outros pratos que gostávamos: fígado, buchada, rabada, língua e coração, entre outros. Aconteceu que num desses dias, quando havia preparado uma deliciosa buchada, choveu muito e papai teve que retornar para casa dado o péssimo estado das estradas. Rapidamente a mamãe preparou um gostoso bife para ele e o serviu à mesa com a buchada para nós. Lembro-me bem das suas exclamações em voz alta: “Mas Dulce, eu não suporto nem o cheiro dessa buchada!” A solução naquele dia foi ele ir almoçar no gabinete!

         5 – Com o tempo papai foi aprendendo a gostar de outras coisas. Por exemplo, passou a gostar de batatas que, até então, classificava também como verdura. E passou a adorar batata frita, sobretudo acompanhada de camarões. E manteve sempre o prazer de comer com muita pimenta e açúcar. Um dia disse-me, com entusiasmo, que aprendera “a gostar de tudo menos apenas de três coisas”! Perguntei-lhe então quais eram essas três coisas. Respondeu-me:

  1. Carne crua, “desta, não tenho jeito de gostar!”

  2. Cebola e alho! “Isto é comida aqui do Sul com a qual ainda não me adaptei!”

  3. Verduras e coisas exóticas! Nesta terceira coisa papai incluía tudo o mais de que não gostava!!

        Durante muitos anos não vi papai tomar qualquer bebida alcoólica, nem mesmo cerveja ou vinho. Só com mais idade passou a incluir nas refeições “no máximo duas pequenas taças de vinho, como recomendava o Tio Totônio” e de aperitivo servia-se de um cálice de vinho do Porto ou de Martini branco, pois isto lhe relembrava os tempos de jovem quando ele e mamãe festejavam seus sucessos com uma dose desta última bebida.

        6 – Papai e mamãe sempre acreditaram profundamente na importância da educação. Por esta razão, sem medir custos e sacrifícios, enviaram Perpétua para estudar em Florianópolis no Colégio Coração de Jesus, onde se formara a mamãe, e a mim para cursar o científico em Blumenau, no Colégio Santo Antônio, onde estudara o papai. Naquela época, no segundo grau, em Joaçaba, só existia o Contador, que estava iniciando as primeiras turmas. Blumenau ficava a três dias de viagem, dormindo-se uma noite em Lages e outra em Rio do Sul. Os ônibus lentos, barulhentos, com cheiro de gasolina, lotados de gente, a poeira entrando pelas janelas abertas, com a maioria dos passageiros vomitando pelas curvas, seguiam sacolejando, com paradas a cada instante para a descida ou subida das pessoas. Em dias de chuva ou geada, atolavam e atrasavam sua chegada. Em março de 1959 eu tinha apenas 14 anos, e na primeira viagem papai acompanhou-me até Blumenau. Mostrou-me com muita satisfação a cidade e o Colégio Santo Antônio. Apresentou-me e recomendou-me aos freis com orgulho. Senti-me importante. Depois retornou para Joaçaba e comecei um novo e importante período de vida. No início sentia muitas saudades e tive dificuldades de adaptar-me ao nível superior dos estudos. Mas então comecei pela primeira vez na vida a iniciar um diálogo mais aberto com papai e mamãe por meio de cartas. Mamãe enviava as notícias do cotidiano e conselhos. Papai falava de sentimentos e filosofava sobre a vida. Creio que foi aí que comecei a conhecê-los melhor e a amá-los de todo o coração.

        7 – No final do semestre daquele ano, papai organizou-se para ir buscar-me pessoalmente em Blumenau para passar as férias em casa. Fiquei radiante ao reencontrá-lo, assim como à mamãe, aos irmãos e amigos de Joaçaba. Papai viajava muito de ônibus pois atendia clientes de toda a região Oeste. Era famoso por dormir profundamente e até em pé quando não conseguia lugar sentado. Naquela vez viajávamos em assentos lado a lado. A partir de Lages fazia muito frio e a geada cobriu toda a estrada. Próximo a Curitibanos o ônibus escorregou no gelo e caiu num barranco sem poder ser removido. Dormimos no ônibus, papai roncava muito alto e eu, sentindo pena dele, não ousava acordá-lo.

A turma dos bancos de trás começou então a brincadeira, como se os roncos fossem do motor do ônibus. Gritavam: “Primeira, Dr. Queiroz:” e o papai, roncando alto: Rorrrrrr!! “Segunda, Dr. Queiroz”: e a resposta: Rorrrr, rorrrrr!! “Terceira, Dr. Queiroz”: e ele, Rorrr, rorrr!! Aquilo divertiu os passageiros e amenizou o clima de desolação do ônibus, até que gentilmente cutuquei no braço do papai, para que ele virasse de lado e pudesse dormir sem roncar!

        8 – Mais tarde, papai comprou seu próprio carro, um Aerowillys preto do último tipo, adquirido em Tubarão sob os cuidados do vovô Neco, tendo dado em pagamento um prédio que havia construído lá, com seis pequenos apartamentos que alugava. Estava feliz, pois dizia que “minha vida melhorou muito desde que passei a ter o automóvel!” Chegando em Florianópolis, onde eu já era estudante de Direito, convidou-me a dar uma volta no carro novo para mostrar como dirigia bem, “pois dirigir foi uma das coisas que aprendi mais rápido na vida”, disse-me ele. Só que naquele passeio fez ao menos duas grandes barbeiragens: numa, ao invés da primeira colocou a ré para sair do estacionamento e subiu com os pneus fumegando em cima da calçada de trás; noutra, encontrando uma carroça descarregando lenha próximo ao hotel Querência, sentindo que a passagem era muito estreita, pediu para o carroceiro se afastar um pouco, mas este se negou: “Por que me afastar se por aí todo mundo passa?!” Isso mexeu com os brios do papai, que fechou os olhos, engatou uma primeira e acelerou, atravessando o percurso raspando nas rodas da carroça com um baita arranhão do início ao fim do carro! Em Joaçaba era conhecido por ser muito cauteloso quando dirigia. Diziam que no retorno de Campos Novos saía na primeira e não mudava a marcha até chegar em casa! Mamãe, quando viajava ao seu lado, estimulava: “Mais rápido, Alexandre! Mais rápido!”

        9 – Guardo uma recordação emotiva muito forte do carro de papai porque ele o utilizava como garantia para poder manter-me e a todos os meus irmãos e irmãs em cursos superiores e em programas de educação no exterior, porque naqueles tempos a venda de um carro tinha total liquidez, e papai me dizia: “Viaja tranquilo, Diomário, pois se algum dia Você precisar de dinheiro eu vendo o carro e lhe envio!” Nunca precisou vender o carro por esta razão, mas se não o possuísse como garantia talvez não teria conseguido mandar todos os filhos formar-se fora. Numas férias de julho, lembro-me de que papai estava com menos dinheiro do que eu precisava levar para Florianópolis. Saiu então comigo, entrou em uma casa comercial amiga, e voltou com a quantia necessária. Disse-me então: “Diomário, não se esqueça, crédito é melhor do que dinheiro! Uma pessoa honesta sempre consegue o dinheiro, pois tem crédito!” E assim a gente ia aprendendo com ele, procurando corresponder aos seus ensinamentos. Adquiri o hábito de manter um controle correto de todas as minhas despesas para lhe fazer a prestação de contas, só não precisando apresentar-lhe os gastos do dinheiro pessoal que me dava como mesada. Em casa, a primeira prioridade para aplicação de dinheiro sempre foi o estudo dos filhos. Com o tempo, comecei a lecionar nos cursinhos pré-vestibulares e no Instituto Estadual de Educação para poder ganhar meu próprio dinheirinho e aliviar os pedidos de ajuda financeira ao papai.

        10 – Papai foi um grande desportista! É o atleta que mais vezes participou dos Jogos Abertos de Santa Catarina. Foi várias vezes campeão e vice-campeão na modalidade de xadrez por Joaçaba, município pelo qual em diversos anos chefiou também a delegação da cidade no conjunto dos esportes. Por seu estímulo, participei dos primeiros Jogos Abertos de Santa Catarina, realizado em Brusque no ano de 1960, disputando na modalidade de tênis de mesa por Joaçaba. Não consegui uma medalha, mas papai passou para ver-me jogar e elogiou-me dizendo que eu me saíra melhor do que ele imaginava. Os sábados, domingos e feriados de minha infância são povoados pela lembrança das infinitas horas de papai e Dr. Miguel jogando xadrez no gabinete. Ele estudava os livros de xadrez e as partidas dos campeões. Assim tornou-se também campeão em várias modalidades, xadrez relâmpago, xadrez por correspondência e em categorias brasileiras de mais idade. Até ao final da vida praticou este esporte, o que ajuda a explicar sua lucidez mental, uma de suas impressionantes características pessoais. Papai foi um advogado, um político e um professor ilustre. Mas como ele mesmo dizia, era sobretudo popular e reconhecido como campeão de xadrez.

        11 – Na minha infância, prevaleceu em mim a imagem do papai como um homem severo, muito trabalhador, exigente, bastante nervoso, chegando a gaguejar quando tinha algum problema a enfrentar, devendo eu, já pela manhã, antes de ir para a escola, recitar de cor, a ele e mamãe, as lições do dia. Fiquei sabendo, embora sem então bem compreender, do soco que dera no Juiz na ocasião em que deixou a Promotoria para ser Advogado, “o que foi a melhor decisão que tomei na vida” como me repetiu depois por várias vezes. Com o tempo, porém, fui percebendo que papai era acima de tudo um homem boníssimo, emotivo, alegre e muito amoroso com a família e com os amigos. Quando adolescente, comoveu-me ao confidenciar numa de suas cartas que uma de suas prioridades na vida era conquistar a amizade e a admiração de cada um de seus filhos e filhas. Em 1954, aos 10 anos, pela primeira vez o vi chorar em altos prantos. Eu voltava da escola feliz porque tinham suspendido as aulas pela morte do Presidente da República, quando, ao adentrar a casa, vi papai debruçado sobre o rádio, chorando muitíssimo, inconformado com o suicídio de seu ídolo Getúlio Vargas! Outra vez teve um desses grandes acessos de choro quando chegou em Tubarão na grande enchente de 1974 e viu a cidade, especialmente toda a propriedade do Vô Neco, destruída pelos trágicos 10 metros da subida das águas. Também chorou muito quando foi operado da vesícula e achava que poderia morrer. Conciliou-se então com seus inimigos políticos, e para falar com cada filho que ia visitá-lo pedia cinco minutos para poder preparar-se psicologicamente de modo a não ceder novamente ao choro. Mas viveu longos anos com muita alegria, contagiando a todos com suas gargalhadas, com suas narrativas engraçadas, com seu otimismo e amor profundo que se estendeu aos netos e bisnetos, pela sua personalidade fora do comum.

        12 – Papai ficou transtornado pela morte de mamãe em 1983. Colocou por escrito que não iria mais casar e enumerou uma série de medidas de mudança de vida. Resolveu mudar-se para Florianópolis, onde comprou um pequeno apartamento. Desfez-se de muita coisa e de costumes para organizar-se para a nova etapa de homem sozinho. Mas cedo organizou uma viagem de navio com o tio Manoel e logo se apaixonou por uma viúva de São Paulo, Ivette, com quem se casou em 1984, com a bênção de todos os filhos e filhas. Em São Paulo organizou escritório de advocacia e viveu alguns anos muito feliz. Fez diversos passeios e viagens à Europa. Numa delas, por coincidência, quando estávamos eu, Maike e Ângela assistindo às danças espanholas em Madri, na mesa ao lado encontramos Papai e Ivette presentes ao mesmo espetáculo. Foi uma festa! Os dois viveram muito bem, visitando-nos em Florianópolis com alegria, por vários anos, até o agravamento das doenças que tornaram difícil sua convivência nas condições de São Paulo. Papai voltou então para Florianópolis. Disse-me um dia que gostaria de vir morar comigo. Naquele momento, revelei-lhe a luta tremenda da Maike por algum tempo a mais de vida mas que não ficasse preocupado, pois os filhos garantiríamos para ele um local digno e bom para morar. E assim, por sugestão da Célia e concordância de todos, foi alojar-se em apartamento confortável do Centro Vivencial para Pessoas Idosas da Igreja Metodista, bem situado no Itacorubi, com assistência médica 24 horas. Cada filho o levava a passear e a comer de tudo que gostava, revezando-se nos finais de semana. A cada vez que eu passeava com ele ao longo do mar, ele comentava: “Diomário, Florianópolis é mesmo uma cidade muito bonita; só perde para a Bahia!” No seu novo lar, logo formou um novo grupo de amizades, com frequentes passeios organizados, admirado por sua sabedoria e seus risos de alegria e animação. Assim sendo, achou uma nova namorada, Dona Hilda. No dia de seu sepultamento, meus amigos ficaram muito bem impressionados ao vê-la, aos 84 anos, chorando copiosamente ao lado do caixão, como uma jovem viúva apaixonada. Papai morreu em minha casa. Quando seu estado de saúde se agravou, e estando eu viúvo, trouxe-o para morar comigo e Ângela nos seus últimos dias. Era um hóspede agradável e organizado, comia sempre uma fruta e bebia água antes de ir dormir e me repetia diariamente que estava deixando a porta do quarto aberta durante a noite. Um dia Vera, que o visitava, correu gritando que ele estava morrendo. Desci do escritório a tempo de lhe segurar as mãos, e de mãos dadas o vi dar com serenidade seu último suspiro.

Escrito por Diomário como contribuição para o Álbum de Memórias de Alexandre Queiroz – Bonijuris.

 

 

 

 

POLÍTICAS DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA PARA SANTA CATARINA

POLÍTICAS DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA PARA SANTA CATARINA

RESUMO – SULMAT 2004

2° Congresso em Ciências de Materiais do Mercosul

 Antônio Diomário de Queiroz

Diretor Geral da FUNCITEC

O processo de expansão das Instituições do Ensino Superior (IES) em Santa Catarina está sendo orientado por políticas de educação, ciência e tecnologia que visam dar sustentação aos programas de desenvolvimento regional num novo modelo de descentralização.

As IES devem se articular com os agentes econômicos e sociais, a nível local, através das Secretarias de Desenvolvimento Regional, coordenadas em âmbito estadual pela Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão. Os Conselhos de Desenvolvimento Regional, dos quais participam as universidades, constituem o mecanismo para a articulação dos esforços de formulação das políticas de desenvolvimento local e regional.

A FUNCITEC, vinculada à Secretaria de Educação e Inovação, integra esse processo de desenvolvimento, proporcionando o acesso à rede estadual de ciência e tecnologia e apoiando as ações de pesquisa, extensão e inovação, por meio de diversos programas e editais voltados para a valorização das potencialidades dos arranjos produtivos locais.

Estimula-se assim a realização do ensino no contexto da pesquisa e da extensão. A Universidade tem a responsabilidade social de alimentar continuamente com novos conhecimentos o processo de desenvolvimento econômico e social de um país.

A qualidade da instituição se mede pelos resultados junto à sociedade.

Há que se raciocinar em termos da eficácia social das universidades, com resultados compatíveis com a realidade em que se situam e com o estágio recente de sua formação. Os sistemas tecnológicos se produzem socialmente e a produção social vem determinada pela cultura.

A era da informação, ao intensificar os meios e o processo de comunicação entre pessoas de todo o mundo, amplia o campo da extensão ao incorporar o conceito da inovação ao lado de ciência e tecnologia.

A inovação é a convergência da história de diversas pessoas para encontrar uma solução de futuro. Ela surge da formulação explícita ou implícita de pactos de controle público do processo de tomada de decisões e da definição concomitante dos mecanismos institucionais que assegurem a vigência de tais pactos. O conceito de inovação passou a ser enunciado como “o resultado de um conjunto de relações que unem três mundos sociais distintos, que possuem culturas próprias e, não raro, francamente conflitantes” (FLICHY, P. 1995. L’ innovation tecnique

). No conceito de inovação proposto por esse autor, a internet é instrumento facilitador das relações de três mundos sociais, assim estruturados:

relações internas à comunidade de pesquisadores com abordagens inovadoras;

relações entre a comunidade de pesquisadores e os agentes econômicos e sociais e

relações com os agentes do Estado e do Governo, operadores do sistema político-econômico.

As políticas públicas de Ciência, Tecnologia e Inovação promovem o desenvolvimento científico e tecnológico. Formam a base da dinâmica do processo de desenvolvimento econômico e social com distribuição justa de renda e inclusão social.

Em Santa Catarina, o papel da FUNCITEC é promover o desenvolvimento científico e tecnológico por meio do fomento à pesquisa e da interação, em todos os níveis, das instituições científicas, dos complexos produtivos, do governo e da sociedade. É nesse sentido que está apoiando a realização do 2° Congresso em Ciências de Materiais do Mercosul que reúne representantes dos setores industrial e acadêmico, direta ou indiretamente ligados a técnicas que fazem uso de materiais cerâmicos, poliméricos e metálicos. Deseja-se que o intercâmbio de informações via apresentação de trabalhos científicos e discussões técnicas proporcione o ambiente favorável ao surgimento de importantes inovações para o desenvolvimento econômico e social nessa área do conhecimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

conceito de inovação

Inovação – Conceitos

Inovação é um estágio do desenvolvimento no qual é produzida uma nova ideia, desenho ou modelo para um novo ou melhor produto, processo ou sistema.

PINTO, CARLOS S.M. Conceitos Básicos de Ciência e Tecnologia.Disponível em: http://www.esg.br/dactec/leitura/cbct.html, 2003

 

CONCEITO RENOVADO DE INOVAÇÃO

“Os sistemas tecnológicos se produzem socialmente e a produção social vem determinada pela cultura”.

CASTELLS, M.2001.
La Galaxia Internet (Reflexiones sobre Internet, empresa y sociedad).

 

OS TRÊS MUNDOS SOCIAIS DA INOVAÇÃO

“A inovação é o resultado de um conjunto de relações que unem três mundos sociais distintos, que possuem culturas próprias e, não raro, francamente conflitantes”.

  1. Relações internas à comunidade de pesquisadores com abordagens inovadoras, porém frequentemente inibidas por estruturas institucionais rígidas.

  2. Relações entre a comunidade de pesquisadores e os agentes econômicos e sociais.

  3. Relações com os agentes do Estado e do Governo, operadores do sistema político-econômico.

FLICHY, P. 1995. L’ innovation tecnique
apud Renato de Oliveira. Ciência e Tecnologia:
uma agenda para a Democracia e o Desenvolvimento. 

 

“A Inovação surge da formulação explícita ou implícita de pactos de controle público do processo de tomada de decisões e da definição concomitante dos mecanismos institucionais que assegurem a vigência de tais pactos”.

Renato de Oliveira. Ética, PolÍtica e Desenvolvimento

 

Na nova economia de redes, o principal desafio para a inovação tecnológica consiste em integrar todos os agentes do sistema de Ciência, Tecnologia & Inovação, públicos e privados, num pacto convergente de ações que promovam a valorização das potencialidades do país e a melhoria da qualidade da vida da população.

A inovação é a convergência da história de diversas pessoas para encontrar uma solução de futuro.

A inovação viabiliza a eficácia social das atividades de ciência e tecnologia.

Só as informações e dados contextualizados pela realidade local geram conhecimento.


Antônio Diomário de Queiroz

 

 

 

 

 

 

 

 

Informa sobre atividades de Antônio Diomário de Queiroz